HISTÓRIA & CINEMA
O HORROR RELIGIOSO DAS CIVILIZAÇÕES PRÉ-COLOMBIANAS
MISTÉRIOS, LENDAS E RITUAIS OBSCUROS DE POVOS ANTIGOS DAS AMÉRICAS
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Alguns os consideram um legado
da humanidade, que deve ser protegido sem a interferência da sociedade atual,
com o objetivo de mostrar seu estilo de vida ao homem moderno que enfrenta
dificuldades. Eles teriam vivido seminus em um ambiente ideal, tendo a floresta
como único teto antes da vinda de missionários e civilizadores europeus.
Os nativos mexicanos
pré-colombianos, especialmente os astecas (mexicas), maias, olmecas e
zapotecas, estabeleceram sociedades complexas na região da
Mesoamérica. Destacaram-se por sua agricultura evoluída (milho, chinampas),
estudos astronômicos, uso de escrita em hieróglifos e construção de pirâmides
monumentais.
Eram sociedades organizadas em camadas, politeístas e possuíam amplas redes de
comércio.
Os astecas dominaram o centro
do México (1300-1521 d.C.), com capital em Tenochtitlán.
Eram conhecidos pelo imperador, forte exército e sacrifícios humanos.
Os maias prosperaram na região
da península de Yucatán e no sul mexicano, como ainda em grande parte da
América Central (Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador), sendo conhecidos
por suas contribuições em astronomia, calendário e escrita. Eram organizados em
cidades-estados autônomas como Tikal e Palenque.
Os olmecas, reconhecidos como
a "cultura mãe", floresceram na região sul do México
(Veracruz e Tabasco) com suas imensas cabeças de pedra.
Os povos zapoteca e mixteca
estabeleceram-se na área de Oaxaca, famosa por Monte Albán, onde já foram
descobertas ourivesaria em metais preciosos e joias pré-hispânicas,
principalmente oriundas da cultura mixteca.
Os Incas constituíram o mais
extenso império da América pré-colombiana, denominado Tahuantinsuyu, cujo
centro estava situado em Cusco, no Peru, entre os séculos XV e XVI. Com uma
extensão de 4.000 km na Cordilheira dos Andes, que percorre países como Peru,
Equador, Bolívia, Chile e Argentina, destacaram-se pela agricultura
desenvolvida, pela infraestrutura de estradas e pela arquitetura monumental,
como a célebre Machu Picchu.
O que mais intriga os
historiadores acerca desses povos é que, em suas práticas religiosas,
realizavam sacrifícios humanos em honra às suas divindades.
A prática de sacrifícios
humanos, principalmente entre civilizações mesoamericanas como os astecas (mexicas),
maias e incas,
é um dos tópicos mais pesquisados e, na verdade, intrigantes para
historiadores, arqueólogos e antropólogos. Essa atração e confusão vêm do
contraste entre a alta complexidade social dessas civilizações e a brutalidade
ritual das suas crenças religiosas.
Os astecas acreditavam que os
deuses necessitavam de energia vital — contida no sangue humano (chamada de
"água preciosa") — para sobreviver e manter o Sol (Tonatiuh) em
movimento, evitando o fim do mundo.
Acreditava-se que os deuses se
sacrificaram para criar a humanidade; portanto, o sacrifício humano era uma
"dívida" que os homens tinham para com as divindades, servindo como
uma forma de nutrir os deuses e manter o equilíbrio cósmico em tempos de crise,
como fome ou guerra.
Era comum esfolar um cativo
vivo e vestir sua pele. Também se jogava a vítima no fogo ou arrancava-se seu
coração antes que ela morresse. Diziam que o coração pulsante era símbolo de
vida e energia, da qual a deidade e o Cosmos seriam revestidos.
A modalidade de costume era deitar a vítima de
peito aberto sobre uma rocha lapidada (tipo altar), arrancar o coração com uma
faca, guardá-lo num recipiente e jogar o corpo pirâmide abaixo.
Em outras culturas, como a
inca, o sacrifício (capacocha) era realizado em montanhas andinas com crianças,
vistas como seres puros, para apaziguar deuses em momentos de catástrofes
naturais.
O fim
de um império
Um dos fatores que levou à
destruição dos astecas foi a má reputação de suas práticas de horrores com
humanos, como o canibalismo. No primeiro encontro dos astecas com os espanhóis,
Hernán Cortéz e seus homens foram bem recebidos em 1519. Montezuma ll, o
imperador asteca da época, não sabia como lidar com aquele capitão de cabelos
dourados em um cavalo, animal nunca visto naquele território. Pensavam ser o
deus Quetzalcoatl que retornava à terra dos astecas, após muito tempo longe de
seu povo. Na dúvida, achou melhor lhes oferecer presentes, como pedras
preciosas e iguarias, e o imperador mandou que seus súditos preparassem um
banquete de carne humana. Os espanhóis suspeitaram do forte cheiro de sangue e
descobriram, horrorizados, o que estavam comendo. Vomitaram imediatamente e não
aceitaram mais nenhum alimento. Outro fator que impressionou os visitantes foi
o brilho das pedras preciosas (diamantes) e pepitas de ouro oferecidos a Cortéz;
os seus olhares cobiçosos por esses tesouros iniciariam a decadência do
império. A partir dali, as coisas não seriam fáceis para os astecas. Dois anos
depois, sua civilização estaria dissolvida.
O fim do Império Asteca
ocorreu em 13 de agosto de 1521, com a queda da capital, Tenochtitlán, sitiada
pelos conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortés e seus aliados
indígenas. A derrota foi resultado da superioridade bélica europeia, alianças
de Cortés com povos inimigos dos astecas (como os tlaxcaltecas) e uma epidemia
de varíola que devastou a população nativa.
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Quando se trata dos pagãos e de seus deuses, as Sagradas Escrituras o fazem com horror e excreção. O Salmo 95 reza: “todos os deuses dos gentios são demônios” (Salmo 95:5).
Recentes pesquisas de equipes
de arqueólogos na Cidade do México oferecem informações concretas, grandes e
indiscutíveis para abordar a questão. O caso inicia com o escritor espanhol
Francisco López de Gómara (nascido em 1511), que fez um relato assustador sobre
o que viu no México. Recentemente foi mencionado pelo jornal espanhol “ABC”.
Ele menciona um sinistro monumento
que os amigos do conquistador Hernán Cortés viram em Tenochtitlán, a cidade
principal do império asteca. Uma impressionante pirâmide, cuja construção era
feita de cento e trinta mil crânios humanos atravessados por ripas. Em apoio ao
assustador relato, o cronista menciona seus amigos Andrés de Tapia e Gonzalo de
Umbría, que também observaram a tétrica construção e a comentaram. O nome do
prédio sombrio é tzompantli.
Acredita-se que as vítimas
usadas como ‘tijolos’ eram inimigos sacrificados e oferecidos à honra dos seus
deuses. Porém, López de Gómara descreveu essa estrutura com detalhes como um
monumento que tinha mais a ver com o prazer social do que com a vingança
militar. Segundo a crônica, o malévolo monumento era formado por duas
torres cheias de cabeças, cujas colunas tinham sido feitas com cal e restos
humanos.
A maioria dos historiadores
afirmava com um toque de desdém que, nesse tipo de mausoléu, os índios astecas
só usavam restos de homens que morreram em combate. Porém, as pesquisas ainda
em andamento sobre os ossos encontrados indicam que também foram sacrificadas
mulheres e crianças.
Um desses ossários macabros
foi encontrado em 2015 próximo do “Templo Mayor”, um dos mais importantes da
antiga Tenochtitlán, hoje Cidade do México, onde foram contados 657 crânios
humanos, muitos dos quais pertencem a crianças e mulheres. Rodrigo Bolaños, um
dos antropólogos responsáveis pela investigação, ainda continua surpreso.
No fundo das pirâmides
macabras, há um altar que servia apenas para rituais e cultos: era nesse local
que as vítimas eram sacrificadas para “enfeitar” as repugnantes construções. Esses
se encontram hoje embaixo da terra, pois a Cidade do México cristã foi
construída sobre a cidade pagã.
Sacrifícios
em honra a Kukulkan
Os sacrifícios humanos feitos
pelos maias, especialmente em Chichén Itzá e em reverência a Kukulkan (Serpente
Emplumada), constituíam rituais complexos e firmemente integrados em sua visão
de mundo, visando assegurar a ordem cósmica, a fecundidade do solo e a aprovação
das divindades.
Além de crianças, prisioneiros de guerra eram oferecidos como sacrifícios para fortalecer a autoridade dos líderes. As formas de sacrifício incluíam decapitações e a extração do coração da vítima com facas de obsidiana, com o sangue sendo apresentado como alimento divino
Há cerca de 60 anos,
pesquisadores de arqueologia encontraram um local com ossos humanos dentro de
uma cisterna subterrânea em Chichén Itzá, uma das cidades mais influentes da
antiga civilização maia. A cisterna tinha ligação com uma caverna que ficava a
poucos metros do Cenote Sagrado, um sumidouro repleto de água que continha os restos
de centenas de ossos humanos.
Quando a revelação na
cisterna, ou chultún, ocorreu na Península de Yucatán, no México, em 1967, os arqueólogos
concluíram que indivíduos jovens e crianças tinham sido colocados ali após a
morte ao longo de um intervalo de oitocentos anos e presumiram
que a maior parte desses indivíduos eram mulheres jovens. Naquele período,
acreditava-se que os maias preferiam vítimas do sexo feminino para os seus
rituais de sacrifício.
Porém, uma nova pesquisa de
DNA desfez essa ideia, mostrando que todos os 64 conjuntos de restos humanos
encontrados na caverna pertencem ao sexo masculino, com muitos deles sendo irmãos
e primos com idades de três a seis anos – além de uma quantidade improvável de
gêmeos idênticos.
“Não esperávamos que fosse
esse o caso”, diz o arqueogeneticista Rodrigo Barquera, do Instituto Max Planck
de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, e principal autor de um novo estudo que
descreve a análise recém-publicada na revista científica Nature.
Nos anos recentes, Barquera e
seus colaboradores revisitaram os ossos encontrados no chultún e na caverna em
1967, os quais estão atualmente guardados nas proximidades. A nova avaliação
deles indica que o local serviu para mais de 100 sepultamentos entre os anos
500 d.C. e 1300 d.C.
A maior parte das pessoas enterradas
naquele local ocorreu antes do ano 900, cerca da época em que Chichén Itzá se
destacava como a principal cidade das regiões maias do Norte, que incluíam
áreas que hoje fazem parte da Península de Yucatán, no México, assim como o
norte da Guatemala e Belize.
Apocalipse
Maia
Em 1517, o espanhol Francisco
Hernández de Córdoba, após passagem por Cuba, partiu a 8 de maio e avistou a
costa leste de Yucatán, no México. O explorador chegou com seus 110 homens, em
três navios, na península que ele acreditava ser uma ilha.
O Comandante Hernández e sua
expedição encontrou grandes cidades, inclusive três sendo as mais
desenvolvidas, todas habitadas por povos até ali desconhecidos dos espanhóis. A
primeira das cidades chamava-se Ecab, que os espanhóis deram o nome de “El Gran
Cairo”, numa referência a capital egípcia.
No início da exploração,
apesar dos dialetos e culturas diferentes, Hernández e sua tripulação foram bem
acolhidos. Isso mudou quando os visitantes chegaram a Champotón, na costa oeste
da península. Enfrentados ferrenhamente pelos nativos, liderados pelo seu chefe
Mochcouoh, muitos espanhóis foram mortos. O restante dos sobreviventes bateu em
retirada. Hernández, bastante ferido, morreria ainda em 1517, em Cuba, momento
em que o contingente voltou para a ilha. A descoberta dos maias era
oficialmente registrada na história.
As comunidades exploradas por
Hernández e seus homens, faziam parte do que restava de uma complexa sociedade
que, por 700 anos, predominara, principalmente, a região sul da América do
Norte e parte da América Central.
Os maias construíram enormes
cidades, com pirâmides, templos e observatórios astronômicos. Em algumas áreas
do conhecimento (como matemática e a escrita), uma das mais completas da era
pré-colombiana das Américas, chegaram a avançar muito mais que os europeus.
Apesar de ter impressionado tanto os espanhóis, entretanto, os maias do século
XVI não formavam mais, nem de longe, a civilização grandiosa do passado. Um
desses exemplos de decadência pode ser visto no filme Apocalypto de Mel
Gibson, que foi exibido em todo o mundo, como ainda no Brasil. O filme foi
produzido nas regiões mexicanas de Catemaco e Vera Cruz e é falado em um dos
dialetos étnico maia. Em vez de continuar formando um sistema de cidades
integradas, os maias viraram habitantes de povoados dispersos, e que, muitas
vezes pertencentes a territórios
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As tentativas finais que deu o
início apocalíptico aos maias começaram a partir de 1527, liderada por
Francisco de Montejo. Depois de massacrar 1200 nativos na cidade de Chauca,
suas tropas acabaram expulsos de Yucatán no ano seguinte. Outra invasão ocorreu
em 1531, mas terminou com os espanhóis em fuga. Em 1540, Francisco Montejo
Filho, herdeiro da missão do pai, chegou à península com grande exército. Seis
anos depois, mais precisamente em 1546, apoiado por algumas tribos locais,
declarou vitória na região de Yucatán. Mais ao sul, entretanto, os maias
seguiram livres, Tayasal, Guatemala, foi o último foco de resistência. O
reinado sucumbiu em 1697.
Os maias foram conquistados,
porém, jamais exterminados. Atualmente, depois de uma acirrada luta pela
sobrevivência e conservação de sua cultura, ainda existe aproximadamente 6
milhões de pessoas descendentes desses povos que vivem em Yucatán e na
Guatemala.
Múmias
Andinas
A vida e a cultura inca eram
fortemente influenciadas pela religião. Eles adoravam vários deuses, geralmente
ligados a elementos naturais, como sol, lua, rios, chuva, entre outros.
As divindades recebiam
oferendas, incluindo sacrifício humano, e aguardavam dos deuses um retorno na
forma de chuvas, proteção e colheitas abundantes. Um grande templo foi erguido
em Cusco, Peru, em homenagem a Inti, o deus Sol.
Ao longo da história, diversas
culturas praticaram sacrifícios humanos. Para comemorar ocasiões especiais,
realizar funerais reais, em resposta a desastres naturais, expiar pecados,
consagrar projetos de construção ou locais específicos e assegurar a
fertilidade e a saúde, seres humanos foram sacrificados. Vítimas sacrificiais
também foram mortas para atuarem como servos de pessoas influentes no além.
Assim, as oferendas humanas dos incas devem ser vistas como sacrifícios comemorativos,
expiatórios, propiciatórios e/ou dedicatórios.
Durante a fase
tardia do período pós-clássico na Mesoamérica antiga,
os astecas adotaram rituais de sacrifício humano, incluindo a extração de
corações, influenciados pela tradição maia-tolteca. Acreditava-se que o sangue
humano era essencial para manter a força do deus Sol. Esses sacrifícios
ocorriam em ocasiões como a inauguração de templos gêmeos de Tlaloc e
Huitzilopochtli em México-Tenochtitlán. Além da remoção do coração, os rituais
incluíam esfolamento e consumo da carne das vítimas, reforçando a brutalidade
que ajudava a consolidar o poder asteca.
Nos
antigos Andes sul-americanos, foram encontradas evidências
de práticas de sacrifício humano representadas em cerâmica moche (100 a 700
d.C.). A iconografia do sacrifício humano em montanhas parece ter estado
relacionada a ritos de fertilidade agrícola e à gestão de recursos hídricos.
Mas foi quase oito séculos depois, sob o domínio da civilização Inca, que a
prática de sacrifício humano em santuários no topo das montanhas atingiu seu
mais alto nível de elaboração e expressão cultural.
O Império Inca, com capital em
Cuzco, expandiu-se do atual Peru até a Colômbia e Chile entre 1438 e 1532 d.C.
Tawantinsuyu
atingiu um alto grau de organização sociopolítica. Nesse
período, os incas ergueram templos no cume de montanhas cobertas de neve (com
mais de 5. 000 metros de altura), onde realizaram rituais de sacrifícios
humanos. A boa conservação de corpos e objetos funerários no altiplano andino
fornece evidências bioantropológicas significativas sobre esses rituais.
Os corpos congelados de três
crianças incas foram encontrados por Johan Reinhard e
Maria Constanza Ceruti (autora deste artigo) no cume do Monte Llullaillaco, que
atinge uma altitude de 6715 metros, no local arqueológico mais elevado do
planeta. Essas múmias são reconhecidas como algumas das mais bem conservadas da
época pré-colombiana até o momento. Elas foram estudadas previamente em relação
à variedade de múmias existentes ao redor do globo; como itens de devoção,
ligadas ao papel espiritual das crianças nos Andes, como participantes nas
cerimônias de capacocha e como objetos de investigação paleopatológica e
médica.
Inúmeras pesquisas
interdisciplinares foram realizadas nas múmias congeladas do Monte Llullaillaco
ao longo dos anos em que estiveram guardadas na Universidade Católica de Salta.
Essas investigações abarcaram exames por imagem através de radiografias tradicionais
e tomografias computadorizadas, que ofereceram dados sobre a integridade e
doenças nos ossos e órgãos internos; além de análises odontológicas focadas na
determinação das idades das três crianças na época de seu falecimento.
Pesquisas de DNA antigo e análises de cabelo também foram efetuadas em parceria
com instituições acadêmicas, como a Universidade George Mason, a Universidade
de Bradford e o Laboratório de Antropologia Biológica da Universidade de
Copenhague.
A cerimônia capacocha dos
incas consistia no deslocamento de pessoas escolhidas para
sacrifício, junto com vários itens cerimoniais, das comunidades periféricas das
províncias conquistadas para a capital, Cuzco. Uma vez que eram ritualmente
transformados em oferendas ao modo inca na capital, os filhos e filhas dos
líderes indígenas, assim como as virgens selecionadas pelo deus Sol, eram então
conduzidos em uma procissão cerimonial a diversos locais sagrados em todo o
império. Nesses lugares, eram sacrificados e enterrados como representações vivas
do culto estatal ao deus Sol Inti, além de prestarem uma homenagem imperial aos
sítios sagrados locais, conhecidos como huacas.
Os rituais de redenção que
envolviam sacrifício humano eram baseados na crença de que doenças e desastres
eram punições divinas. Para restabelecer a harmonia espiritual, apenas uma
oferta significativa, como a vida de um ser humano, seria suficiente.
As primeiras investigações
relevantes e científicas sobre múmias congeladas em locais sagrados andinos
(capacocha) ocorreram principalmente a partir do final do século XIX e
no começo do século XX, destacando-se eventos importantes em 1905 no Monte
Chañi. Contudo, as descobertas mais reconhecidas e em excelente estado de
conservação, como as do vulcão Llullaillaco, aconteceram em 1999.
Uma das primeiras provas de
rituais de sacrifício dos incas ocorreu com a descoberta de uma múmia infantil
no Monte Chañi, que tem 5. 896 metros de altura, na Argentina, no ano de 1905.
Descobertas Modernas (1999):
Uma equipe liderada por Johan Reinhard e Constanza Ceruti encontrou as
"Crianças de Llullaillaco" a 6.739 metros, o sítio arqueológico mais
alto do mundo.
Muitas dessas múmias,
incluindo a famosa "Múmia Juanita" (1995), tornaram-se fundamentais
para entender a bioarqueologia e as práticas religiosas dos Incas no cume dos
Andes.
Porções
medicinais e malignas
Vários povos indígenas entre o
México e os Estados Unidos possuem uma tradição milenar no uso de plantas e
fungos com efeitos alucinógenos, muitas vezes referidos como enteógenos em
contextos rituais para propósitos espirituais, premonições ou até mesmo para a
cura de seus
males. Essa prática se estende a outras regiões, como a América Central e
algumas áreas do Sul.
As principais substâncias
usadas historicamente incluem: peiote (que contém o alcaloide mescalina);
cogumelos sagrados – teonanacati, várias espécies do gênero psilocybe, que
contêm psilocibina, eram comumente usadas pelos antigos astecas; salvia
divinorum, também chamada de “ska pastora”, planta nativa da Sierra Mazateca;
ololiuqui: sementes de algumas espécies de glória-da-manhã (Rivea Corymbosa),
que contêm compostos semelhantes ao LSD (LSA), eram usadas para adivinhações,
comunicação com divindades e conexão ancestral (facilitar o contato com
espíritos dos antepassados), prática que existia desde o período hispânico.
Em todas as tradições
indígenas da Mesoamérica antiga, as substâncias naturais permitiam o acesso a
um estado alterado de consciência, que, segundo a cosmologia desses povos,
funcionava como um portal para o mundo espiritual. Isso possibilitava que o
usuário, normalmente orientado por um xamã ou curandeiro, dialogasse com seus
antepassados, deuses ou espíritos da natureza, em busca de conhecimento para
curar enfermidades físicas ou sociais da tribo.
Essas tradições sobreviveram à
perseguição colonial e hoje o México possui certas proteções legais que
permitem o uso cerimonial dessas plantas por comunidades indígenas como parte
de sua herança cultural.
A sociedade tomou conhecimento
da cultura e das práticas medicinais tradicionais dos indígenas por meio de
livros, revistas e filmes. Fatos históricos, contos e lendas que se tornaram
temas cativantes para a literatura e o cinema. Em cena, é comum encontrarmos a
figura do curandeiro indígena, também conhecido como feiticeiro ou "pai da
medicina", com seu "capacete" de chifres (cocar de chifres de
búfalo) e seu bastão em forma de caveira humana, presente nas narrativas de
diversos contextos das histórias mexicanas e americanas publicadas no mundo
literário.
Baseado
no texto acima, estão escritos em forma de HQ (Histórias em Quadrinhos),
especialmente em revistas sobre o Velho Oeste americano, como Tex. “Diablero” e
“A Rainha da Noite” * (histórias divididas em dois exemplares de
números 92 e 93), obra italiana de G. L. Bonelli, desenhos
de G. Letteri, republicada no Brasil pela Editora Vecchi em 1978. Neste
episódio, Tex Willer e seus companheiros, juntamente com os amigos mexicanos El
Morisco e Eusébio, se veem envolvidos em um caso estranho abrangendo um
lobisomem (“Diablero”, para os indígenas). Uma feiticeira indígena (que se
dizia descendente dos antigos astecas) após usar uma substância nociva retirada
de uma flor e cogumelos venenosos, transforma seu parceiro índio em “Diablero”
e começam a causar terror e morte entre os índios de uma tribo Bronco no norte
do México (Sierra del Hueso).
No mesmo contexto encontra-se
a história de uma flor causadora de efeitos alucinógenos em um bando de
mexicanos assaltantes de bancos, conhecidos como “Locos” ou “Los Locos” ** (Tex
números 127, 128 e 129, Editora Vecchi, 1981), liderados por Dom Martim de
Rosales e seu irmão Ricardo. A trama acontece numa região vizinha ao Rio
Grande, no México, cujo covil é num castelo medieval inacessível, localizado
numa ilhota cercada por pântanos e crocodilos, como ainda existe um mistério no
local, de que em sua superfície exalam vapores sulfurosos das entranhas da
Terra. Nesses pântanos crescem as “flores da loucura”, plantas das quais se
extrai um poderoso alucinógeno que os chefes da quadrilha fornecem
em grandes doses aos seus homens para encorajá-los nos saques aos bancos. A
porção é sempre preparada por um velho curandeiro e chefe de uma tribo Yaqui
que vive na ilha.
Segundo a lenda narrada pelos
povos mexicanos, substâncias retiradas da “Yerba del Diablo” (erva-do-diabo),
do gênero Datura inóxia, e misturadas ao peiote, fazem com que uma pessoa, ao
ingerir a droga, se transforme num “Diablero” ou lobisomem, ação através de uma
porção mágica feita por um bruxo (feiticeiro) ou uma bruxa. Curandeiros
pérfidos que abandonam suas tribos de origem e sabedoria para andar pelos
negros caminhos percorridos pelos espíritos do mal. E isso tudo para conquistar
mais poder e prestígio sobre outras tribos. Outras vezes, são índios sem tribos
que, antes de morrer, procuram encontrar alguém a quem transmitir seus negros
conhecimentos que adquiriram com os bruxos. Em geral, preparavam jovens para
lhes ensinar certas porções de ervas que depois seriam manipuladas para
transformá-los em diableros.
Esses casos, quando são
analisados pela ciência, tratam-se de Licantropia. É a transformação mítica de
um ser humano em lobo, originada da lenda grega do Rei Licaão, amaldiçoado por
Zeus. Clinicamente, é uma síndrome psiquiátrica rara, onde o indivíduo acredita
ter se transformado em um animal, além de lobisomem, entre outras formas como
pássaros, cachorro ou coiote.
Crenças, lendas e superstições
eram comuns entre esses povos indígenas do norte do México, principalmente os
yaqui, apaches chiricahua e mescalero, que detinham costumes de provar certas
porções retiradas de cactos e flores como tesota, peiote, honguito e yerba del
diablo com poderes alucinógenos. Eles acreditavam que, sob o uso de
entorpecentes, invocavam criaturas de espíritos sobrenaturais.
Antes da chegada dos europeus
em 1492, os povos pré-colombianos já haviam formado civilizações sofisticadas e
altamente desenvolvidas. Eles tinham uma organização social avançada e eram
mestres na agricultura, engenharia e astronomia. Seu legado abrange a criação
de sociedades avançadas e a domesticação de alimentos essenciais para a
humanidade.
Não eram grupos tão
primitivos, mas de sociedades altamente organizadas, como os maias (com
conhecimentos em matemática e astronomia), astecas (com uma arquitetura
imponente e um império centralizado) e incas (com uma extensa rede de estradas
na Cordilheira dos Andes).
Com seu impacto cultural,
criaram calendários, sistemas de escrita, métodos de irrigação agrícola e
grandes centros urbanos de forma autônoma. O que se tem contrário aos seus
métodos de vida cotidiana eram seus sacrifícios humanos, que sucumbiram em
várias vítimas enterradas sob os escombros de suas pirâmides macabras.
Notas e Referências:
(1) Os arquétipos são normas universais de
comportamento e símbolos que residem no inconsciente coletivo humano, buscando
a felicidade, a segurança e a pureza. Propostos pelo psicólogo Carl Jung, eles
representam predisposições inatas que moldam como percebemos o mundo. São
amplamente utilizados para criar conexões profundas e narrativas visuais
marcantes.
Revista
Aventuras na História: “Sanguinários Astecas”. Edição 74, São Paulo:
Editora Abril, setembro de 2009. Relatos baseados nos livros: “A Civilização
Asteca”. SOUSTELLE, Jacques. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002; “Astecas,
vida cotidiana”. CLARE, John D. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2002.
Revista
National Geographic Brasil: “Como os maias escolhiam as vítimas de
sacrifícios?” – https://www.nationalgeographicbrasil.com; Brasil El País: “Descoberta
enigmática numa pirâmide oculta no interior de um templo maia” - https://brasil.elpais.com; https://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com;
Wikipédia - A Enciclopédia Livre - https://en.wikipedia.org; “Múmias congeladas de santuários no topo
de montanhas andinas: bioarqueologia e etno-história do sacrifício humano inca” - https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4543117/, Maria Constanza Ceruti: constanzaceruti@hotmail.com.; https://www.todamateria.com.br/incas/; “Quando aconteceram as primeiras
explorações das múmias de crianças congeladas nas montanhas andinas?” https://www.google.com/search?/.
(*
- **) Republicação das histórias nas revistas: Tex, Edição Histórica.
“Diablero”. Edição 70, São Paulo: Editora Mythos, 2006; Tex, Edição
Histórica. “As Flores da Loucura”. Edição 99, São Paulo: Mythos, 2017.
Outros
filmes que descrevem cenas das civilizações pré-colombianas:
Jansen
Furtado – pesquisas, 2026.
Ilustração
e busca na internet: Francisco Furtado, 2026.





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