ESPECIAL CARNAVAL

O NORDESTE É PALCO DA MELHOR FOLIA DO MUNDO

O FREVO PERNAMBUCANO E O FESTIVAL FREVANÇA

O CARNAVAL DE SALÃO EM JOÃO PESSOA*

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Sua Excelência: O Frevo

Cheio de cores, desenfreado e de muita energia, o frevo é uma das expressões culturais mais dinâmicas do Brasil. Ligado ao Carnaval de Pernambuco, principalmente nas localidades de Recife e Olinda, combina música, dança e a identidade coletiva em uma forma singular que se estende por diversas gerações.

Mais do que apenas uma música de Carnaval, o frevo é o resultado de encontros históricos, lutas sociais e criatividade compartilhada. Sua força simbólica é tão significativa que, em 2012, foi classificado como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Compreender o frevo significa se aprofundar na história urbana do Nordeste, na cultura de rua e na intensa expressão artística do povo pernambucano.

O frevo apareceu no final do século XIX, nas ruas do Recife, durante os desfiles das bandas militares e dos blocos carnavalescos. Naquele período, grupos competidores ocupavam as ruas durante o Carnaval, acompanhados por capoeiristas que garantiam a segurança dos músicos e foliões. A movimentação desses capoeiristas, combinada com o ritmo acelerado das marchas militares, resultou nos primeiros movimentos da dança do frevo.

Conforme afirma o musicólogo Tinhorão:

Foram criadas as famosas bandas de música militar: a Banda do 4º Batalhão de Artilharia, conhecido como o "Quarto", e a famosa "Espanha" da Guarda Nacional, que recebe esse nome por ter como regente o músico espanhol Pedro Garrido. Há indícios de que essas bandas traziam alegria aos desfiles nas ruas de Recife e Olinda. Durante esses eventos, era comum a presença de capoeiristas à frente, se movimentando e realizando rasteiras entre seus colegas, o que gerou a ideia do "passo", dando origem ao "frevo de rua" pernambucano. (TINHORÃO, 1974, p. 139; grifo nosso).

A palavra “frevo” vem de “ferver” ou, como popularmente é conhecido, “frever”, que remete ao calor, à efervescência e à energia intensa que dominava as ruas durante as festividades.

Do ponto de vista musical, o frevo apresenta um ritmo bastante veloz, com forte presença de instrumentos de metal como trombones, trompetes e saxofones, além de uma percussão marcante. Ele surgiu da aceleração das marchinhas e dobrados tocados pelas bandas militares, que começaram a tocar cada vez mais rápido para agitar os foliões. Essa rapidez exige habilidade por parte dos músicos e cria uma atmosfera contagiante, impossível de ser ignorada. Com o tempo, o frevo se desdobrou em três principais variações: frevo de rua (instrumental), frevo-canção (com letra) e frevo de bloco (mais suave e melodioso).

Frevo de Rua

Frevo de rua é uma canção que se destaca pela sua melodia (sem letras poéticas), sendo normalmente interpretada por uma orquestra de frevo. O criador da música elabora a melodia e arranjo para os instrumentos chamados de "metais" (como saxofones, trompete, trombone, trompa e tuba), e, em algumas ocasiões, também inclui instrumentos como piano, acordeom, guitarra e contrabaixo elétrico, além de viola, violão, banjo, cavaquinho e bandolim, que fazem parte das orquestras de "pau e cordas". O frevo de rua tem suas modalidades: frevo coqueiro, onde os metais como trompetes e trombones se sobressaem, frevo ventania, que enfatiza os saxofones, e o frevo abafo, que destaca a orquestra na totalidade sonora. (Grifo do autor).

Pulos e Piruetas

A dança do frevo é tão dinâmica quanto sua música. Cheia de saltos, agachamentos, giros e movimentos acrobáticos, requer boa forma física e imaginação. Seus passos são influenciados diretamente pela capoeira e se transformaram em uma coreografia rica em improvisação e teatralidade. A sombrinha colorida, que hoje é um ícone do frevo, surgiu como um acessório improvisado para ajudar os dançarinos a equilibrar-se durante as manobras mais difíceis. Com o passar do tempo, ela se tornou um símbolo visual do ritmo, frequentemente vista em apresentações e desfiles.

O frevo é pura energia! Essa dança brasileira transforma a música frenética em um verdadeiro espetáculo de pulos, acrobacias e piruetas.

A dança (passo): o frevo mistura passos de capoeira, polca e danças clássicas, resultando em movimentos rápidos e complexos conhecidos como "passo".

A sombrinha: mais que um acessório, ela serve como contrapeso para garantir o equilíbrio do passista durante os saltos e giros.

O ritmo é uma marcha acelerada tocada por orquestras de metais e percussão, feita para ninguém ficar parado, como diz o carnavalesco e compositor Alceu Valença: “Nos quatro cantos cheguei, e todo mundo chegou. /Descendo ladeira, fazendo poeira, atiçando o calor... Descambei passando pelos bares. /Cheirei a menina e voei pelos ares. /Do pique do frevo caí como um raio. /E na mistura colorida da massa. /Fui bater na praça a todo vapor... Me segura senão eu caio, me segura senão eu caio, me segura senão eu caio ...”.

Como principal idealizador e organizador do ritmo, temos o Mestre Nascimento do Passo (Francisco do Nascimento Filho): foi um lendário passista e educador, fundamental na catalogação e ensino do frevo. Criou uma metodologia oficial, organizando mais de 40 passos básicos com técnicas de respiração e corpo. Figura divisora de águas no frevo. Ele sistematizou a dança, criou o método de ensino do passo e fundou a primeira Escola Municipal de Frevo, no Recife, em 1973.

Muito além de um componente do Carnaval, o frevo é uma parte fundamental da identidade cultural de Pernambuco. Está presente em escolas, grupos culturais, aulas de dança e projetos que visam preservar a memória popular. Famílias inteiras se envolvem nessa tradição, passando os passos e as músicas através das gerações. O frevo também inspirou diversos outros gêneros musicais brasileiros e se tornou um símbolo de resistência cultural, destacando a arte feita nas ruas e a criatividade popular.

Em 2012, a UNESCO confirmou o frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Essa distinção ressalta a relevância histórica, cultural e social dessa expressão artística, além de ajudar na sua conservação e valorização em escala global. O reconhecimento abrange não somente a dança e a música, mas todo o universo cultural que está por trás do frevo: os blocos, os músicos, os bailarinos e a memória coletiva que mantém essa tradição viva. Atualmente, o frevo é festejado não apenas como uma celebração, mas como um patrimônio que simboliza a diversidade e a riquíssima cultura do Brasil.

Mestres do Frevo

Pernambuco é o berço do frevo e possui uma rica linhagem de mestres, compositores e maestros que moldaram o ritmo ao longo de mais de um século.

Mathias da Rocha, compositor e maestro reconhecido por ser um dos criadores do célebre frevo "Vassourinhas nº 1" (parceria com Joana Batista Ramos), teve sua origem em Recife, Pernambuco, Brasil, no ano de 1864. Ele desempenha um papel essencial na trajetória da música de carnaval no Brasil, particularmente no contexto do frevo de Pernambuco.

Levino Ferreira da Silva nasceu em Bom Jardim, 2 de dezembro de 1890, e faleceu no Recife, 9 de janeiro de 1970. Foi um saxofonista, trompetista e compositor brasileiro. É considerado como o mais conhecido autor de frevos de rua. Levino gravou seu primeiro sucesso (Satanás na onda – frevo de rua) em 1935. Recebeu o 1º prêmio do Concurso de Diário da Manhã em março do mesmo ano. Vale destacar que ele não se resumiu à criação de frevos, ele também compôs músicas eruditas. "A dança do cavalo-marinho" é um exemplo. Os seguintes frevos são de sua autoria: Diabo solto; Diabinho de saia; Fala Pierrô; Cadê você; Mexe com tudo; A cobra fumando; Entra na fila; Pernambuco falando para o mundo; Rádio patrulha; Vassourinhas está no Rio; É pra quem pode; Retalhos de saudade; O tubarão; Lá vai tempo; Pororoca; Não adianta chorar, Gracinha no frevo; Alegria de Pompéia; Vai e vem; Bueno no frevo, e os dois mais conhecidos de suas composições: Último dia e Lágrimas de folião.

Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa): considerado o maior compositor de frevo, autor de clássicos inesquecíveis como Madeira que cupim não rói; Aguenta rojão; Amanhã eu chego lá; Capiba (LP Tapecar – Duda Orquestra, 1982); É frevo meu bem; Frevo e ciranda; Júlia; Juventude Dourada; Oh! Bela; Trombone de prata; Vou cair no frevo, entre outras.

Nelson Ferreira: Um dos mais importantes e prolíficos compositores, criador de frevos que definiram o carnaval pernambucano. Principais obras: Gostosão; Gostosinho; Come e dorme; Na hora H; Gostosura; “Isquenta mulhé”; Frevo no bairro do Recife; Quarta-feira ingrata (frevo canção); Evocação nº 1 (frevo canção).

Maestro Duda (José Ursicino da Silva): Um baluarte do frevo, maestro e arranjador fundamental na orquestração do frevo pernambucano. Principais obras: Quinho; Nino, o Pernambuquinho; Lucinha no Frevo; Meyse no Frevo; Marilian no Frevo; Marcela; Pare um minutinho; Cidadão frevo; Estação do frevo. E um dos seus últimos e extraordinários trabalhos musicais, compondo o frevo de rua Acende a luz, foi gravado ao vivo durante um show de Alceu Valença no “Marco Zero”, Recife, em 2006.


 

 

Maestro Duda, um dos pilares da tradição do frevo pernambucano.                                                                                                 Fonte: httpswww.deolhoemgravata.com.brquem-e-maestro-duda

Ademir Araújo (Maestro Formiga): sobrinho de Severino Araújo, é uma figura central na manutenção da tradição dos frevos de rua. Obras: Formiga na cabeça; Lenhadores em Folia; Frevo na Tempestade; Frevo Loucura; Alô, Recife; Pra frente frevo; Aí vêm os palhaços; No ano 2000; E o frevo continua, entre outros.

Luiz Bandeira: compositor e cantor versátil, autor de clássicos do frevo-canção.

J. Michiles (José Michiles da Silva): Reconhecido pela originalidade poética e rítmica, autor de sucessos como "Recife, manhã de sol".

Lourival Oliveira nasceu em Patos, estado da Paraíba, em 1918. Iniciou como clarinetista na Banda da Polícia Militar de Pernambuco, por volta de 1938. Em 1945, após pedir licença àquela instituição, passou a integrar a Orquestra da Rádio Clube de Pernambuco, onde ficou por 11 anos atuando como clarinetista, saxofonista e arranjador. No ano de 1946, em breve estadia no Rio de Janeiro, integrou a Orquestra do Cassino Copacabana, dirigida por Simon Bountman. Compôs o primeiro frevo, "Frevo a jato", gravado por Peruzzi e sua Orquestra pela Elite Special em 1952. No mesmo ano, o frevo O galo ciscando foi gravado pela Orquestra Tabajara de Severino Araújo, pelo selo Continental. Nessa época, passou a integrar, a convite do maestro Vicente Fittipaldi, a Orquestra Sinfônica de Recife como primeiro clarinetista. Lourival tem em sua característica musical valorizar o folclore do sertão nordestino, principalmente atribuindo homenagem a Lampião e seus cangaceiros. Compôs os seguintes frevos de rua: É de lascar; Nordestino; Ponto fino; Lampião; Corisco; Maria Bonita; Volta Seca; Sabino; Pilão deitado; Cocada; Ventania; Jararaca; Moitinha; Zabelê; Recordações de Felinho e Forrobodó.

Maestro Nunes: ícone do frevo, foi um grande regente e divulgador do ritmo. Obras: Cabelo de fogo; Coquinho no frevo; Exaltação de Renato Uchoa; Santa; Bala doida; Mitológicas; Segurando a Peteca; Formigueiro; É de Perder os sapatos; Manda-Chuva; Mosquetão; Sesquicentenário do Diário de Pernambuco; Bomba relógio; A Junqueira no frevo, entre outras.

Há muitos compositores de frevo canção e frevo de rua, sabemos da existência de muitos deles, porém, não podemos citar todos, fica aqui nosso maior respeito aos demais mestres e compositores deste grande gigante gênero do Brasil – o frevo pernambucano. 

Intérpretes e Difusores do Frevo

Claudionor Germano: considerado o "Rei do Frevo", Patrimônio Vivo de Pernambuco, com mais de 70 anos de carreira na interpretação desse ritmo.

Getúlio Cavalcanti: compositor de frevos de bloco famosos, essencial para a resistência do frevo lírico. Principais frevos de bloco de sua autoria: Você gostou de mim; O bom Sebastião; Cantigas de roda; Último regresso; Boi castanho (arranjos maestro Duda); Tira gosto; Salu Rabequeiro e compôs um frevo canção com o título Solteirão. Passou a desfilar e a compor para diversos blocos carnavalescos de Recife, entre os quais, Banhistas do Pina, Bloco das Ilusões, Eu quero mais, Aurora do Amor, Bloco do Amor e Bloco da Saudade.

Alceu Valença: apesar de ser um artista da MPB, ele é um destacado cantor e compositor de frevos, tendo um papel significativo na popularização desse estilo musical no Brasil. Suas gravações no gênero carnavalesco incluem músicas muito conhecidas, como: Bicho maluco beleza; Frevo dengoso; Diabo louro; O homem da meia noite; Vassourinha aquática; A misteriosa (canção que realça a colaboração com Carlos Fernando e Geraldo Azevedo); De janeiro a janeiro; Embolada do tempo; Dona de 7 colinas; Nas asas de um passarinho (Alceu Valença - Don Tronxo); Tropicana (Morena tropicana); Beijando a flora (Alceu Valença - Carlos Fernando - João Fernando); Chego Já; Pirata José; Luar de prata; Frevo da lua. Além de suas próprias criações, Alceu também é reconhecido por dar novas interpretações a frevos tradicionais: Voltei Recife (Luiz Bandeira); Madeira que Cupim não Rói (Capiba); Olinda (Sonhos de Valsa – clássico do carnaval pernambucano); Vampira (J. Michiles); Caia por cima de mim (Alceu Valença - Don Tronxo); Me segura que senão eu caio (J. Michiles); Bom demais (J. Michiles); Ciranda da aliança (Alceu Valença - Lui Coimbra - Emmanoel Cavalcanti); Maracatu (Alceu Valença - Ascenso Ferreira). Muitas dessas faixas podem ser vistas e ouvidas no DVD ao vivo no "Marco Zero", que é uma autêntica homenagem ao frevo feita por Alceu Valença.

Maestro Spok (Inaldo Cavalcante de Albuquerque): conhecido por levar o frevo para palcos internacionais, genial saxofonista e arranjador, ele é destaque para os seguintes frevos: Passo de anjo (parceria com João Lira) e Moraes é frevo.

Maestros da Tradição: maestros como Oséas, Lessa, Carlos, Risonaldo e Babá continuam a arrastar multidões nos blocos tradicionais de Recife e Olinda.

Esses mestres, divididos entre a composição, a regência e a dança, são os pilares que sustentam a força do frevo em Pernambuco, com muitos sendo reconhecidos como Patrimônios Vivos do Estado.

Cantores brasileiros que colaboraram com a divulgação do frevo pernambucano: Morais Moreira, Zé Ramalho, Zeca Baleiro, Raimundo Fagner, Alcione, Gal Costa, Amelinha, Elba Ramalho, Chico Buarque, Caetano Veloso, Geraldo Azevedo, Lula Queiroga, Michael Sullivan, Marco Polo, Flaviola (Flávio Tadeu Rangel Lira), Luiz Caldas, entre outros.

Eternos Frevos de Rua: Vassourinhas (Mathias da Rocha – Joana Batista); Fogão (Sergio Lisboa); A Tabajara no frevo (Severino Araújo); Frevo na pracinha (Carnera); Três da tarde (Lídio Macacão); O salão está vazio (Jones Johson);  Isquenta mulhé (Nelson Ferreira); Retalhos de saudade (Levino Ferreira); Aguenta o ritmo (José Ferreira); Frevo Sanfonado (Sivuca); Frevo no Bairro do Recife (Nelson Ferreira); Corisco ( Lourival Oliveira); Vassourinha no Rio (Carnera); Último dia (Levino Ferreira); Duda no frevo (Senô); Relembrando o Norte (Severino Araújo); Carabina (Luiz Bandeira); Freio a óleo (José Menezes); Nino, o pernambuquinho (Duda); Lágrimas de folião (Levino Ferreira); Envenenado (Alcides Leão); Eu e você (Zumba); Folias da madrugada (Toscano Filho); Luzia no frevo (Antônio Sapateiro); Frevo da meia-noite (Carnera); Gostosão (Nelson Ferreira); Picadinho (Artur Gabriel); Canhão 75 (Nino Galvão); Luizinho no frevo (Cloves Pereira); Recordando a Tabajara (Edson Rodrigues); Mordido (Alcides Leão); Desculpe Nazareth  (Reinaldo Oliveira); Lucinha no frevo (Duda); Vassourinha está no Rio (Levino Ferreira); Come e dorme (Nelson Ferreira); Casá-casá (Nelson Ferreira); Frevo no português (Guedes Peixoto); É de perder os sapatos (Maestro Nunes); Capenga (Eugênio Fabrício); Duas épocas (Edson Rodrigues); Picadinho (Sivuca); Rumo Norte (Antônio Alves); Baba de moça (José Meneses); Cocada (Lourival Oliveira); 400 Anos de glória (Severino Araújo); Forrobodó (Lourival Oliveira); Brasil Espanha (Paulo Ramos); Paraíba no frevo (Maestro José Neves); Esquenta tudo (Vilôr Araújo); Frevo Tema (Francisco de Assis Alcântara); Frevo em mambo (Senô); Zé Carioca no frevo (Geraldo Medeiros); Mexe com tudo (Levino Ferreira); Passo de anjo (Maestro Spock – Maestro João Lira); Frevando no vale (Maestro Amâncio); A Tabajara em Recife (Severino Araújo); Patrícia no frevo (Adelson Machado); Frevo Otacília (Antônio Benedito); Frevioca (Guedes Peixoto); Ao saudoso Levino Ferreira (Zica); O cara lisa (Duda); Recordação de Antônio Benedito (Maestro Amâncio); Briga de foice (Hermam Barbosa); A Curica no frevo (Zica); Frevo na piscina (Maestro Amâncio); Mexendo-se (Geraldo Medeiros); Frevo dos motoristas (Maestro Nunes); Show de frevo (Maestro Miro de Oliveira).


                         Fonte (foto): https://veja.abril.com.br/revista-veja/o-novo-passo-do-frevo/

Inspiração de um Gênio: O Frevo como Patrimônio Nacional e Mundial

A aspiração de observar o frevo ganhar asas e alçar voo a grandes alturas, da Pracinha do Diário em direção às Américas, e ao redor do globo. O músico e produtor Carlos Fernando não conseguiu levar o ritmo que nasceu em Recife para todos os cantos do mundo, como almejava, conforme indicado na frase mencionada, onde menciona a Praça da Independência, que está situada em frente ao Diário de Pernambuco e é um dos locais mais tradicionais do frevo durante o Carnaval na cidade.

Em contrapartida – esse era seu real intuito –, o projeto Asas da América, que ele criou e realizou, fez com que o ritmo atingisse novas alturas na cena da música popular brasileira, juntando, ao longo dos sete álbuns que formaram a coleção, uma constelação de intérpretes de alto nível, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro, Lenine, Geraldo Azevedo, MPB4, Elba Ramalho, Fagner, Zé Ramalho, Alceu Valença e muitos outros artistas.

Lançada em 1979, a série, que inclui composições de diversos autores, rapidamente tornou-se um sucesso tanto entre o público quanto entre a crítica. Vários especialistas destacaram a proposta cultural do projeto, bem como sua abordagem inovadora e modernizadora do frevo, presente nas estruturas rítmicas, nas temáticas das letras, nos arranjos e no design gráfico das capas. Devido à sua riqueza artística, muitas músicas acabaram se tornando parte do repertório nacional, como Banho de Cheiro (“Eu quero um banho de cheiro, /eu quero um banho de lua, /eu quero navegar”), criada por Carlos Fernando e interpretada por Elba Ramalho, que é tocada há mais de 15 anos em todo o Brasil, tanto durante o Carnaval quanto fora dele.

Integrante de um coletivo de músicos e criadores que “atua enquanto descansa”, ou seja, trabalha em vários projetos simultaneamente, Carlos Fernando está, no momento, dedicado à produção do quarto volume da série Frevoé, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Recife. “O lançamento do álbum está agendado para dezembro e estabelece uma conexão entre a nova geração e os compositores clássicos do frevo, apresentando as obras contemporâneas e fazendo uma homenagem a clássicos dos últimos cinquenta anos, de artistas como Capiba, Nelson Ferreira, Edgard Moraes, Aldemar Paiva e Levino Ferreira”, detalha o produtor, que começou sua carreira como compositor em 1967, quando, ao unir sua primeira letra à melodia inicial de Geraldo Azevedo, criou a marcha-de-bloco Aquela Rosa, que ganhou um concurso promovido pela TV Jornal do Commercio e pela revista Manchete.

Colaborador de diversos artistas, como Lenine, Zé da Flauta, Geraldo Amaral, Zé Ramalho, Teca Calazans, Lula Queiroga, Paulo Raphael, Guto Graça Melo, Alceu Valença e Geraldo Azevedo (com quem tem o maior número de composições), Carlos Fernando já escreveu aproximadamente 200 músicas, explorando estilos como baião, xote, ciranda e outros ritmos. Dentre essa produção que vai além do frevo, estão muitos sucessos, tais como Canta Passarinho e Beleza Agreste, interpretadas por Geraldo Azevedo, e Forrozear, que foi lançada em um álbum por Gilberto Gil.

O projeto Asas da América, criado e realizado pelo compositor e músico de Pernambuco Carlos Fernando desde 1979, representou uma ação crucial para atualizar e ampliar o frevo, retirando-o da pouca aceitação que tinha na época.

Carlos Fernando queria que o frevo se espalhasse além dos limites de Recife/Olinda e do carnaval, proporcionando novas "asas" com um clima de "renovação sonora".

A coleção lançou discos de 1979 até 1995, com o último voltado para crianças ("Asinhas da América").

Carlos Fernando destaca-se nesse estilo musical com suas obras carnavalescas que são: Banho de cheiro (sucesso com Elba Ramalho); Noites olindenses; O homem da meia-noite; Lenha no fogo (parceria com Geraldo Azevedo); Tempo folião; A mulher do dia; Menina pernambucana; Realeza linda; Pátria amada; Frevo rasgado; É ele o frevo e Pitomba, Pitombeira.

O triunfo foi tão marcante que, em 1987, surgiu a Banda Asas da América na cidade de São Bento do Una (PE), motivada pelo ousado projeto musical do mesmo nome do compositor e produtor Carlos Fernando. Além disso, em 2015, o Galo da Madrugada fez uma homenagem a Carlos Fernando com a música "Asas da América, Asas para o Frevo".

Depois de tudo isto, o frevo pernambucano foi considerado como Patrimônio Nacional e, muito mais, em 2012, foi reconhecido e confirmado mundialmente, pela UNESCO, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Frevança

O festival Frevança em Pernambuco surgiu como uma iniciativa de valorização, difusão e renovação da música carnavalesca pernambucana, especialmente o frevo, consolidando-se como um dos importantes eventos competitivos e de intercâmbio de compositores e intérpretes do gênero. O objetivo central do festival sempre foi fomentar a produção de novos frevos, premiando compositores e intérpretes, além de celebrar a cultura popular.

O Festival Frevança teve seu início em 1980 por meio de uma parceria entre a TV Rede Globo Nordeste e a Prefeitura do Recife. Este festival desempenhou um papel significativo ao estimular e valorizar a música de Pernambuco, além de proporcionar chances de revelar novos compositores de frevo, por meio dos concursos promovidos durante o evento, como foi o caso de J. Michellis, Getúlio Cavalcanti, José Roberto Moraes e Luiz Queiroga, entre outros. O festival foi concebido com o propósito de divulgar nossa cultura e, ao mesmo tempo, "renovar" o interesse da nova geração pela tradição do frevo.

A Prefeitura do Recife também lançou o "Recifrevo" e a "Orquestra Frevioca", alcançando grande popularidade durante os anos 1980. Essas iniciativas criaram um ambiente onde o público podia se familiarizar com os novos frevos que eram apresentados a cada ano, o que, por sua vez, incentivava os maestros compositores. “Esses festivais eram exibidos pelas emissoras locais. A Rede Globo transmitia (Frevança) e a TV Jornal exibia (Recifrevo). As transmissões eram feitas ao vivo, logo após a novela das oito, em um horário de grande audiência... Havia uma plateia animada. Esse aspecto contribuiu para a popularização do frevo", recorda Fábio Cabral, da Passadisco.

Para o carnaval de 1980, a Prefeitura do Recife, por meio de sua Fundação de Cultura, sob a liderança do jornalista Leonardo Dantas, se uniu à TV Globo e, juntas, deram vida ao “Frevança”, um nome proposto pelo próprio Leonardo, marcando assim o início de uma nova fase nos concursos de carnaval, tanto em termos de competição quanto de visibilidade e promoção do certame. A Rede Globo, com a direção de programação de J. Raposo e Leonardo Dantas, lançou o primeiro Frevança com o imponente nome de I Encontro Nacional de Frevo e Maracatu. A intenção da emissora era tornar o concurso de âmbito nacional. Para isso, foram abertas inscrições em todos os estados que tinham uma afiliada da rede. Contudo, devido à falta de divulgação adequada, o evento ficou restrito ao Recife e regiões próximas, mesmo assim, com mais de 350 músicas cadastradas, estabelecendo um recorde absoluto entre todos os festivais realizados até então.

Relação dos vencedores do I Frevança: José Roberto Moraes e Luiz Queiroga “Desembestado” (frevo canção); Ricardo e Rogério Petranca “Com o riso largado no passo rasgado” (frevo-canção), Luiz Bandeira “Linha de Frente” (frevo-canção), Manoel Gilberto “No primeiro dia” (frevo-canção), Getúlio Cavalcanti “Sete anos de saudade” (frevo-de-bloco), J. Michilis “Relembrança” (frevo-de-bloco), José Menezes e Aldemar Paiva “Bloco da Ilusão” (frevo-de-bloco), Lúcia Helena Gondra e Laís Bezerra “E os blocos desfilam” (frevo-de-bloco), José Nunes de Souza “Formigueiro” (frevo-de-rua), José Bartolomeu “Bole com tudo” (frevo-de-rua), Rogério Andrade “Carnaval em Bom Jardim” (frevo-de-rua), Levino Ferreira “Rei do Passo” (frevo-de-rua).

Em 1982, concorreram ao Frevança 1200 músicas, tendo a finalíssima do quarto festival acontecido na noite de 25 de setembro, no Ginásio de Esportes da Imbiribeira, na presença de um público de 13 mil pessoas, transmissão ao vivo pela Rede Globo para todo o Nordeste e gravação de um disco pela RGE (LP 306.6030) com as doze músicas para o carnaval de 1983.

A partir de 1985, a Fundação de Cultura da Cidade do Recife desinteressou-se pelo Frevança, que passou a ser promovido, exclusivamente, pela Rede Globo Nordeste até 1988; as 12 músicas vencedoras do X Frevança integraram o LP 402. 0064 etiqueta Som Livre, para o carnaval de 1989. Tudo indica que o festival se encerrou em 1988 com o lançamento do último LP dos frevos.


“O frevo é uma das manifestações mais pungentes da cultura popular brasileira. Tão rica e profunda, é fruto de um bioma cultural riquíssimo e que explodiu na forma de duas expressões artísticas complementares: a música e a dança frevo”. (Oganpazan, na internet).         

Fonte (foto): httpsvermelho.org.br20170302tem-tuba-nesse-frevo


PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Carnaval de Salão em João Pessoa

Por Sérgio Botelho.

Entre as décadas de 1920 e 1970, João Pessoa viveu intensamente os bailes de Carnaval de salão. Os clubes promoviam as festas à base de orquestras e entrada restrita aos sócios.

O tema me atiçou a lembrança por conta de estarmos vivendo mais um período carnavalesco na cidade, de configuração bem diferente daquela que predominava na primeira e em parte da segunda metade do século XX.

Minhas recordações vão além da simples pesquisa histórica, uma vez que vivi intensamente esses carnavais, entre a infância e a adolescência.

Houve tempo em que coexistiram clubes para todos os gostos e em quase todos os bairros de João Pessoa, com salões geralmente lotados de foliões, mantendo programação e linguagem próprias.

Numa listagem, tenho necessariamente de iniciar pelo Astrea, o pioneiro, que começou na Duque de Caxias, ainda no século XIX, e se mudou para Tambiá na década de 1930. Depois, o Cabo Branco, começando em Jaguaribe, passando pelo Centro e, enfim, no Miramar.

Na década de 1920, surgiu o Clube dos Diários, na Duque de Caxias, com Peregrino de Carvalho, reunindo a nata da sociedade em noitadas de black-tie. Mas houve também os Boêmios Brasileiros, no Ponto de Cem Réis, e o Esquadrilha V, na São Miguel (Varadouro).

Havia igualmente o dos Subtenentes e Sargentos do Exército, em Jaguaribe; o Independente, na Praça da Independência; o Internacional, em Cruz das Armas; o América, no Varjão; o Veteranos, em Jaguaribe; e o Guarany, no Róger.

Colhi também notas, em A União, sobre o Paraíba Clube, na Floriano Peixoto, em Jaguaribe, com carnavais de salão nas décadas de 1930 e 1940. Já na segunda metade do século XX, aparecem, cercados de glamour, o Iate Clube, no Bessa, e o Jangada, no Cabo Branco. (*Sérgio Botelho é jornalista e escritor, profissional editor dos sites Para Onde Ir e Anexo 6).

Maestros Vilôr e Wilson Ferreira: Disputa pelo Clube Cabo Branco

O Astrea e o Cabo Branco eram bastante populares tanto na prática de esportes quanto em festas e shows memoráveis. Assim, durante o carnaval, a rivalidade aumentava, começando pelo que hoje conhecemos como pré-carnaval, que naquela época se manifestava através dos ‘gritos de carnaval’ e bailes únicos: no Astrea, o Azul e Branco; no Cabo Branco, o Vermelho e Branco.

Durante quarenta anos, o Maestro Vilôr manteve viva sua Orquestra de Frevo, enchendo de alegria o Carnaval da cidade de João Pessoa. Severino Vilôr Filho era filho do também maestro Severino Vilôr. Ele ficou famoso como "Maestro Vilô" e começou a montar bandas no Clube Independente nos anos 60. Posteriormente, atuou na “Orquestra Tupi de Frevo”, dirigida pelo renomado maestro pernambucano Sr. Wilson Ferreira.

Em seguida, começou a administrar a orquestra do Maestro Wilson Ferreira, mas, em razão de um desentendimento entre os dois, abandonou essa função, uma vez que ambos eram teimosos em relação ao trabalho de arranjos. A partir desse momento, foi orientado por um amigo da Rádio Tabajara, chamado Geraldo Cavalcante, a criar sua própria orquestra.

Vilôr atuou como Sargento músico na Banda da Polícia Militar da Paraíba, o que o ajudou a reunir artistas para sua orquestra, todos, na verdade, seus amigos, considerados como irmãos. A estreia de sua primeira orquestra ocorreu no Clube Astréa, e durante o mesmo Carnaval, a Orquestra do Maestro Wilson Ferreira também se apresentava, trazendo um brilho especial ao Clube Cabo Branco.

A época mais notável da orquestra do Maestro Vilô ocorreu entre 1981 e 1986, período em que foram gravados diversos LPs na cidade de Recife. Durante esses anos, aconteceram grandes eventos, incluindo o encontro com a Orquestra Tabajara do Maestro Severino Araújo. As duas orquestras tocaram os frevos mais ousados: "Canção" e "De Rua", nos bailes à noite e nas matinês realizadas nas instalações do célebre Esporte Clube Cabo Branco, em João Pessoa.

Os artistas "Vilô e sua Orquestra" estiveram presentes nos festejos de carnaval da cidade de João Pessoa. No grupo dos trombones, figuraram Expedito, Gabriel, Manoel Guedes, Aderaldo, Firmino, Bernardo e Nivaldo Leite Dias; entre os trompetistas, estavam Ernani, José Sobral Gouveia, Aluísio Sotero da Silva, Nailson, Miro e Dilson; já nos saxofones, participaram Severino Costa - Seu Bia - (sax barítono), João Lopes (sax alto), Serginho (sax alto), Josué (sax alto), Jurandi (sax tenor) e Adelson Machado (sax tenor). Para o acompanhamento harmônico, brilharam Poty (contrabaixo elétrico), Duda (contrabaixo elétrico) e Jacaré (cavaquinho). Na parte de percussão, estiveram Travanquinha, Dagoberto, Marcelo Vilôr, Morais e Walter. Entre os vocalistas de destaque, estavam Jadir Camargo, Mêves Gama, Marcos Milanês, Paulo Germano e Marcos Vilôr (Maninho).

A capital paraibana também foi palco de um dos melhores gêneros brasileiros - o frevo, foi alvo grandioso de orquestras que abrilhantaram o carnaval e deu alegria a um público inesquecível. Viva o Carnaval, viva o frevo, viva a cultura do Nordeste. (Grifos Nossos).


 

Imagem da capa do LP “Vilô e sua Orquestra” (volume 1), destacando a obra musical “Paraíba no Frevo”, composição do Maestro José de Sousa Neves (José Neves). A gravação e o lançamento do disco LPGP-0381, pela gravadora MANAÍRA, Recife-PE, 1981.

                                                                                        

Fonte: httpswww.discogs.comartist9317386-vilo-e-sua-orquest


                                                     Notas e Referencias:

CÂMARA, Renato Phaelante da. MPB: compositores pernambucanos: coletânea bio-músico-fonográfica. Recife: Cepe, 2010.

TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular. São Paulo: Círculo do Livro/Editora Vozes, 1974.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vassourinhas;

https://ouvindofrevo.wixsite.com/frevo/lourival-oliveira

https://casacor.abril.com.br/pt-BR/noticias/cultura/o-que-e-frevo-entenda-a-sua-origem-e-importancia-cultural;

https://interd.net.br/carlos-fernando-o-frevo-com-novas-asas-arquivo/17/02/2025/;

Cultura Pernambucana w.w.w.cultura. pe.gov.com, books;

google.com/booksfestivalfrevança, basillo.fundaj.gov.br;

Fundação Joaquim Nabuco “Frevioca”, Carnaval do Recife. SILVA. Leonardo Dantas - Cepe Editora, www.acervoorigens/festival de frevos;

Estudando o Frevo com o Maestro Spok, da SpokFrevo Orquestrahttps://oganpazan.com.br/spokfrevo-orquestra-rec-beat/;

(*) BOTELHO. Sérgio, - jornalista e escritor, editor dos sites Para Onde Ir e Anexo 6, https://paraondeir.blog/o-carnaval-de-salao-em-jampa/

 “Por quem os blocos cantam". CAVALCANTI. Getúlio, Irmãos Vitale Editora Brasil.

Vídeos assistidos: DVD Alceu Valença ao vivo “Marco Zero”, Recife, 2006; DVD SpokFrevo Orquestra “Passo de anjo ao vivo”, Teatro de Santa Isabel, Recife, lançamento 2008.

Outras obras consultas: LP S. Excia. O Frevo de Rua (1973); LP Duda Orquestra (? - talvez gravado em 1978);  CDs álbuns coleção "Frevos de Rua: Os melhores do século” (volumes 1, 2 e 3), lançado em 2000. Algumas partituras originais de frevo, composições do Maestro Antônio Amâncio de Oliveira (Acervo do Autor).

(**) Textos adaptados por Jansen Furtado, baseados em vários artigos sobre a cultura carnavalesca do Nordeste.

Ilustração: Francisco Furtado.

HISTÓRIA & FILME 

MISSÕES, MOSTEIROS, IGREJAS E CONVENTOS CATÓLICOS TORNARAM-SE CENÁRIOS DA LITERATURA E DO CINEMA. 

 Por José Jansen Furtado*. 

 Arquivo do Blog.

Fonte: Google. https://www.meisterdrucke.pt, 2025. 









Missão Espanhola Antiga, San Antonio, Texas, EUA,1900 d.C. 











Missões, mosteiros, igrejas e conventos católicos frequentemente atuam como locações para a sétima arte, tanto em obras que exploram temáticas religiosas quanto em produções de distintas categorias. A arquitetura histórica, juntamente com a atmosfera singular desses locais, proporciona um cenário visualmente impressionante e sugestivo para uma variedade de descrições em livros e no cinema. 

 Cenários para Faroestes 

As antigas missões espanholas na América do Norte tornaram-se temas e cenários cinematográficos dos filmes de faroeste, tanto como roteiros escritos em ficção quanto baseado em fatos históricos do Velho Oeste. Muitas cenas foram produzidas nesses lugares religiosos, principalmente no México, Estados Unidos e alguns países europeus como Itália e Espanha. 
As missões exerceram uma influência notável no progresso do gênero western, que se transformou numa das categorias mais populares e representativas do cinema americano e europeu - o 'spaghetti western' (italiano). Tal influência é perceptível em diversos aspectos dos filmes de faroeste, abrangendo os cenários, a estética, os personagens e até mesmo em elementos narrativos. Missões de pedra, ruas de terra e os cenários áridos serviram de cenário para filmes do Velho Oeste, particularmente aqueles situados no sudoeste americano. A estrutura das missões, com as suas igrejas, casas e paredes altas, influencia a criação de cenários de vilas ou cidades no Oeste, que serviram como ponto de encontro e palco para as ações dos personagens.
Assim como nos faroestes de Sergio Leone, as igrejas são parte da paisagem e sempre foram cenários nos roteiros dos filmes do gênero. Como pano de fundo de uma cena de duelo, como fonte do badalar de sinos por trás dos diálogos, como êxtase contagiante provocado pelo som de um órgão, ou mesmo como esconderijo de mocinhos e bandidos, as igrejas ou missões católicas perdidas no deserto norte-americano com suas paredes brancas são onipresentes nos filmes. Em certas cenas verificamos flagrantes em que grupos de bandidos mexicanos se reúnem em suas ruínas para se esconderem ou tramar assaltos a bancos. Um desses cenários se vê no filme “Por Uns Dólares a Mais” (1965), constatamos momento em que Índio (Gian Maria Volontè) se dirige a seu bando a partir do púlpito da igreja para explicar como roubar o cofre do banco de El Paso. Em “Três Homens em Conflito” (1966), temos o diálogo entre Tuco (Eli Wallach) e seu irmão, Padre Ramirez (Luigi Pistilli), que acontece num recinto da Missão Católica repleto de santos (cena realizada no Monastério de San Pedro de Arlanza, Norte da Espanha). 






O ator Gian Maria Volontè como “El Índio”, cena filmada por dentro de uma igreja. Clássico western de Sergio Leone “Por uns Dólares a Mais” (Per Qualche Dollaro in Più, 1965). Fonte: https://www.facebook.comValKilmerfansforever. 







Encontro de Tuco (Eli Wallach) e o Padre Ramirez (Luigi Pistilli), cena do filme “Três Homens em Conflito” (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo). “Spaghetti western” do diretor italiano Sergio Leone, 1966. Fonte: https://www.facebook.com 




Dentre estes modelos, um dos que mais chamou a atenção de Hollywood foi a Batalha do Álamo. Travada entre mexicanos e federalistas texanos, a Batalha do Álamo foi imortalizada no cinema por John Wayne, no papel do legendário político David Crockett, líder do lado americano, o ator ajudou a consagrar versões nem sempre fiéis aos fatos ocorridos em 6 de março de 1836. Naquela manhã, o General Antonio López de Santa Anna Pérez de Lebrón, Presidente do México, resolveu atacar o Forte do Álamo, antiga missão espanhola conhecida como Missão San Antônio de Valero, localizada no deserto do Texas, onde estavam refugiadas 200 pessoas, entre colonos americanos e mexicanos. Em disputa, a resistência deles à proibição mexicana da escravidão e a busca pela autonomia. 





Gravura: Missão San Antonio de Valero, relaciona ao filme “O Álamo”, com John Wayne. Foi realizado no ano de 1960, numa produção cinematográfica dos EUA. 

Fonte:https://www.legendsofamerica.com/tx-alamo. 


Os rebeldes texanos enfrentaram tropas enviadas pelo governo mexicano num cerco que durou duas semanas. Quase todos os rebeldes foram mortos. Entre esses voluntários estavam três figuras importantes: os aventureiros David Crockett, James Bowie e o Coronel William Travis. O elenco destaque do filme foram: John Wayne, Richard Widmark e Laurence Harvey; sendo outros principais atores e coadjuvantes: Richard Boone, Patrick Wayne, Linda Cristal, Frankie Avalon, Chill Wills, Ken Curtis, Hank Worden, John Dierkes, Veda Ann Borg, Denver Pyle, Jack Pennick, Chuck Roberson, Aissa Wayne, Guinn Williams, entre outros. 
Uma obra marcante do gênero que trata do mesmo tema é quando observamos o filme “Promessa de Sangue” (Per 100.000 dollari t'ammazzo, produzido nos países Itália/Espanha,1967). Na primeira cena encontramos o pistoleiro caçador de recompensas Johnny Forest (Gianny Garko) que enfrenta um grupo de quatro bandoleiros mexicanos numa velha igreja abandonada. Quando os facínoras chegam, Forest se esconde dentro de um dos ataúdes que foram preparados para os bandidos, - contendo na tampa dos caixões as fotografias e os avisos Wanted! (“Procura-se!”). Na ocasião, Johnny Forest liquida os bandidos. 















Filme: Promessa de Sangue, 1967. 


Outros faroestes que incluem cenas em antigas igrejas e mosteiros: “Adeus, Sabata” (Adiós, Sabata ou Indio Black), filme de produção italiana, 1970, direção de Gianfranco Parolini. Nos primeiros momentos que antecipa o filme, aparece um padre tocando o sino da igreja, depois entra em cena outro padre que é o líder da missão, nesse instante orienta o jovem Juanito a procurar o pistoleiro Sabata, que é amigo do mesmo. Ambientado no México sob o domínio do imperador Maximiliano I, Sabata (Yul Brynner) é contratado juntamente com seus parceiros Escudo e Ballantine, para roubar o ouro do Exército Austríaco. 
“Ouro Demais Para Um Gringo” (Demasiado Oro Para Gringo, 1972), direção de Juan Bosch e produzido pelos países Itália/Espanha. Um bando de foras da lei aguarda a liberação da prisão de um velho mineiro chamado Carver (Manuel Guitián), que roubou sacos de ouro de uma mineradora, mas que acabou na prisão por 20 penosos anos... Todos querem que o velho diga onde escondeu o ouro, mas apenas um deles irá realizar seu sonho. O mais astuto dos bandidos, Trash Benson (Anthony Steffen), ganha a confiança do velho e, com um parceiro mexicano chamado José (Daniel Martin), - que era companheiro do velho na cela da prisão – começam a busca pelo ouro. Porém outros delinquentes estão envolvidos nesta missão, incluindo o bando do sanguinário mexicano chamado Rojas (Fernando Sancho). Bandidos e pistoleiros disputam estátua de San Firmino, cujo interior está recheado com uma grande fortuna de ouro em pó. 
Ainda com cenas do tema, temos: “Aleluia Para Django” (1967), “Sabata – O Homem Que veio Para Matar” (“Sabata – O Justiceiro”, 1969), “Os Abutres Têm Fome” (1970), “O Retorno de Sabata” (1971), “Reverendo do Colt 45” (1971), “O Revólver e o Púlpito” (1974), “Arma Divina” (1976), entre outros. 
Há vários filmes westerns em que aparecem como ator principal, coadjuvantes ou até mesmo figurantes com o papel de padres, frades, monges, freiras, pastores de igrejas evangélicas, etc. Desde a bondade mais admirável à completa falta de escrúpulos, personagens ligados à religiosidade povoam as telas do cinema há muito tempo. 
Os mosteiros, igrejas e conventos são lugares intrigantes, cercados de mistérios, onde os religiosos reúnem-se para se isolar, estudar e proteger-se dos eventuais ataques de bandidos da pior espécie. Eram comuns invasões de bandoleiros mexicanos nos mosteiros e conventos para saquear e roubar dinheiro, bebida e comida, bem como utensílios de ouro e prata, – relíquias de igrejas – que geralmente eram tratadas como “tesouros”. 
 
 Missões na América do Norte 

Histórias semelhantes (baseadas em fatos reais ou ficção) não só no México estão cheias, assim como todo o sul do Arizona, onde numa época as Ordens Religiosas Católicas fundaram várias missões, algumas das quais, tempo depois, foram arruinadas. Os padres recebiam do prior da Ordem Católica o encargo de fundar as missões, que pretendiam dar vida a uma grande comunidade, tendo como centros religiosos alguns mosteiros que dedicaram a Santo Domingo Pueblo, São Xavier (San Xavier Del Bac), Santa Cruz (Mission Santa Cruz) e Missão de São Miguel (Santa Fé), cujos habitantes deveriam desenvolver a agricultura e a criação de ovelhas.






Santo Domingo Pueblo, Novo México. 
Os espanhóis chamaram a comunidade de Santo Domingo em 1600. 






San Xavier Del Bac, Tucson, Arizona, 1902.


 




Todos os homens brancos, índios e mestiços convertidos trabalhavam - inclusive os padres –, quer nos campos, quer fiando a lã obtida da tosa dos animais, quer tecendo tapetes que depois eram vendidos a mercadores que por ali passavam vindos das grandes cidades. 
Espalhada a notícia da existência da missão, começava a aparecer todo tipo de visitantes, a maioria pastores ou vaqueiros de trânsito com seus rebanhos de gado e ovelhas, ou ainda garimpeiros que procuravam ouro dito abundante nas montanhas vizinhas. Todos vinham para uma refeição quente e pelo conforto da hospedagem, como ainda pelo prazer de conversas com os religiosos e outros nativos que ali viviam, haja vista tantos dias passados solitariamente. Muitas vezes não vinham de mãos vazias. Alguém deixava algumas cabeças de gado, ovelhas; outros deixavam pepitas de ouro ou até mesmo alguns trocados de dinheiro. Porém, isto era a chama atraente para a presença de foras da lei e malfeitores indesejáveis. 

            Cultura em Bolsilivros e Quadrinhos (HQ)

Na Europa: “O Mosteiro” (The Monastery), ambientado nas Fronteiras Escocesas pouco antes da Reforma Protestante, é um romance histórico publicado em 1820. O livro (em formato de livro de bolso) se centra na Abadia de Melrose e combina elementos sobrenaturais, conflitos teológicos, romance e humor. A obra é conhecida por misturar o realismo célebre com elementos fantásticos, uma marca registrada de Walter Scott, considerado o pai do romance histórico. A ação se concentra no Mosteiro de Kennaquhair, no sudeste da Escócia, às margens do Rio Tweed. Nessa época, por volta de 1550, a Reforma Escocesa estava apenas começando, e o mosteiro corria perigo. Uma história de amor é entrelaçada quando os rapazes de Glendinning se apaixonam por Mary Avenel. 
Sir Walter Scott (1771-1832) foi um romancista histórico, poeta, dramaturgo e historiador escocês. Muitas de suas obras permanecem clássicos da literatura europeia e escocesa. 
Na América do Norte: Naqueles tempos, a zona da fronteira entre México e o Arizona (EUA) era batida por quadrilhas de bandoleiros que, além de saquearem as missões, às vezes deixavam-nas em ruínas. Relatos como esses estão escritos em pequenos livros de bolso (bolsilivros) e histórias em quadrinhos (HQ) “contos de faroestes”, a exemplo: Tex “O Tesouro de Santa Cruz” e “Fantasmas do Passado”, histórias originalmente publicadas na Itália (números 215 a 217, 1978), textos do escritor e fundador da revista Giovanni (Gian) Luigi Bonelli, desenhos de Giovanni Ticci e capa de Aurelio Galleppini. Publicação inédita no Brasil em 1982, pela Editora Vecchi, com os números da coleção Tex normal 143/144. Republicadas em Tex Edição Histórica nº 106, com um novo título “A Missão Assombrada”, novembro de 2018, pela Mythos Editora. 
A narrativa se inicia quando Tex Willer e Kit Carson aportam no vilarejo de San Domingo, onde são recebidos pelo padre Marcos, mesmo diante da extrema pobreza que impera naquele local. Durante o jantar, o padre pede aos dois rangers que tentem encontrar o padre Matias que, há um ano, acompanhado de dois pastores mexicanos chamados Pepe e José Cardenas, partira do povoado em busca do lendário tesouro do mosteiro de Santa Cruz, não tendo nunca mais regressado nem dado notícias. Como não tem mais notícias dos três, o velho frade encarrega Tex e Carson de iniciar uma investigação. Nas ruínas do mosteiro destruído, os dois rangers descobrem que padre Matias está morto, assassinado pelos irmãos Cardenas, um dos quais investiu o produto do tesouro num saloon em El Paso, enquanto o outro comprou um rancho no México. Em O Tesouro de Santa Cruz, Bonelli parece empregar com sucesso algumas das características mencionadas. Com um tesouro como cenário, o escritor italiano emprega uma série de elementos fantásticos para imprimir à aventura um clima de mistério que se mantém ao longo de todas as páginas. Esse aspecto sobrenatural atua nesta situação mais como uma ferramenta empregada por Bonelli do que uma experiência vivenciada pelos rangers. Para além disso, Bonelli situa todo o argumento num teatro propício, a fronteira entre os Estados Unidos e o México, com contrabandistas e bandidos mexicanos e, pelo meio, uma congregação religiosa. 

Editora Vecchi, 1982. 







                                                                           






                                                                      

            
Arquitetura Histórica 

O Mosteiro dos Jerônimos remete às Grandes Navegações por meio de sua arquitetura, símbolos e localização. Construído no século XVI sob a orientação de D. Manuel I, utilizando recursos obtidos por meio das explorações marítimas, é uma obra notável do estilo manuelino, incorporando elementos náuticos como cordas, esferas armilares e as cruzes da Ordem de Cristo. O edifício foi erguido no lugar onde navegadores, como Vasco da Gama, costumavam orar antes de suas partidas. Nesse contexto, foi Vasco da Gama quem partiu de Lisboa em direção à Índia em 1498, contornando a costa africana. Dois anos depois, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil. A partir de então, Portugal prosperou imensamente com o comércio de especiarias, tornando-se uma nação influente. Motivado por esse sucesso, o rei decidiu, no final do século XV, erigir um grandioso monumento em homenagem à Igreja Santa Maria de Belém, que já existia há décadas às margens do rio Tejo. Sua localização, um pouco afastada do centro de Lisboa, foi escolhida porque era de Belém que partiam as principais expedições rumo à África e ao Oriente. Inicialmente doado pelo rei aos monges da Ordem de São Jerônimo, da qual era devoto, o mosteiro passou a ser propriedade estatal no século XIX, após a extinção das ordens religiosas. Desde 1983, é reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. 
A Igreja abriga os túmulos de figuras importantes como Vasco da Gama, Luís de Camões e outros famosos portugueses, e a decoração de suas fachadas e claustros celebra o auge da Era dos Descobrimentos. 

https://www.nationalgeographic.pt/viagens/mosteiro-dos-jeronimos 


Obra-prima do estilo manuelino, o Mosteiro dos Jerónimos revela ao mundo, de forma magnífica, a narrativa da Expansão Marítima de Portugal. O claustro, excelência da escultura portuguesa e homenagem aos Descobrimentos.  





Filmes Épicos, Dramas e Religiosos Baseados em Livros e Roteiros 

Em geral, durante os séculos VIII e XIX, esses mosteiros e conventos eram construídos – sempre que a topografia permitisse – em lugares altos, como morros ou promontórios. Além de se protegerem, dessa forma, de eventuais ataques de invasores, essas construções, quando perto das cidades, também pontuavam, sendo visíveis de vários pontos diferentes do núcleo urbano. 
A partir do século XX (a necessidade de defesa do território já não era tão premente), essas construções ganharam outros atrativos, tornando-se locais privilegiados para se obter uma visão panorâmica das cidades. As vistas tomadas a partir dos adros de mosteiros, igrejas e conventos se tornaram um tema frequente na literatura, e que depois serviriam para o cinema, que, a partir de lá, podiam descortinar um belo panorama para os roteiros e cenas cinematográficas. 
Os lugares religiosos, os padres e outros personagens estão nos mais diferentes filmes que se pode imaginar. Desde épicos, dramas e biografias emocionantes, até longas de ficção mais ousadas. Vamos analisar algumas dessas produções cinematográficas notáveis de décadas passadas e outras mais recentes, também relacionadas ao mesmo tema: 
The Shoes of the Fisherman (Brasil: “As Sandálias do Pescador”) é um filme norte-americano de 1968, do gênero drama, dirigido por Michael Anderson, com roteiro de James Kennaway e John Patrick, baseado no livro homônimo de Morris West. 







                                                    









                                          Filme: As Sandálias do Pescador,1968. 

O bispo russo (no livro era ucraniano) Kiril Pavlovich Lakota é prisioneiro político na Sibéria quando, após 20 anos, recebe a liberdade graças a um acordo do premiê russo com o Vaticano. A Rússia vive um momento de crise internacional, com a iminência de uma invasão da China cuja enorme população encontra-se faminta e desesperada. Essa invasão pode arrastar os dois países e os EUA ao que seria uma nova Guerra Mundial. Como parte do acordo, Kiril deixa a Rússia e vai para Roma, onde é nomeado cardeal pelo papa Pio XIII (fictício). Pouco tempo depois, o pontífice morre e os cardeais se reúnem para escolher seu sucessor. Sem um nome de consenso, Kiril ganha a confiança de seus pares em uma conversa sobre a ação da igreja em uma crise política, num dos intervalos das votações. E acaba sendo aclamado como o novo papa, com o nome de Kiril I. Empossado no cargo, ele, sem demora, parte para tentar mediar a crise entre a Rússia e a China. Mas as coisas parecem muito graves, exigindo medidas extremas e inéditas por parte do determinado Kiril. Elenco: Anthony Quinn (Kiril Lakota), Laurence Olivier (Premiê Ilyich Kamenev), Oskar Werner (Padre David Telemond), David Janssen (George Faber), Leo McKern (Cardeal Leone), John Gielgud (Papa Pio XIII), Barbara Jefford (Dra. Ruth Faber) e Rosemarie Dexter (Chiara). 
A obra cinematográfica “O Nome da Rosa” (Il nome della rosa, Itália, 1986), inspirada na obra literária de Umberto Eco, ocorre no ano de 1327, em um mosteiro beneditino localizado na Itália, o qual dispunha de um vasto acervo bibliográfico, englobando tanto textos cristãos quanto obras clássicas gregas, as quais eram vistas por numerosos religiosos como pagãs; no entanto, o acesso à biblioteca era restrito a um número limitado de pessoas. Naquela época, o mundo via que a Igreja Católica era muito poderosa. A igreja tinha o conhecimento e ensinava as pessoas para que elas ficassem submissas. Ela também tinha uma grande influência sobre muitos governos. Às vezes, a igreja se juntava ao poder dos reis. William de Baskerville (Sean Connery), um frade franciscano, é encarregado de solucionar crimes que estavam ocorrendo em um mosteiro beneditino italiano. Religiosos foram encontrados sem vida após manusearem um livro específico e, sem revelarem o que haviam lido, foram vítimas de envenenamento. 


















Filme: O Nome da Rosa, 1986. 

Locações históricas de missões jesuíticas: Filmes que retratam a história das missões católicas na América do Sul, como o clássico "A Missão" (1986), frequentemente utilizam ou recriam as ruínas de antigas reduções jesuíticas (como as de São Miguel das Missões no Brasil, ou locações similares na Argentina e Paraguai) como cenários principais. 
O filme "Lutero" (2003) retrata a vida do monge agostiniano que, após um raio, se torna monge e, anos depois, desafia as práticas da Igreja Católica, como a venda de indulgências. A narrativa acompanha a sua luta, o que culmina na fixação das 95 Teses na porta da igreja em Wittenberg, sua excomunhão, a proteção de Frederico, o Sábio, e a subsequente tradução da Bíblia para o alemão, que deu início à Reforma Protestante. Elenco: Joseph Fiennes (Martinho Lutero), Alfred Molina (Johann Tetzel), Jonathan Firth (Girolamo Aleander), Claire Cox (Catarina de Bora), Peter Ustinov (Frederico, o Sábio), Uwe Ochsenknecht (Papa Leão X). 
Mosteiro Grande Chartreuse (França): O principal e mais antigo mosteiro da Ordem dos Cartuxos foi o local de filmagem do aclamado documentário "O Grande Silêncio" (2005), que oferece um raro vislumbre da vida ascética e silenciosa dos monges. 
Mosteiro de Montserrat (Espanha): Este mosteiro beneditino, famoso por sua localização espetacular nas montanhas perto de Barcelona, foi um dos cenários do filme de suspense e ficção científica "Anjos e Demônios" (2009), baseado na obra de Dan Brown. 
Igrejas e locais do Vaticano (ou recriações): O Vaticano e suas igrejas, como a Basílica de São Pedro e a Capela Sistina, são temas ou cenários recorrentes em filmes que tratam de conclaves papais, intrigas religiosas e mistérios, como "O Código Da Vinci" (2006) e "Dois Papas" (2019). Para muitas produções, devido a restrições de filmagem, os cenários são recriados em estúdio ou em outras igrejas que permitem o acesso.
Filme O Monge (Le Moine, 2011), do diretor francês Dominik Moll. Exibido recentemente no canal Telecine Cult, esta é a terceira transposição para a tela da novela gótica do escritor britânico Matthew Gregory Lewis (1775-1818), The Monk (O Monge), publicada em 1796. As versões anteriores foram a do cineasta grego Adonis Kyrov, El Monge, de 1972, com roteiro de Luis Buñuel, e a do espanhol Francisco Lara Polop, El Fraile (o Frade), de 1990. Segundo os críticos, esta versão de Dominik Moll é mais infiel ao livro de M. G. Lewis. Este autor tentou retratar em sua novela a decadência da disciplina monástica do século XVIII.





                            










                         Livro: “O Monge” de Matthew Gregory Lewis. 


Conclave (2024): Este filme apresenta os bastidores da eleição papal, usando uma recriação detalhada da Capela Sistina (já que a locação real não permite filmagens) como palco principal dos jogos de poder e segredos da Igreja. Conclave é um filme britânico-estadunidense de suspense e mistério de 2024, dirigido por Edward Berger e escrito por Peter Straughan, baseado no romance de 2016 de Robert Harris. O filme é estrelado por Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow, Sergio Castellitto e Isabella Rossellini. 
   
Outras obras cinematográficas 

The Miracle of Our Lady of Fatima (EUA), em Portugal “O Milagre de Fátima” (no Brasil: “A Virgem de Fátima”) é um filme norte-americano de 1952, do gênero drama, dirigido por John Brahm e com elenco estrelado por Gilbert Roland (Hugo da Silva), Angela Clarke (Maria Rosária de Jesus dos Santos), Frank Silvera (administrador), Jay Novello (António de Jesus dos Santos), Richard Hale (Padre Ferreira), Norman Rice (Manuel Marto), Frances Morris (Olímpia Marto), Susan Whitney (Lúcia de Jesus dos Santos), Sherry Jackson (Jacinta Marto) e Sammy Ogg (Francisco Marto). Em Fátima, na Cova da Iria, cidade de Portugal, acontece a história de um milagre. Em meio à Primeira Guerra Mundial, três crianças, Jacinta Marto, Francisco Marto e Lucia de Jesus dos Santos, testemunham seis visões da Virgem Maria entre os meses de maio e outubro de 1917. Várias profecias são transmitidas às crianças, uma delas sobre a ameaça do Comunismo, que seria parte de um "esquema diabólico" para destruir o planeta. Após contar para adultos céticos, a igreja católica romana aprova a visão das crianças, transformando a cidade de Fátima um dos principais lugares de peregrinação. 
Irmão Sol, Irmã Lua (1972). Um filme de Franco Zeffirelli e Suso Cecchi d'Amico. A trajetória da vida de São Francisco de Assis (Graham Faulkner), que quando jovem era filho de comerciantes ricos e desfrutava de vinho, mulheres e canções sem ter nenhuma preocupação. Quando a guerra e a doença assolam a região onde vive, ele sofre uma grande transformação. Ao aparecer diante do bispo local e tirar suas roupas, renuncia sua vida prévia para se dedicar a Deus. Mas sua pregação só iria chegar ao ápice ao ir para Roma, para ter uma audiência com o papa Inocêncio III (Alec Guinness).
 “O Corcunda” (The Hunchback), também conhecido como “O Corcunda de Notre Dame”. É um filme de drama romântico feito para a televisão em 1997, baseado no icônico romance de Victor Hugo de 1831, O Corcunda de Notre-Dame, dirigido por Peter Medak e produzido por Stephane Reichel. É estrelado por Richard Harris como Claude Frollo, Salma Hayek (Esmeralda) e Mandy Patinkin (Quasimodo), o corcunda titular de Notre Dame. O filme estreou em 16 de março de 1997, no canal TNT. Em 1480, em Paris, Dom Claude Frollo encontra um bebê abandonado e deformado nos degraus de Notre Dame e se compadece dele, acreditando que foi enviado por Deus. Ele dá ao bebê o nome de "Quasimodo" e o cria como seu filho. Vinte e cinco anos depois, em 1505, no dia da Festa dos Tolos, Quasimodo é nomeado Rei dos Tolos por Clopin, o Rei dos Roma. Uma jovem cigana chamada Esmeralda homenageia Quasimodo com uma dança. Tanto Frollo quanto Gringoire, um poeta errante, a veem dançando e ambos ficam encantados. Frollo interrompe a dança e repreende Quasimodo por ter saído de Notre Dame, dizendo-lhe que, se ele voltar a sair da catedral, Frollo não o ajudará. Outros atores: Edward Atterton (Gringoire), Benedick Blythe (Phoebus), Nigel Terry (Rei Luís XII), Jim Dale como (Clopin). 
Madre Teresa (Mother Teresa of Calcutta, 2003), direção de Fabrizio Costa. A história de Inês Gonxha Bojaxhiu (Olivia Hussey), que nasceu em Skopja, capital da atual república da Macedônia. Aos 21 anos, ela mudou seu nome para Teresa e ingressou em um convento em Calcutá. Onze anos depois, ela deixou o convento para trabalhar nos bairros mais pobres da cidade, onde fundou, em 1946, a Congregação das Missionárias da Caridade. 
João Paulo II (Pope John Paul II), direção de John Kent Harrison, foi lançado na Polônia em 2005. Karol Wojtyla (Cary Elwes / Jon Voight) nasceu na pequena cidade polonesa de Vadovice e teve uma infância marcada por várias tragédias familiares. Aos 21 anos, decidiu estudar em um seminário e dedicar-se à vida eclesiástica. A partir de então, segue carreira na Igreja Católica, alcançando o apogeu ao ser escolhido como papa e assumindo o nome de João Paulo II. 
Santo Antônio - Guerreiro de Deus (2006). Na Basílica de Pádua, um monge se ajoelha e chora diante de um túmulo simplório. Trata-se de Folco (Paolo De Vita), ex-criminoso que foi enviado por seus chefes para encontrar e ameaçar a vida de Santo Antonio (Jordi Mollà). Folco começa a contar uma história que tem início em 1221, através da busca de um misterioso tesouro perdido no mar, devido ao naufrágio de um navio vindo da África. 
Santo Augustine, filme italiano de 2010, do diretor canadense Christian Dugay, fala sobre os últimos meses da vida de Santo Agostinho de Hipona, província de Roma, quando a cidade está sob o cerco dos vândalos liderados pelo rei Geiserich. Elenco: Franco Nero, Alessandro Preziosi, Monica Guerritore, Alexander Held. 
Antigas missões, mosteiros, igrejas e conventos católicos exerceram um impacto significativo na criação de filmes de vários gêneros, tornando-se uma das categorias mais populares e representativas do cinema. Diversos livros, jornais, revistas, bolsilivros e histórias em quadrinhos (HQ) foram escritos sobre o tema, atingiram tanto o faroeste quanto outras classes, e estiveram (e estão) sempre em evidência, principalmente os religiosos. Muitas obras literárias foram publicadas e tiveram sucesso em todo o mundo, o cinema soube aproveitar bem essa mística e produziu bons filmes. 
 
Notas e Referências: 
https://www.google.com/; https://www.meisterdrucke.pt /Missão-Espanhola-Antiga,-San-Antonio,-Texas,-EUA, 2025; Almeriacine (https://almeriacine.blogspot.com), 2025; https://www.facebook.com/ValKilmerfansforever, 2025; https://www.facebook.com, 2025. Revista: Aventuras na História (“Lembre-se do Álamo”, páginas: 14 a 17), São Paulo: Editora Abril, Edição 91 - fev. 2011; outras consultas: https://www.legendsofamerica.com/tx-alamo, 2025. Blog: O Euro Western no Brasil (https://eurowesternnobrasil.blogspot.com/), 2025. Blog: Bang Bang à Italiana (https://bangbangitaliana.blogspot.com), 2025. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Monastery:_A_Romance; revista: Tex Edição Histórica nº 106, “A Missão Assombrada”, Mythos, novembro de 2018; Sinopse das revistas “O Tesouro de Santa Cruz” e “Fantasmas do Passado” no endereço da internet: https://texwillerblog.com/tex-serie-normal-o-tesouro-de-santa-cruz/, 2025; assunto sobre o mosteiro dos Jerônimos: revista Aventuras na História (“O Auge Português”, páginas: 16 e 17), São Paulo: Ed. Abril, Edição 93 – abril 2011; https://www.nationalgeographic.pt/viagens/mosteiro-dos-jeronimos, 2025. Religião & Cinema: https://octaviobotelho.blogspot.com/p/religiao-cinema_29.html, 2025; outras informações: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-304895/; https://pt.wikipedia.org/wiki/Conclave_(filme); https://www.google.com/, acesso em 2025. 
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(*) Alguns textos adaptados pelo autor.

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