História & Cinema
ESPIÕES DA SEGUNDA GUERRA
MUNDIAL
AGENTES SECRETOS INFILTRADOS
NO BRASIL
CRÔNICA DE UMA GUERRA SECRETA:
NAZISMO NA AMÉRICA DO SUL
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Na Segunda
Guerra Mundial, o Brasil desempenhou um papel crucial como cenário de uma
guerra secreta, servindo como base para a inteligência nazista que vigiava os
navios aliados. Ao mesmo tempo, os Parceiros, principalmente britânicos e
posteriormente soviéticos, realizaram operações intensas de contrainteligência,
infiltração e sabotagem no Brasil.
O serviço secreto britânico
concentrou-se intensamente na contraespionagem, com o objetivo de neutralizar a
presença e as comunicações alemãs no Brasil. A inteligência atuou por meio de
duas agências principais: o Serviço de Inteligência Secreto (SIS/MI6) e o
Executivo de Operações Especiais (SOE). Além disso, eles acompanhavam
atentamente as inclinações políticas de membros do governo brasileiro e as
ações dos diplomatas do Eixo.
Durante o conflito mundial, o
foco soviético no Brasil estava mais direcionado ao alinhamento geopolítico
futuro, à propagação do comunismo e ao acompanhamento da política de Getúlio
Vargas. A inteligência soviética (na época, NKVD/KGB) infiltrou diplomatas e
enviou agentes para estabelecer redes de relacionamento e influência.
Um
Agente Secreto e um Policial nos bastidores do governo Vargas
Ao desembarcar pela primeira
vez em solo brasileiro, Franz Paul Gruber, o nome falso estava impresso no
passaporte utilizado por Jonny de Graaf, um alemão enviado pela União Soviética
para conduzir e auxiliar na organização de uma revolução comunista no Brasil.
Seu empenho também era falso
com essa missão, camuflava outra finalidade da viagem: investigar como agente
do Serviço Secreto de Inteligência da Grã-Bretanha (SIS ou M16), as
movimentações dos comunistas no país.
O ano era 1935, mais
precisamente no mês de janeiro, o Brasil se dirigia para uma ditadura e o
mundo, estava prestes a acontecer um dos maiores conflitos já visto pela humanidade,
a Segunda Guerra Mundial. Um cenário ideal para que as ações desse agente
versátil pelo país gerassem situações dignas de um filme, provocando intrigas
políticas, traições, tortura e assassinato. Em meio a tantas mentiras, um homem
verdadeiro conseguiu sobreviver à aventura.
Seus precedentes o habituavam
a atuar sob alta tensão. Johann Heinrich Amadeus de Graaf, nascido em 1894,
integrou a Marinha Imperial Alemã durante a Primeira Guerra Mundial. Ele se
destacou como herói no principal confronto naval do conflito, a Batalha de
Jutlândia, que ocorreu nas águas do Mar do Norte, próximo à Dinamarca, em 1916.
No entanto, antes do término do conflito, participou de duas rebeliões dos
marinheiros com a finalidade de depor o Kaiser Guilherme II. Foi sentenciado à
morte, porém, devido à intervenção de um oficial superior, sua pena foi
reduzida para trabalhos forçados.
Suas crenças fixas se
aprofundaram depois da guerra. O ex-marinheiro se juntou ao Partido Comunista
Alemão e decidiu se mudar para Moscou. Em pouco tempo, passou a trabalhar para
a Inteligência do Exército Soviético em missões no exterior para promover
revoluções em vários países. Mas suas decepções com o governo russo logo o
fizeram detestar o comunismo tanto quanto odiava os nazistas. Ele estava na
Alemanha em 1933, quando Adolf Hitler se tornou primeiro-ministro. Para escapar
tanto do cerco nazista quanto de seu envolvimento com os soviéticos, decidiu
solicitar asilo político na Embaixada britânica em Berlim. Com aquele experiente
e bem informado espião, os britânicos não perderam a chance: o convenceram a
trabalhar para eles, como um infiltrado entre os russos. Jonny hesitou, mas não
teve alternativa. Ele se adaptou ao novo objetivo, voltou a Moscou e foi
incluído na equipe que seria enviada ao Brasil para planejar e realizar uma
revolução comunista. Suas tarefas específicas: sabotagem e fabricação de
explosivos.
O agente falso ou agente duplo
estabeleceu-se no Rio de Janeiro com Helene Krüger, que se fazia passar por sua
esposa. Da Rússia, chegavam instruções para os comunistas brasileiros, e Jonny
as repassava para seu superior, Alfred Hutt. Este, por sua vez, se comunicava
com a Embaixada britânica, que então enviava as informações ao seu destinatário
final: Filinto Müller, chefe de Polícia do então Distrito Federal e pessoa de
confiança de Getúlio Vargas. Não levou muito tempo para Jonny descobrir os
planos de Luiz Carlos Prestes (1898 – 1990) e seu grupo, focados no
personalismo do líder e bastante afastados do Partido Comunista do Brasil. Os
relatórios secretos sobre os preparativos de revolução eram confortantes para o
governo Vargas, que assim conseguia acompanhar a mobilização à distância,
aguardando o momento certo de agir. Enquanto isso, Jonny ajudava a treinar os
homens de Prestes em táticas de guerrilha e tentava fornecer orientações ao
líder, sem sucesso. Em 23 de novembro de 1935, a revolta começou. Quatro dias
depois, estava controlada, sob severa repressão.
Jonny foi encarregado de
entregar quase todos os revolucionários aos policiais de Filinto Müller
(segundo ele mesmo, as únicas exceções foram Luiz Carlos Prestes e Olga
Benário). Entre os denunciados estava o número dois na hierarquia dos
insurgentes, Arthur Ernst Ewert. Detido e brutalmente torturado, Ewert ficou
louco. Sua esposa, assim como Olga Benário, foi levada a um campo de
concentração, onde faleceu.
Numa noite de 5 de janeiro de
1936, Jonny e Filinto se encontraram pela primeira vez. Alfred Hutt foi chamado
à Central de Polícia e reconheceu Jonny como agente M16, serviço de
inteligência militar britânico. O espião foi libertado na manhã seguinte, mas,
ao se despedir, Filinto o encorajou a procurá-lo no futuro, se necessário.
O casal “Gruber” ficou quase
um ano na Argentina, até receber uma convocação de Moscou: em tempos de terror
stalinista, os soviéticos pediam que ele retornasse. Era alta a possibilidade
de ser exposto como traidor, e essa possibilidade causou grande angústia em
Helena. Ao perceber que a mulher não queria viajar, e preocupado que ele pudesse
revelar segredos ao seu namorado argentino, o espião não teve saída: matou sua
própria parceira. Antes de ir para a Europa, fez uma parada de 16 dias no
Brasil. Provavelmente se encontrou com Filinto Müller, mas o conteúdo da
conversa é desconhecido. Meses depois, Getúlio Vargas instauraria o regime
ditatorial chamado Estado Novo (1937–1945).
Diante do comando comunista em
Moscou, Jonny desempenhou bem sua função, garantindo que fez o que podia para
ajudar na revolução de Prestes no Brasil. Também soube esconder seus rastros,
pois a investigação feita pelos soviéticos não conseguiu incriminá-lo. Já em
1938, foi enviado para uma nova missão no Brasil, agora com sua esposa Gertrude
Krüger, irmã mais nova de Helena. A pedido de Londres, formaria um grupo de
espiões para vigiar locais estratégicos ao longo da costa brasileira. O inimigo
da vez eram os nazistas.
Durante essa segunda vez do
alemão no Brasil, Jonny e Filinto foram muito amigáveis. Certa noite, em 1939,
o espião foi à casa do delegado de Polícia para conversarem sobre os movimentos
nazistas no país. Chegaram a um acordo, manter sempre contato e ajudar um ao
outro.
Logo em seus primeiros meses,
na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), observadores de Jonny encontram a rota
de dois navios de suprimento do alemão Graf Spee em Santos. É o gatilho para a
primeira batalha naval da guerra no Atlântico Sul, em dezembro de 1939. O
espião manda os detalhes para Londres, e a Marinha Real Inglesa envia os três
cruzadores mais próximos – Exeter, Ajax e Aquiles – em busca do Graf Spee.
Danificado, o navio alemão vai para o porto de Montevidéu, Uruguai, onde é
autorizado a ficar por 72 horas. Sem condições de consertar o navio em tão
pouco tempo e acreditando estar cercado pela Marinha britânica, seu comandante
destrói o Graf Spee na desembocadura do rio Prata.
Os nazistas queriam se vingar, e uma boa vítima seria o espião que os delatou, tentaram assassiná-lo, mas nunca conseguiram matar Jonny. Em fevereiro de 1940, o casal Jonny e Gertrude embarcaram rumo a Londres. Lá, mudaram de nomes junto com novas tarefas para o M16. Jonny faleceu em 1980, aos 86 anos, no Canadá, ficou conhecido por John Henry de Graaf.
Filinto Müller morreu em um acidente aéreo que ocorreu em 1973, aos 73 anos, num campo de cebolas nas proximidades do Aeroporto de Orly, em Paris, França.
Nazistas no Brasil
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Durante a Segunda Guerra
Mundial, o Brasil foi um importante palco de espionagem, principalmente devido
à sua localização estratégica no litoral Atlântico e à atuação de agentes da
inteligência militar alemã (a Abwehr). Esses espiões monitoravam a movimentação
de navios e aviões aliados para repassar as informações aos submarinos do Eixo.
Albrecht Gustav Engels:
Considerado um dos principais líderes da rede de espionagem nazista no país,
ele foi detido no Rio de Janeiro em janeiro de 1943. Sua organização operava
focada em espionar portos estratégicos, como o Porto de Santos, e contava com
uma estrutura de informantes e transmissores de rádio.
Josef Starziczny: Outro espião
alemão de destaque, preso enquanto observava e registrava a movimentação de
navios aliados na costa brasileira.
Demorou cerca de seis meses
para que um dos capítulos mais nebulosos do Brasil durante a Segunda Guerra
Mundial tivesse sua página final decretada. Era fevereiro de 1943 quando se
encerrava uma intensa investigação policial que resultou na prisão de 64
pessoas, entre estrangeiras e brasileiras, em diferentes regiões do país,
acusadas de atuarem como espiões do regime nazista no Brasil.
Em um processo composto por
dez grandes volumes, as autoridades do Brasil reuniram provas suficientes para
desmascarar “as atividades secretas e subterrâneas dos agentes germânicos em
nosso país”, segundo descreveu, na época, o jornal Diário de Notícias, do Rio
de Janeiro. O inquérito abrangia investigações referentes às várias células
nazistas espalhadas por aqui. Inicialmente, acreditava-se que esses grupos
agiam de forma isolada. Porém logo foi descoberto que estas células, ainda que
fossem dirigidas por pessoas diferentes, mantinham relações íntimas entre si:
era uma rede de espionagem nazista instaurada no Brasil.
Para colocar um fim neste
crime organizado, os investigadores elaboraram meticulosamente os planos de
ação. “Tratava-se de ramificações de um mesmo grande movimento, com ligações
sutis, quiçá misteriosas e subterrâneas, mas que afinal foram desmascaradas e
perderam todo o seu poder de mistificação”, apontou o jornal Correio Paulistano
daquele ano. E, assim, autoridades policiais da Delegacia Especial de Segurança
Política e Social prenderam “todos os elementos da perigosa organização”. A polícia
também conseguiu esclarecer as relações de interdependência entre os grupos de
espionagem que operavam em todo o território nacional — e em outros países da
América. Nesta operação, um dos presos era um ex-delegado que, em parceria com
um advogado, “maquinava a fuga de tais espiões pela fronteira do estado do Rio
Grande do Sul”, conforme noticiou o periódico sem citar os nomes dos dois
criminosos. Entre os grupos detidos, estava o de um dos maiores espiões do
regime de Adolf Hitler que atuou no continente americano: Albrecht Gustav
Engels.
Um
Homem com Alcunha de “Alfredo”
Ele, que usava o codinome
“Alfredo”, já estava preso desde março de 1942. Detido no presídio de Ilha
Grande, no Rio de Janeiro, Alfredo ficou sabendo que toda a sua quadrilha
também havia sido capturada pela polícia. Engels chegou a ser apontado,
inclusive, como um dos chefes supremos do serviço secreto nazista no país,
segundo o Jornal do Brasil.
‘Alfredo’ foi preso pela
polícia política do Rio de Janeiro quando a própria força policial havia
desbaratado algumas redes de espionagem nazistas no país. Na época, o então
embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Jefferson Caffery, enviou um telegrama
ao governo norte-americano informando sobre a prisão de Engels e de outros
espiões nazistas. “Esses indivíduos são os principais agentes que têm
telegrafado o movimento de aviões, navios etc. para a Alemanha. Se conseguirmos
detê-los, provavelmente poderemos destruir toda a estrutura de espionagem alemã
aqui”, escreveu Caffery. O documento pode ser encontrado no site do governo dos
Estados Unidos.
Dias antes de Engels ser
preso, outros nazistas já haviam sido detidos. O próprio “Engels convenceu-se
de que era uma questão de tempo antes de a polícia vir à sua procura”, escreveu
o biógrafo Stanley Hilton no livro ‘A Guerra Secreta de Hitler no Brasil‘.
De acordo com o autor, o golpe
desferido contra o Abwehr no Brasil — nome do serviço de informação do Exército
alemão —, causou consternação em círculos oficiais alemães. A cúpula do
Exército germânico, segundo o autor, teria transmitido algumas mensagens aos
demais agentes alemães que atuavam como espiões no Brasil e em países vizinhos.
Entre elas: “Alfredo foi vítima de seu ofício” e “tome cuidado. Alfredo foi
preso”.
Vinte dias depois, Engels foi
levado de olhos vendados até a Penitenciária de Niterói para ser interrogado.
Considerada uma pessoa culta, inteligente e dissimulada, ele negou tudo.
Semanas se passaram e ‘Alfredo’ permaneceu em silêncio. A polícia, então, mudou
a tática.
Durante quatro noites
seguidas, não permitiu que ‘Alfredo’ dormisse: a cada cinco minutos, um
investigador ia até seu quarto perguntar-lhe se precisava de algo. Na quinta
noite, Engels não aguentou mais e, segundo relatou o Jornal do Brasil da época,
“teve uma crise de nervos, arrancou os cabelos dos braços, chorou copiosamente
e, em seguida, mandou comunicar ao secretário de Segurança que estava disposto
a falar”. Com isso, Engels — ou Alfredo — confessou os crimes e chegou a
revelar que um de seus radiotransmissores, usado em seu ofício de espião,
estava em uma casa em São Cristóvão, na capital fluminense.
Assim, ‘Alfredo’ foi julgado e
condenado. Inicialmente, de acordo com o jornal A Noite de dezembro de 1943, o
Tribunal de Segurança condenou Engels à pena de morte — na época, prevista para
sentenciar crimes de guerra —, que logo em seguida foi comutada em 30 anos de
detenção. No fim, porém, um dos maiores espiões nazistas que atuou em
território brasileiro permaneceu preso somente alguns anos, sendo liberado em
1949 após cumprir a maior parte da pena no presídio de Ilha Grande, no Rio de
Janeiro.
Albrecht Gustav Engels,
natural da pequena vila de Buchholz, atualmente um município da Alemanha,
nasceu em 1º de junho de 1899 e veio ao Brasil no segundo semestre de 1923.
Nos anos de turbulência e
desilusão provocados pelos efeitos da Primeira Guerra Mundial, milhares de
jovens alemães deixaram sua terra natal para buscar uma vida melhor em outro
lugar. “Um desses emigrantes foi o jovem engenheiro Albrecht Gustav Engels, que
havia servido durante o conflito no Exército alemão e tinha participado de
combates na França”, relata o escritor e pesquisador Rostand Medeiros.
O Brasil, naqueles tempos,
parecia promissor devido à grande comunidade germânica que habitava o país e
por ter estreitos laços econômicos com a Alemanha. Engels, então, negociou um
emprego na empresa Siemens, no Rio de Janeiro, e partiu de Hamburgo a bordo do
navio a vapor Bayern, aos 24 anos. “Ele demonstrou conhecimento técnico sólido,
além de habilidades administrativas, e encontrou um ambiente propício para o
avanço no Brasil”, comenta Medeiros. Depois de um ano na Siemens, passou a
trabalhar em uma siderúrgica, até se tornar gerente da filial da Allgemeine
Elektrizitats Gesellschaft (AEG), em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Engels se casou em 1927 com
Klara, que também era de sua cidade natal. Dois anos depois, nasceu o único
filho do casal. Após a Revolução de 1930, se mudaram para o Rio de Janeiro e
ele foi nomeado engenheiro-chefe na sede da AEG da América do Sul. Em 1931, o
engenheiro alemão aceitou o trabalho para organizar uma filial da empresa em
Joinville, em Santa Catarina, e dois anos depois foi eleito diretor. “O
trabalho de Engels levou-o, assim, às grandes empresas comerciais e industriais
do centro-sul do Brasil, onde construiu uma ampla gama de pessoas influentes e
contatos experientes em negócios, incluindo políticos e militares. Ficou claro
que ele gostava de manter relações pessoais com uma série de oficiais e figuras
da sociedade”, relata.
Em outubro de 1934,
naturalizou-se cidadão brasileiro. Sua competência administrativa chamou a
atenção dos supervisores de Berlim da AEG e, em 1939, foi nomeado um dos seus
administradores com responsabilidades especiais pelas filiais da empresa na
América do Sul. Enquanto isso, a economia alemã voltava a crescer e Engels se
orgulhava do ressurgimento do seu país natal. Sentiu que era necessário ajudar
nesse processo. “A sua nomeação como diretor da AEG seria o primeiro passo em
seu alistamento não apenas como um agente da Abwehr, mas como seu agente mais
importante na América do Sul”, revela Medeiros.
Era verão de 1940, quando
Engels viajou com sua família de férias para a Europa. Passaram várias semanas
na Suíça e depois foram a Berlim. Em agosto, com a Segunda Guerra Mundial em
crescimento, o casal tomou um trem para Gênova, na Itália, onde iriam embarcar
em um navio com o intuito de regressar ao Brasil. Porém, pelo avanço da guerra,
o navio não conseguiu partir no dia planejado, sendo forçados a ficar em Gênova
por mais três semanas. Durante este período, como o próprio Engels afirmaria
mais tarde, foi recrutado pela Abwehr. “O contato foi feito por um amigo dele,
um capitão do Exército chamado Jobst Raven, que passou quase 15 anos no Brasil
trabalhando para a filial santista de Theodor Wille, uma das empresas
comerciais alemãs mais importantes da América do Sul”, explica.
Raven era um dos encarregados
de coletar e compilar dados sobre as economias de países estrangeiros. Ele
estava atento às oportunidades de descobrir novos agentes no Hemisfério
Ocidental que poderiam informar sobre a economia americana e ajudar nas
exportações de materiais estratégicos dos Estados Unidos para a Inglaterra.
Engels, por causa de sua experiência e contatos no Brasil — e de sua lealdade
ao governo de Adolf Hitler —, parecia ser o recruta ideal.
Anos depois, o agente chegou a
contar que Raven o visitou no Columbia Hotel em Gênova em 10 de setembro e lá
eles chegaram a um entendimento. No entanto, Medeiros acredita que é mais
provável que Raven tenha recrutado Engels durante uma viagem que ele fez ao
Brasil na primavera de 1940, muito possivelmente já tendo o propósito de lançar
as bases para uma rede de inteligência nazista no país.
A historiadora Taís Campelo,
em sua tese de doutorado, conta que Raven era amigo de Engels desde quando
serviram juntos ao Exército alemão. “Com o aumento da importância da América do
Sul para a estratégia de guerra, foi solicitado que Engels chefiasse uma rede
de informações no Brasil em 1940”, escreve. Para isso, de acordo com ela, um
agente especial chamado Alfred Becker veio ao país, dias depois, auxiliá-lo na
organização de um grupo e instruí-lo no uso de códigos, tintas secretas e no
uso do microponto, aparelho especial que fotografava os relatórios e os reduzia
ao tamanho de três a quatro milímetros.
Engels era considerado um
homem de família, observador, inteligente e uma fonte de informação
potencialmente inestimável. De volta ao Brasil, não demorou a começar os envios
sistemáticos de informações ao governo nazista. Seus relatórios tratavam da
produção industrial e militar nos Estados Unidos, além do comércio americano
com a América Latina. Suas fontes de informações incluíam contatos comerciais,
publicações brasileiras e americanas, como o Wall Street Journal.
Os relatórios eram remetidos
por aviões para Roma, na Itália, onde eram enviados via Correios para um
endereço em Berlim, na Alemanha. “Os documentos eram camuflados como se fossem
cartas comerciais, mas com texto em código mascarando evidências de informações
estratégicas. Além de revistas norte-americanas, suas principais fontes eram
contatos pessoais em círculos comerciais, industriais, políticos e militares”,
explica Taís.
Engels esteve subordinado ao
capitão Hermann Bohny, adido naval assistente da Embaixada alemã no Rio de
Janeiro. Outro foco das atividades do espião, segundo a pesquisadora, era
coletar informações sobre a movimentação de navios ingleses e americanos nos
portos brasileiros, que eram retransmitidos aos submarinos alemães em vigília
no Oceano Atlântico. “Engels também recebia cartas dos Estados Unidos, México e
Panamá com informações confidenciais e as repassava para Berlim”, complementa a
historiadora.
Para mensagens urgentes entre
Engels e a Abwehr era utilizado o canal diplomático por meio do embaixador
alemão Curt Prüfer. Após o estabelecimento de um serviço radiotelegráfico, em
março de 1941, Engels começou a recrutar colaboradores para o serviço militar
de informações. Foram convocados informantes nas cidades do Rio de Janeiro,
Santos, Recife, São Paulo, Salvador, Vitória, Porto Alegre e Rio Grande. Com
isso, Engels tornou-se um catalisador de diversos agentes alemães nas Américas,
que se comunicavam com a Alemanha por meio dele. “O financiamento das atividades
era feito via Argentina, através do capitão Dietrich Niebuhr, adido militar da
Embaixada alemã de Buenos Aires, que dirigia e fiscalizava os trabalhos de
Bohny e Engels”, revela Taís.
Após quase oito anos de
prisão, Engels foi solto em 1949. Ao sair do cárcere, continuou tendo uma vida
normal no Brasil. Permaneceu morando no Rio de Janeiro e, talvez como um prêmio
pelos seus “bons serviços” ao regime nazista, chegou a ser presidente da
empresa Telefunken no Brasil, em 1961 — era uma empresa alemã fabricante de
rádios, televisores e componentes eletrotécnicos, fundada em 1903. Anos mais
tarde, Engels retornou à Alemanha e morreu em junho de 1977, aos 78 anos.
O tratamento que Engels
recebeu no cárcere foi “duríssimo”, segundo apontam historiadores. Mais tarde,
conforme escreveu Stanley Hilton, o próprio espião chegou a revelar que sofreu
danos permanentes em seu nervo ciático. A esposa, Klara, também foi levada à
delegacia diversas vezes para ser interrogada — ela, no entanto, jamais foi
detida. No decorrer da investigação que resultou na sua prisão, um grupo
selecionado de mensagens escritas por ele foi fornecido ao presidente Getúlio
Vargas e ao então ministro das Relações Exteriores Oswaldo Aranha. “Por causa
da importância de Engels dentro do esquema de espionagem alemã no Brasil, um
procedimento diferente foi usado”, explica o pesquisador Stanley Hilton.
Para o pesquisador Rostand
Medeiros, a punição a Engels denota que a justiça ficou longe de prevalecer.
Para ele, a pena de quase oito anos foi muito aquém do esperado. “Acredito que
o fato de existir no Brasil, até nas altas esferas do governo Vargas, muitos
simpatizantes do nazismo e do fascismo, ‘lubrificou’ as engrenagens da Justiça
para essa gente sair livre, leve e solta. Com o fim da Segunda Guerra, essa
gente deve ter pensado que esses espiões ‘já tiveram o que mereciam’ e a
Justiça foi afrouxando geral”, avalia Medeiros.
Um
Nazista chamado Josef Starziczny
Em meio à Segunda Guerra
Mundial, alemães comandaram um caso de espionagem bem longe da Europa, no porto
de Santos, no Brasil.
Também foi detido outro homem
alemão chamado Josef Starziczny, enquanto observava
a movimentação dos navios Aliados na costa brasileira.
Em Crônica de uma guerra
secreta (Record, 2005), o embaixador Sérgio Correa da Costa (1919-2005) conta a
história de um espião nazista, Josef Jacob Johannes Starziczny, doutor em
engenharia eletrônica, cujas atividades estenderam-se até Santos e São Vicente.
A história também pode ser lida em A guerra secreta de Hitler (Nova Fronteira,
1983), do historiador norte-americano Stanley Hilton.
Como se sabe, o Estado Novo,
de Getúlio Vargas, flertou durante um bom tempo com o nazismo, permitindo o
livre trânsito de espiões nazistas pelo território brasileiro. Na Capital da
República, por exemplo, o trânsito de espiões não era dificultado. E, assim,
Starziczny estabeleceu-se na cidade em 1941 e logo encontrou apoio da filial da
empresa Theodor Wille, que destacou um funcionário para lhe servir de
intérprete. Afinal, o engenheiro chegara com uma carta de recomendação da
Theodor Wille, de Hamburgo.
Três dias depois, conta o
diplomata, Starziczny veio a Santos para ver o cônsul Otto Uebele, que seria
seu chefe imediato. Embora nascido no Brasil, Uebele sempre estivera ligado a
Alemanha, tendo colaborado com o império alemão durante a Primeira Guerra
Mundial (1914-1918). E, assim, facilitou contatos para o engenheiro eletrônico
estabelecer uma rede de espiões em Santos e São Vicente.
Starziczny, segundo Correa da
Costa, era um espião um tanto trapalhão, tendo se envolvido com mulheres
brasileiras, mas não é isto o que interessa aqui. Não seria mesmo uma pessoa
muito arguta, a ponto de ter deixado incompleto o trabalho que pretendia
desenvolver, o que provocou muitos desentendimentos com seus superiores.
Em dezembro de 1941, o serviço
de Starziczny chegava ao fim, pouco depois de ter deixado um transmissor na
casa de Gerard Schroeder, um simpatizante nazista que morava na Rua Ipiranga,
13, em São Vicente. O serviço de Starziczny era fornecer informações sobre a
entrada e saída de navios nos portos do Rio de Janeiro e de Santos. Com base em
suas informações, muitos navios aliados podem ter sido bombardeados por
submarinos alemães.
Enquanto a polícia carioca,
praticamente, ignorava as atividades dos agentes do Eixo, o mesmo não acontecia
em São Paulo, graças à atuação do delegado adjunto na Delegacia de Ordem
Pública e Social, Elpídio Reali, pai do jornalista Reali Júnior, correspondente
de O Estado de São Paulo em Paris, e avô da atriz Cristiana Reali.
Logo, Reali chegaria a
Starziczny, que, um tanto desajeitado, facilitaria a ação da polícia. Ao tentar
comprar na firma Sayão & Sayão, na rua Dom Bosco, em São Paulo, um odômetro
para o transmissor que deixara em São Vicente, o alemão, falando em inglês,
iria apresentar-se como O. Mendes, deixando como endereço o Hotel Santos, em
Santos. Tudo isso iria despertar suspeitas no comerciante, que sabia muito bem
que a peça que o estrangeiro queria era usada em transmissores potentes. E
achou melhor avisar a polícia.
Logo, a polícia chegou a
Odélio Garcia, que, mais tarde, iria telefonar para a loja, perguntando pelo odômetro.
Detido, Garcia não negou que havia adquirido não só a peça como uma estação
radiotransmissora, fazendo-o por encomenda de Ulrich Uebele, gerente da
exportadora de café Theodor Wille e filho do cônsul alemão em Santos. Detido,
Uebele entregou seu patrício Gerard Schroeder, da seção de navegação da Theodor
Wille, que confirmou que a estação havia sido passada a um funcionário do
consulado alemão.
O delegado Reali não levou em
conta imunidades diplomáticas e colocou em cana todos os envolvidos, inclusive,
um brasileiro, na casa de quem fora localizada a estação retransmissora. Só
faltava o principal elo, o espião Starziczny.
Com o pai de Uebele, Oto, o delegado ainda iria encontrar filmes de
navios ingleses e americanos e de pontos estratégicos do litoral de São Paulo e
ainda uma pista que o levaria ao Rio de Janeiro, mais especificamente a um
sobrado no Leblon.
Lá, finalmente, iria encontrar
Niels Christensen, engenheiro civil, nome atrás do qual se escondia Starziczny.
Na casa, a polícia iria descobrir muitos equipamentos e, dentro de uma caixa de
madeira, informações que partiam diretamente do Leblon para o almirantado
alemão, em Hamburgo.
A ação rápida de Reali
permitiu que o navio britânico Queen Mary, que deixara havia poucos dias o Rio
de Janeiro levando a bordo oito mil soldados canadenses, mudasse de rota e
escapasse de um ataque. Eis aqui uma história de nossa polícia pouco lembrada,
mas que merece ser conhecida pelas novas gerações.
Guerra Secreta na América do Sul
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Durante a Segunda Grande
Guerra Mundial, Hitler, em um de seus planos, queria dividir a América do Sul,
com apoio da Argentina, em quatro Países-Satélites do Terceiro Reich (III
Reich).
No seu livro, Sergio Corrêa da
Costa reconstituiu uma cena que parece tirada de um filme de espionagem: a
morte de um cidadão alemão ocorrida perto da embaixada do seu país, que
funcionava no nº 93 da Rua Paissandu, no Rio de Janeiro-RJ. Ele sofreu o
esbarrão de um agente do British Security Coordination (BSC) e morreu.
O BSC registrou o caso de
forma sucinta: “Funcionário alemão, seguido por um de nossos agentes, sofreu um
acidente. Sua pasta foi tomada e aberta. Dentro dela encontrava-se um mapa da
América do Sul”.
Conforme o mapa apreendido, a
América do Sul nazista teria apenas quatro países: Brasil, Argentina, Chile
(que ficava com parte do Peru e da Bolívia) e “Nova Espanha” (um novo país
formado pela Colômbia, Venezuela, Equador, Paraná e Zona do Canal). As três
Guianas seriam unificadas como colônia francesa.
A Argentina, cujo presidente, Juan Domingo
Perón, simpatizava com Adolf Hitler, levaria a melhor na divisão, cresceria
consideravelmente, avançando em direção à Amazônia.
Em ‘Crônica de uma guerra
secreta', Sergio Corrêa da Costa convida o leitor a empreender uma emocionante
viagem pelo mundo da diplomacia e da espionagem internacional. O resultado é um
livro polêmico, que vai muito além de revelar os bastidores da conexão
argentina e dos planos de invasão; é o relato de uma intensa experiência vivida
de perto. O autor passou em Buenos Aires os últimos anos da Segunda Guerra
Mundial. Guerra em que o Brasil se bateu para valer ao lado dos Aliados,
enquanto a vizinha Argentina se enredava perigosamente nas tramas do
nazifascismo. Estavam, portanto, os dois países em lados opostos no conflito.
Além disso, na nova geografia pensada para a América do Sul pelos nazistas, o
papel preponderante caberia à Argentina, enquanto que o Brasil seria
desmembrado, perdendo os estados da região Sul. Com a capitulação alemã em
1945, logo se soube da chegada a Buenos Aires de milhares de refugiados,
inclusive criminosos de guerra. O próprio autor investigou por que o embaixador
enviado pelo general De Gaulle a Buenos Aires, bem como o embaixador belga,
estaria na lista negra de Perón. Era a insistência com que reclamavam a
extradição de vichyistas condenados pela França e a de membros da falange belga
do quisling Léon Degrelle. Dizia-se que Perón, irritado, simplesmente jogava na
cesta as notas diplomáticas e até recusou cumprimento aos dois diplomatas que o
importunavam. Fatos históricos e revelações bombásticas - como o destino do
tesouro nazista e a construção da bomba atômica argentina, cuja existência só
foi anunciada ao mundo em 1951 - fazem parte deste livro.
Geograficamente, a América do
Sul era importantíssima para controlar o Atlântico Sul, as rotas para o Oriente
e toda a costa africana. O livro foi escrito por Sergio Corrêa da Costa, que
durante a Guerra foi um jovem diplomata servindo na embaixada brasileira em
Buenos Aires, aonde viu e ouviu muita coisa.
Pesquisando em arquivos,
depoimentos e memórias, o autor conseguiu montar o cenário geral do Continente
durante o conflito, e ele é assustador.
O Brasil, ao menos na pessoa
de seu Presidente, era muito pró-nazista, as forças armadas eram abertamente
germanófilas, e Vargas ignorou repetidas vezes avisos sobre redes de espionagem
nazistas no Brasil, só agindo quando achava que elas ameaçavam o status Quo
interno.
O livro também trata dos
integralistas, que em sua simplicidade a Internet diz que eram nazistas de
camisas verdes, mas como sempre é mais complicado; os nazistas odiavam os
integralistas, inclusive é citada uma frase do cônsul da Alemanha Nazista em
Florianópolis: “Um alemão vestido de camisa verde é o coveiro de seu próprio
germanismo”.
O curioso é que Getúlio
gostava dos integralistas por seu anticomunismo e, mais adiante, grupos
integralistas apoiaram os nazistas por perderem as graças de Getúlio.
‘Crônica de Uma Guerra
Secreta’ trata das grandes histórias, mas também é cheio de fofocas, como a
história de Starziczny um espião nazista que se amasiou com uma coroa gaúcha e
virou uma pedra no sapato do Reich, sempre pedindo dinheiro, que ele desviava
para cobrir as despesas da patroa, além de se tornar distraído e incauto a
ponto de ser capturado pelas forças do Governo, com direito à moça ser presa de
camisola.
Uma das grandes descobertas do
autor foi um mapa, capturado de um agente alemão, mostrando uma proposta de
subdivisão da América Latina após a Guerra, com a Argentina absorvendo vários
países e o Brasil perdendo território.
A Argentina, aliás, não é de
hoje que é pedra no sapato, mais adiante Sergio detalha um plano argentino –
num passado bem antes - para contratar mercenários alemães e matar Dom Pedro
II.
Outro caso: O Brasil tinha
decidido investir em tecnologia aeronáutica e um dos chefes do projeto era um
alemão, mas a Guerra pegou o sujeito na Europa. Ele precisava de um
salvo-conduto do Estado Brasileiro, mas a burocracia foi tão grande que o
pedido chegou até Getúlio Vargas. Nesse meio-tempo, o sujeito voltou para
Alemanha, foi recrutado pela Inteligência Nazista e, quando veio para o Brasil,
passou a guerra toda repassando tudo que conseguia para o Reich. Eles sabiam de
nossas bases aéreas, do projeto de uma fábrica de aviões, tudo.
Já houve nazismo sério no
Brasil, principalmente na região Sul, e o ‘Crônica de Uma Guerra Secreta’
detalha bem isso:
Em 1938, Friedrich Thiss foi
enviado a Santa Catarina para assumir o comando da Juventude hitlerista e a
supervisão das demais entidades de brasileiros e alemães.
(…) A arrogância das autoridades alemãs
em Santa Catarina chegou ao ponto de tentar proibir que a Ação Integralista
Brasileira se instalasse no estado sob a alegação de que a ideologia
totalitária já estava devidamente representada pelas organizações nazistas. E
mais: brasileiros natos não podiam ser admitidos nas entidades não-políticas do
movimento hitlerista. O Diário de Notícias do Rio de Janeiro salientou esses
fatos em sua edição de 3 de setembro de 1937. Infelizmente, a repercussão foi
próxima de zero.
Há tanta coisa no livro que a
gente não vê por aí que nem em sonho eu conseguiria listar tudo, de espiões
deixados nas nossas costas em submarino, a um assassino da Gestapo mandado ao
Brasil para matar Oswaldo Aranha, o que privaria o Brasil de um grande
estadista e um excelente patriota.
‘Crônica de Uma Guerra
Secreta’ não é uma tentativa de reescrever a História, e sim uma ótima obra
preenchendo lacunas.
“Uma vez caído o Brasil, o
continente sul-americano será nosso”. (Juan Perón, Manifesto do GOU - Grupo de Oficiais Unidos, 3 de maio de 1943).
Saiba mais:
Indicação ao livro: “Crônica de uma guerra secreta. Nazismo na América: a Conexão Argentina”.
Autor: Sergio Corrêa da Costa.
Editora
Record, 1ª edição, 553 páginas, 2004.
Indicação ao filme: “O Amanhecer do Quarto Reich”.
Enquanto a operação Valkyrie prepara o assassinato de Adolph Hitler, uma equipe de operações especiais aliadas se prepara para tirar o homem destinado a liderar a Alemanha no pós-guerra. Mas, a operação Valkyrie falha e tudo muda. Agora, aliados improváveis precisam trabalhar juntos para impedir que um grupo de oficiais nazistas fuja para a Argentina e estabeleça o Quarto Reich.
2016 para DVD | 1h 40min | Guerra, Ação, Histórico.
Direção: Claudio Fäh | Roteiro: Don Michael Paul, Chad Law.
Elenco: Sean Patrick Flanery, Tom Sizemore, Kip Pardue.
Título original: Beyond Valkyrie: Dawn Of The 4th Reich.
País de origem: Estados Unidos da América.
Revista
de História da Biblioteca Nacional. Jonny e Filinto - Segredos, traições,
assassinatos: a vida de um espião infiltrado nos bastidores do governo Vargas. Edição
nº 85, Rio de Janeiro: FNDE, ano 7, p. 72, outubro de 2012.
SOARES. Vítor. “Como o Brasil foi palco de espionagem durante a Segunda Guerra?” - https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/desventuras/como-o-brasil-foi-palco-de-espionagem-durante-a-segunda-guerra.phtml, 2026; GONÇALVES, Adelto*. “Nazistas em Santos e São Vicente” - https://portogente.com.br/artigos/6022-nazistas-em-santos-e-sao-vicente. *Adelton Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003); https://contraditorium.com/2020/09/15/resenha-cronica-de-uma-guerra-secreta/;https://www.travessa.com.br/;https://pt.wikipedia.org/wiki/Sergio_Correia_da_Costa/; https://www.google.com/.
(*) Jansen
Furtado – pesquisas. Alguns textos foram adaptados pelo autor, 2026.
Ilustrações
por Francisco Furtado, criadas pelo ChatGPT
Image, 8 de junho de 2026.







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