ESPECIAL CARNAVAL
O
NORDESTE É PALCO DA MELHOR FOLIA DO MUNDO
O
FREVO PERNAMBUCANO E O FESTIVAL FREVANÇA
O CARNAVAL DE SALÃO EM JOÃO PESSOA*
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do Blog**
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Sua Excelência: O Frevo
Cheio de cores, desenfreado e de muita energia, o frevo é uma das expressões culturais mais dinâmicas do Brasil. Ligado ao Carnaval de Pernambuco, principalmente nas localidades de Recife e Olinda, combina música, dança e a identidade coletiva em uma forma singular que se estende por diversas gerações.
Mais do que apenas uma música de Carnaval, o frevo é o resultado de encontros históricos, lutas sociais e criatividade compartilhada. Sua força simbólica é tão significativa que, em 2012, foi classificado como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Compreender o frevo significa se aprofundar na história urbana do Nordeste, na cultura de rua e na intensa expressão artística do povo pernambucano.
O frevo apareceu no final do século XIX, nas
ruas do Recife, durante os desfiles das bandas militares e dos blocos
carnavalescos. Naquele período, grupos competidores ocupavam as ruas durante o
Carnaval, acompanhados por capoeiristas que garantiam a segurança dos músicos e
foliões. A movimentação desses capoeiristas, combinada com o ritmo acelerado
das marchas militares, resultou nos primeiros movimentos da dança do frevo.
Conforme afirma o musicólogo Tinhorão:
Foram criadas as famosas bandas de música militar: a Banda do 4º Batalhão de Artilharia, conhecido como o "Quarto", e a famosa "Espanha" da Guarda Nacional, que recebe esse nome por ter como regente o músico espanhol Pedro Garrido. Há indícios de que essas bandas traziam alegria aos desfiles nas ruas de Recife e Olinda. Durante esses eventos, era comum a presença de capoeiristas à frente, se movimentando e realizando rasteiras entre seus colegas, o que gerou a ideia do "passo", dando origem ao "frevo de rua" pernambucano. (TINHORÃO, 1974, p. 139; grifo nosso).
A palavra “frevo” vem de “ferver” ou, como popularmente é conhecido, “frever”, que remete ao calor, à efervescência e à energia intensa que dominava as ruas durante as festividades.
Do ponto de vista musical, o frevo apresenta um ritmo bastante veloz, com forte presença de instrumentos de metal como trombones, trompetes e saxofones, além de uma percussão marcante. Ele surgiu da aceleração das marchinhas e dobrados tocados pelas bandas militares, que começaram a tocar cada vez mais rápido para agitar os foliões. Essa rapidez exige habilidade por parte dos músicos e cria uma atmosfera contagiante, impossível de ser ignorada. Com o tempo, o frevo se desdobrou em três principais variações: frevo de rua (instrumental), frevo-canção (com letra) e frevo de bloco (mais suave e melodioso).
Frevo de Rua
Frevo de rua é uma canção que se destaca pela sua melodia (sem letras poéticas), sendo normalmente interpretada por uma orquestra de frevo. O criador da música elabora a melodia e arranjo para os instrumentos chamados de "metais" (como saxofones, trompete, trombone, trompa e tuba), e, em algumas ocasiões, também inclui instrumentos como piano, acordeom, guitarra e contrabaixo elétrico, além de viola, violão, banjo, cavaquinho e bandolim, que fazem parte das orquestras de "pau e cordas". O frevo de rua tem suas modalidades: frevo coqueiro, onde os metais como trompetes e trombones se sobressaem, frevo ventania, que enfatiza os saxofones, e o frevo abafo, que destaca a orquestra na totalidade sonora. (Grifo do autor).
Pulos e Piruetas
A dança do frevo é tão dinâmica quanto sua música. Cheia de saltos, agachamentos, giros e movimentos acrobáticos, requer boa forma física e imaginação. Seus passos são influenciados diretamente pela capoeira e se transformaram em uma coreografia rica em improvisação e teatralidade. A sombrinha colorida, que hoje é um ícone do frevo, surgiu como um acessório improvisado para ajudar os dançarinos a equilibrar-se durante as manobras mais difíceis. Com o passar do tempo, ela se tornou um símbolo visual do ritmo, frequentemente vista em apresentações e desfiles.
O frevo é pura energia! Essa dança brasileira transforma a música frenética em um verdadeiro espetáculo de pulos, acrobacias e piruetas.
A dança (passo): o frevo mistura passos de
capoeira, polca e danças clássicas, resultando em movimentos rápidos e
complexos conhecidos como "passo".
A sombrinha: mais que um acessório, ela serve
como contrapeso para garantir o equilíbrio do passista durante os saltos e
giros.
O ritmo é uma marcha acelerada tocada por
orquestras de metais e percussão, feita para ninguém ficar parado, como diz o
carnavalesco e compositor Alceu Valença: “Nos quatro cantos cheguei, e todo
mundo chegou. /Descendo ladeira, fazendo poeira, atiçando o calor... Descambei
passando pelos bares. /Cheirei a menina e voei pelos ares. /Do pique do frevo
caí como um raio. /E na mistura colorida da massa. /Fui bater na praça a todo
vapor... Me segura senão eu caio, me segura senão eu
caio, me segura senão eu caio ...”.
Como principal idealizador e organizador do ritmo, temos o Mestre Nascimento do Passo (Francisco do Nascimento Filho): foi um lendário passista e educador, fundamental na catalogação e ensino do frevo. Criou uma metodologia oficial, organizando mais de 40 passos básicos com técnicas de respiração e corpo. Figura divisora de águas no frevo. Ele sistematizou a dança, criou o método de ensino do passo e fundou a primeira Escola Municipal de Frevo, no Recife, em 1973.
Muito além de um componente do Carnaval, o frevo é uma parte fundamental da identidade cultural de Pernambuco. Está presente em escolas, grupos culturais, aulas de dança e projetos que visam preservar a memória popular. Famílias inteiras se envolvem nessa tradição, passando os passos e as músicas através das gerações. O frevo também inspirou diversos outros gêneros musicais brasileiros e se tornou um símbolo de resistência cultural, destacando a arte feita nas ruas e a criatividade popular.
Em 2012, a UNESCO confirmou o frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Essa distinção ressalta a relevância histórica, cultural e social dessa expressão artística, além de ajudar na sua conservação e valorização em escala global. O reconhecimento abrange não somente a dança e a música, mas todo o universo cultural que está por trás do frevo: os blocos, os músicos, os bailarinos e a memória coletiva que mantém essa tradição viva. Atualmente, o frevo é festejado não apenas como uma celebração, mas como um patrimônio que simboliza a diversidade e a riquíssima cultura do Brasil.
Mestres do Frevo
Pernambuco é o berço do frevo e possui uma rica linhagem de mestres, compositores e maestros que moldaram o ritmo ao longo de mais de um século.
Mathias da Rocha, compositor e maestro reconhecido por ser um dos criadores do célebre frevo "Vassourinhas nº 1" (parceria com Joana Batista Ramos), teve sua origem em Recife, Pernambuco, Brasil, no ano de 1864. Ele desempenha um papel essencial na trajetória da música de carnaval no Brasil, particularmente no contexto do frevo de Pernambuco.
Levino Ferreira da Silva nasceu em Bom Jardim,
2 de dezembro de 1890, e faleceu no Recife, 9 de janeiro de 1970. Foi um
saxofonista, trompetista e compositor brasileiro. É considerado como o mais
conhecido autor de frevos de rua. Levino gravou seu primeiro sucesso (Satanás
na onda – frevo de rua) em 1935. Recebeu o 1º prêmio do Concurso de Diário da
Manhã em março do mesmo ano. Vale destacar que ele não se resumiu à criação de
frevos, ele também compôs músicas eruditas. "A dança do
cavalo-marinho" é um exemplo. Os seguintes frevos são de sua autoria: Diabo
solto; Diabinho de saia; Fala Pierrô; Cadê você; Mexe com tudo; A cobra fumando;
Entra na fila; Pernambuco falando para o mundo; Rádio patrulha; Vassourinhas
está no Rio; É pra quem pode; Retalhos de saudade; O tubarão; Lá vai tempo;
Pororoca; Não adianta chorar, Gracinha no frevo; Alegria de Pompéia; Vai e vem;
Bueno no frevo, e os dois mais conhecidos de suas composições: Último dia e
Lágrimas de folião.
Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa): considerado o maior compositor de frevo, autor de clássicos inesquecíveis como Madeira que cupim não rói; Aguenta rojão; Amanhã eu chego lá; Capiba (LP Tapecar – Duda Orquestra, 1982); É frevo meu bem; Frevo e ciranda; Júlia; Juventude Dourada; Oh! Bela; Trombone de prata; Vou cair no frevo, entre outras.
Nelson Ferreira: Um dos mais importantes e prolíficos compositores, criador de frevos que definiram o carnaval pernambucano. Principais obras: Gostosão; Gostosinho; Come e dorme; Na hora H; Gostosura; “Isquenta mulhé”; Frevo no bairro do Recife; Quarta-feira ingrata (frevo canção); Evocação nº 1 (frevo canção).
Maestro Duda (José Ursicino da Silva): Um
baluarte do frevo, maestro e arranjador fundamental na orquestração do frevo
pernambucano. Principais obras: Quinho; Nino, o Pernambuquinho; Lucinha no
Frevo; Meyse no Frevo; Marilian no Frevo; Marcela; Pare um minutinho; Cidadão
frevo; Estação do frevo. E um dos seus últimos e extraordinários trabalhos
musicais, compondo o frevo de rua Acende a luz, foi gravado ao vivo durante um
show de Alceu Valença no “Marco Zero”, Recife, em 2006.
Maestro Duda, um dos pilares da tradição do frevo pernambucano. Fonte: httpswww.deolhoemgravata.com.brquem-e-maestro-duda
Ademir Araújo (Maestro Formiga): sobrinho de Severino Araújo, é uma figura central na manutenção da tradição dos frevos de rua. Obras: Formiga na cabeça; Lenhadores em Folia; Frevo na Tempestade; Frevo Loucura; Alô, Recife; Pra frente frevo; Aí vêm os palhaços; No ano 2000; E o frevo continua, entre outros.
Luiz Bandeira: compositor e cantor versátil,
autor de clássicos do frevo-canção.
J. Michiles (José Michiles da Silva): Reconhecido pela originalidade poética e rítmica, autor de sucessos como "Recife, manhã de sol".
Lourival Oliveira nasceu em Patos, estado da Paraíba, em 1918. Iniciou como clarinetista na Banda da Polícia Militar de Pernambuco, por volta de 1938. Em 1945, após pedir licença àquela instituição, passou a integrar a Orquestra da Rádio Clube de Pernambuco, onde ficou por 11 anos atuando como clarinetista, saxofonista e arranjador. No ano de 1946, em breve estadia no Rio de Janeiro, integrou a Orquestra do Cassino Copacabana, dirigida por Simon Bountman. Compôs o primeiro frevo, "Frevo a jato", gravado por Peruzzi e sua Orquestra pela Elite Special em 1952. No mesmo ano, o frevo O galo ciscando foi gravado pela Orquestra Tabajara de Severino Araújo, pelo selo Continental. Nessa época, passou a integrar, a convite do maestro Vicente Fittipaldi, a Orquestra Sinfônica de Recife como primeiro clarinetista. Lourival tem em sua característica musical valorizar o folclore do sertão nordestino, principalmente atribuindo homenagem a Lampião e seus cangaceiros. Compôs os seguintes frevos de rua: É de lascar; Nordestino; Ponto fino; Lampião; Corisco; Maria Bonita; Volta Seca; Sabino; Pilão deitado; Cocada; Ventania; Jararaca; Moitinha; Zabelê; Recordações de Felinho e Forrobodó.
Maestro Nunes: ícone do frevo, foi um grande
regente e divulgador do ritmo. Obras: Cabelo de fogo; Coquinho no frevo; Exaltação
de Renato Uchoa; Santa; Bala doida; Mitológicas; Segurando a Peteca; Formigueiro;
É de Perder os sapatos; Manda-Chuva; Mosquetão; Sesquicentenário do Diário de
Pernambuco; Bomba relógio; A Junqueira no frevo, entre outras.
Há muitos compositores de frevo canção e frevo
de rua, sabemos da existência de muitos deles, porém, não podemos citar todos,
fica aqui nosso maior respeito aos demais mestres e compositores deste grande
gigante gênero do Brasil – o frevo pernambucano.
Intérpretes e Difusores do Frevo
Claudionor Germano: considerado o "Rei do
Frevo", Patrimônio Vivo de Pernambuco, com mais de 70 anos de carreira na
interpretação desse ritmo.
Getúlio Cavalcanti: compositor de frevos de bloco famosos, essencial para a resistência do frevo lírico. Principais frevos de bloco de sua autoria: Você gostou de mim; O bom Sebastião; Cantigas de roda; Último regresso; Boi castanho (arranjos maestro Duda); Tira gosto; Salu Rabequeiro e compôs um frevo canção com o título Solteirão. Passou a desfilar e a compor para diversos blocos carnavalescos de Recife, entre os quais, Banhistas do Pina, Bloco das Ilusões, Eu quero mais, Aurora do Amor, Bloco do Amor e Bloco da Saudade.
Alceu Valença: apesar de ser um artista da MPB, ele é um destacado cantor e compositor de frevos, tendo um papel significativo na popularização desse estilo musical no Brasil. Suas gravações no gênero carnavalesco incluem músicas muito conhecidas, como: Bicho maluco beleza; Frevo dengoso; Diabo louro; O homem da meia noite; Vassourinha aquática; A misteriosa (canção que realça a colaboração com Carlos Fernando e Geraldo Azevedo); De janeiro a janeiro; Embolada do tempo; Dona de 7 colinas; Nas asas de um passarinho (Alceu Valença - Don Tronxo); Tropicana (Morena tropicana); Beijando a flora (Alceu Valença - Carlos Fernando - João Fernando); Chego Já; Pirata José; Luar de prata; Frevo da lua. Além de suas próprias criações, Alceu também é reconhecido por dar novas interpretações a frevos tradicionais: Voltei Recife (Luiz Bandeira); Madeira que Cupim não Rói (Capiba); Olinda (Sonhos de Valsa – clássico do carnaval pernambucano); Vampira (J. Michiles); Caia por cima de mim (Alceu Valença - Don Tronxo); Me segura que senão eu caio (J. Michiles); Bom demais (J. Michiles); Ciranda da aliança (Alceu Valença - Lui Coimbra - Emmanoel Cavalcanti); Maracatu (Alceu Valença - Ascenso Ferreira). Muitas dessas faixas podem ser vistas e ouvidas no DVD ao vivo no "Marco Zero", que é uma autêntica homenagem ao frevo feita por Alceu Valença.
Maestro Spok (Inaldo Cavalcante de Albuquerque):
conhecido por levar o frevo para palcos internacionais, genial saxofonista e
arranjador, ele é destaque para os seguintes frevos: Passo de anjo (parceria com
João Lira) e Moraes é frevo.
Maestros da Tradição: maestros como Oséas, Lessa, Carlos, Risonaldo e Babá continuam a arrastar multidões nos blocos tradicionais de Recife e Olinda.
Esses mestres, divididos entre a composição, a regência e a dança, são os pilares que sustentam a força do frevo em Pernambuco, com muitos sendo reconhecidos como Patrimônios Vivos do Estado.
Cantores brasileiros que colaboraram com a divulgação do frevo pernambucano: Morais Moreira, Zé Ramalho, Zeca Baleiro, Raimundo Fagner, Alcione, Gal Costa, Amelinha, Elba Ramalho, Chico Buarque, Caetano Veloso, Geraldo Azevedo, Lula Queiroga, Michael Sullivan, Marco Polo, Flaviola (Flávio Tadeu Rangel Lira), Luiz Caldas, entre outros.
Eternos Frevos de Rua: Vassourinhas (Mathias da Rocha – Joana Batista); Fogão (Sergio Lisboa); A Tabajara no frevo (Severino Araújo); Frevo na pracinha (Carnera); Três da tarde (Lídio Macacão); O salão está vazio (Jones Johson); Isquenta mulhé (Nelson Ferreira); Retalhos de saudade (Levino Ferreira); Aguenta o ritmo (José Ferreira); Frevo Sanfonado (Sivuca); Frevo no Bairro do Recife (Nelson Ferreira); Corisco ( Lourival Oliveira); Vassourinha no Rio (Carnera); Último dia (Levino Ferreira); Duda no frevo (Senô); Relembrando o Norte (Severino Araújo); Carabina (Luiz Bandeira); Freio a óleo (José Menezes); Nino, o pernambuquinho (Duda); Lágrimas de folião (Levino Ferreira); Envenenado (Alcides Leão); Eu e você (Zumba); Folias da madrugada (Toscano Filho); Luzia no frevo (Antônio Sapateiro); Frevo da meia-noite (Carnera); Gostosão (Nelson Ferreira); Picadinho (Artur Gabriel); Canhão 75 (Nino Galvão); Luizinho no frevo (Cloves Pereira); Recordando a Tabajara (Edson Rodrigues); Mordido (Alcides Leão); Desculpe Nazareth (Reinaldo Oliveira); Lucinha no frevo (Duda); Vassourinha está no Rio (Levino Ferreira); Come e dorme (Nelson Ferreira); Casá-casá (Nelson Ferreira); Frevo no português (Guedes Peixoto); É de perder os sapatos (Maestro Nunes); Capenga (Eugênio Fabrício); Duas épocas (Edson Rodrigues); Picadinho (Sivuca); Rumo Norte (Antônio Alves); Baba de moça (José Meneses); Cocada (Lourival Oliveira); 400 Anos de glória (Severino Araújo); Forrobodó (Lourival Oliveira); Brasil Espanha (Paulo Ramos); Paraíba no frevo (Maestro José Neves); Esquenta tudo (Vilôr Araújo); Frevo Tema (Francisco de Assis Alcântara); Frevo em mambo (Senô); Zé Carioca no frevo (Geraldo Medeiros); Mexe com tudo (Levino Ferreira); Passo de anjo (Maestro Spock – Maestro João Lira); Frevando no vale (Maestro Amâncio); A Tabajara em Recife (Severino Araújo); Patrícia no frevo (Adelson Machado); Frevo Otacília (Antônio Benedito); Frevioca (Guedes Peixoto); Ao saudoso Levino Ferreira (Zica); O cara lisa (Duda); Recordação de Antônio Benedito (Maestro Amâncio); Briga de foice (Hermam Barbosa); A Curica no frevo (Zica); Frevo na piscina (Maestro Amâncio); Mexendo-se (Geraldo Medeiros); Frevo dos motoristas (Maestro Nunes); Show de frevo (Maestro Miro de Oliveira).
Fonte (foto): https://veja.abril.com.br/revista-veja/o-novo-passo-do-frevo/
Inspiração de um Gênio:
O Frevo como Patrimônio Nacional e Mundial
A aspiração de observar o frevo ganhar asas e alçar voo a grandes alturas, da Pracinha do Diário em direção às Américas, e ao redor do globo. O músico e produtor Carlos Fernando não conseguiu levar o ritmo que nasceu em Recife para todos os cantos do mundo, como almejava, conforme indicado na frase mencionada, onde menciona a Praça da Independência, que está situada em frente ao Diário de Pernambuco e é um dos locais mais tradicionais do frevo durante o Carnaval na cidade.
Em contrapartida – esse era seu real intuito –, o projeto Asas da América, que ele criou e realizou, fez com que o ritmo atingisse novas alturas na cena da música popular brasileira, juntando, ao longo dos sete álbuns que formaram a coleção, uma constelação de intérpretes de alto nível, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro, Lenine, Geraldo Azevedo, MPB4, Elba Ramalho, Fagner, Zé Ramalho, Alceu Valença e muitos outros artistas.
Lançada em 1979, a série, que inclui composições de diversos autores, rapidamente tornou-se um sucesso tanto entre o público quanto entre a crítica. Vários especialistas destacaram a proposta cultural do projeto, bem como sua abordagem inovadora e modernizadora do frevo, presente nas estruturas rítmicas, nas temáticas das letras, nos arranjos e no design gráfico das capas. Devido à sua riqueza artística, muitas músicas acabaram se tornando parte do repertório nacional, como Banho de Cheiro (“Eu quero um banho de cheiro, /eu quero um banho de lua, /eu quero navegar”), criada por Carlos Fernando e interpretada por Elba Ramalho, que é tocada há mais de 15 anos em todo o Brasil, tanto durante o Carnaval quanto fora dele.
Integrante de um coletivo de músicos e criadores que “atua enquanto descansa”, ou seja, trabalha em vários projetos simultaneamente, Carlos Fernando está, no momento, dedicado à produção do quarto volume da série Frevoé, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Recife. “O lançamento do álbum está agendado para dezembro e estabelece uma conexão entre a nova geração e os compositores clássicos do frevo, apresentando as obras contemporâneas e fazendo uma homenagem a clássicos dos últimos cinquenta anos, de artistas como Capiba, Nelson Ferreira, Edgard Moraes, Aldemar Paiva e Levino Ferreira”, detalha o produtor, que começou sua carreira como compositor em 1967, quando, ao unir sua primeira letra à melodia inicial de Geraldo Azevedo, criou a marcha-de-bloco Aquela Rosa, que ganhou um concurso promovido pela TV Jornal do Commercio e pela revista Manchete.
Colaborador de diversos artistas, como Lenine, Zé da Flauta, Geraldo Amaral, Zé Ramalho, Teca Calazans, Lula Queiroga, Paulo Raphael, Guto Graça Melo, Alceu Valença e Geraldo Azevedo (com quem tem o maior número de composições), Carlos Fernando já escreveu aproximadamente 200 músicas, explorando estilos como baião, xote, ciranda e outros ritmos. Dentre essa produção que vai além do frevo, estão muitos sucessos, tais como Canta Passarinho e Beleza Agreste, interpretadas por Geraldo Azevedo, e Forrozear, que foi lançada em um álbum por Gilberto Gil.
O projeto Asas da América, criado e realizado
pelo compositor e músico de Pernambuco Carlos Fernando desde 1979, representou
uma ação crucial para atualizar e ampliar o frevo, retirando-o da pouca
aceitação que tinha na época.
Carlos Fernando queria que o frevo se espalhasse além dos limites de Recife/Olinda e do carnaval, proporcionando novas "asas" com um clima de "renovação sonora".
A coleção lançou discos de 1979 até 1995, com o último voltado para crianças ("Asinhas da América").
Carlos Fernando destaca-se nesse estilo musical com suas obras carnavalescas que são: Banho de cheiro (sucesso com Elba Ramalho); Noites olindenses; O homem da meia-noite; Lenha no fogo (parceria com Geraldo Azevedo); Tempo folião; A mulher do dia; Menina pernambucana; Realeza linda; Pátria amada; Frevo rasgado; É ele o frevo e Pitomba, Pitombeira.
O triunfo foi tão marcante que, em 1987, surgiu a Banda Asas da América na cidade de São Bento do Una (PE), motivada pelo ousado projeto musical do mesmo nome do compositor e produtor Carlos Fernando. Além disso, em 2015, o Galo da Madrugada fez uma homenagem a Carlos Fernando com a música "Asas da América, Asas para o Frevo".
Depois de tudo isto, o frevo pernambucano foi considerado como Patrimônio Nacional e, muito mais, em 2012, foi reconhecido e confirmado mundialmente, pela UNESCO, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Frevança
O festival Frevança em Pernambuco surgiu como
uma iniciativa de valorização, difusão e renovação da música carnavalesca
pernambucana, especialmente o frevo, consolidando-se como um dos importantes
eventos competitivos e de intercâmbio de compositores e intérpretes do gênero. O
objetivo central do festival sempre foi fomentar a produção de novos frevos,
premiando compositores e intérpretes, além de celebrar a cultura popular.
O Festival Frevança teve seu início em 1980 por meio de uma parceria entre a TV Rede Globo Nordeste e a Prefeitura do Recife. Este festival desempenhou um papel significativo ao estimular e valorizar a música de Pernambuco, além de proporcionar chances de revelar novos compositores de frevo, por meio dos concursos promovidos durante o evento, como foi o caso de J. Michellis, Getúlio Cavalcanti, José Roberto Moraes e Luiz Queiroga, entre outros. O festival foi concebido com o propósito de divulgar nossa cultura e, ao mesmo tempo, "renovar" o interesse da nova geração pela tradição do frevo.
A Prefeitura do Recife também lançou o "Recifrevo" e a "Orquestra Frevioca", alcançando grande popularidade durante os anos 1980. Essas iniciativas criaram um ambiente onde o público podia se familiarizar com os novos frevos que eram apresentados a cada ano, o que, por sua vez, incentivava os maestros compositores. “Esses festivais eram exibidos pelas emissoras locais. A Rede Globo transmitia (Frevança) e a TV Jornal exibia (Recifrevo). As transmissões eram feitas ao vivo, logo após a novela das oito, em um horário de grande audiência... Havia uma plateia animada. Esse aspecto contribuiu para a popularização do frevo", recorda Fábio Cabral, da Passadisco.
Para o carnaval de 1980, a Prefeitura do Recife, por meio de sua Fundação de Cultura, sob a liderança do jornalista Leonardo Dantas, se uniu à TV Globo e, juntas, deram vida ao “Frevança”, um nome proposto pelo próprio Leonardo, marcando assim o início de uma nova fase nos concursos de carnaval, tanto em termos de competição quanto de visibilidade e promoção do certame. A Rede Globo, com a direção de programação de J. Raposo e Leonardo Dantas, lançou o primeiro Frevança com o imponente nome de I Encontro Nacional de Frevo e Maracatu. A intenção da emissora era tornar o concurso de âmbito nacional. Para isso, foram abertas inscrições em todos os estados que tinham uma afiliada da rede. Contudo, devido à falta de divulgação adequada, o evento ficou restrito ao Recife e regiões próximas, mesmo assim, com mais de 350 músicas cadastradas, estabelecendo um recorde absoluto entre todos os festivais realizados até então.
Relação dos vencedores do I Frevança: José Roberto Moraes e Luiz Queiroga “Desembestado” (frevo canção); Ricardo e Rogério Petranca “Com o riso largado no passo rasgado” (frevo-canção), Luiz Bandeira “Linha de Frente” (frevo-canção), Manoel Gilberto “No primeiro dia” (frevo-canção), Getúlio Cavalcanti “Sete anos de saudade” (frevo-de-bloco), J. Michilis “Relembrança” (frevo-de-bloco), José Menezes e Aldemar Paiva “Bloco da Ilusão” (frevo-de-bloco), Lúcia Helena Gondra e Laís Bezerra “E os blocos desfilam” (frevo-de-bloco), José Nunes de Souza “Formigueiro” (frevo-de-rua), José Bartolomeu “Bole com tudo” (frevo-de-rua), Rogério Andrade “Carnaval em Bom Jardim” (frevo-de-rua), Levino Ferreira “Rei do Passo” (frevo-de-rua).
Em 1982, concorreram ao Frevança 1200 músicas,
tendo a finalíssima do quarto festival acontecido na noite de 25 de setembro,
no Ginásio de Esportes da Imbiribeira, na presença de um público de 13 mil
pessoas, transmissão ao vivo pela Rede Globo para todo o Nordeste e gravação de
um disco pela RGE (LP 306.6030) com as doze músicas para o carnaval de 1983.
A partir de 1985, a Fundação de Cultura da
Cidade do Recife desinteressou-se pelo Frevança, que passou a ser promovido,
exclusivamente, pela Rede Globo Nordeste até 1988; as 12 músicas vencedoras do
X Frevança integraram o LP 402. 0064 etiqueta Som Livre, para o carnaval de
1989. Tudo indica que o festival se encerrou em 1988 com o lançamento do último
LP dos frevos.
“O frevo é uma das manifestações mais pungentes da cultura popular brasileira. Tão rica e profunda, é fruto de um bioma cultural riquíssimo e que explodiu na forma de duas expressões artísticas complementares: a música e a dança frevo”. (Oganpazan, na internet).
Fonte (foto): httpsvermelho.org.br20170302tem-tuba-nesse-frevo
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Carnaval de Salão em João Pessoa
Por Sérgio Botelho.
Entre as décadas de 1920 e 1970, João Pessoa viveu intensamente os bailes de Carnaval de salão. Os clubes promoviam as festas à base de orquestras e entrada restrita aos sócios.
O tema me atiçou a lembrança por conta de
estarmos vivendo mais um período carnavalesco na cidade, de configuração bem
diferente daquela que predominava na primeira e em parte da segunda metade do
século XX.
Minhas recordações vão além da simples pesquisa
histórica, uma vez que vivi intensamente esses carnavais, entre a infância e a
adolescência.
Houve tempo em que coexistiram clubes para todos os gostos e em quase todos os bairros de João Pessoa, com salões geralmente lotados de foliões, mantendo programação e linguagem próprias.
Numa listagem, tenho necessariamente de iniciar pelo Astrea, o pioneiro, que começou na Duque de Caxias, ainda no século XIX, e se mudou para Tambiá na década de 1930. Depois, o Cabo Branco, começando em Jaguaribe, passando pelo Centro e, enfim, no Miramar.
Na década de 1920, surgiu o Clube dos Diários, na Duque de Caxias, com Peregrino de Carvalho, reunindo a nata da sociedade em noitadas de black-tie. Mas houve também os Boêmios Brasileiros, no Ponto de Cem Réis, e o Esquadrilha V, na São Miguel (Varadouro).
Havia igualmente o dos Subtenentes e Sargentos
do Exército, em Jaguaribe; o Independente, na Praça da Independência; o
Internacional, em Cruz das Armas; o América, no Varjão; o Veteranos, em
Jaguaribe; e o Guarany, no Róger.
Colhi também notas, em A União, sobre o Paraíba Clube, na Floriano Peixoto, em Jaguaribe, com carnavais de salão nas décadas de 1930 e 1940. Já na segunda metade do século XX, aparecem, cercados de glamour, o Iate Clube, no Bessa, e o Jangada, no Cabo Branco. (*Sérgio Botelho é jornalista e escritor, profissional editor dos sites Para Onde Ir e Anexo 6).
Maestros Vilôr e Wilson Ferreira: Disputa pelo Clube Cabo Branco
O Astrea e o Cabo Branco eram bastante populares tanto na prática de esportes quanto em festas e shows memoráveis. Assim, durante o carnaval, a rivalidade aumentava, começando pelo que hoje conhecemos como pré-carnaval, que naquela época se manifestava através dos ‘gritos de carnaval’ e bailes únicos: no Astrea, o Azul e Branco; no Cabo Branco, o Vermelho e Branco.
Durante quarenta anos, o Maestro Vilôr manteve
viva sua Orquestra de Frevo, enchendo de alegria o Carnaval da cidade de João
Pessoa. Severino Vilôr Filho era filho do também maestro Severino Vilôr. Ele
ficou famoso como "Maestro Vilô" e começou a montar bandas no Clube
Independente nos anos 60. Posteriormente, atuou na “Orquestra Tupi de Frevo”,
dirigida pelo renomado maestro pernambucano Sr. Wilson Ferreira.
Em seguida, começou a administrar a orquestra do Maestro Wilson Ferreira, mas, em razão de um desentendimento entre os dois, abandonou essa função, uma vez que ambos eram teimosos em relação ao trabalho de arranjos. A partir desse momento, foi orientado por um amigo da Rádio Tabajara, chamado Geraldo Cavalcante, a criar sua própria orquestra.
Vilôr atuou como Sargento músico na Banda da
Polícia Militar da Paraíba, o que o ajudou a reunir artistas para sua
orquestra, todos, na verdade, seus amigos, considerados como irmãos. A estreia
de sua primeira orquestra ocorreu no Clube Astréa, e durante o mesmo Carnaval,
a Orquestra do Maestro Wilson Ferreira também se apresentava, trazendo um
brilho especial ao Clube Cabo Branco.
A época mais notável da orquestra do Maestro Vilô ocorreu entre 1981 e 1986, período em que foram gravados diversos LPs na cidade de Recife. Durante esses anos, aconteceram grandes eventos, incluindo o encontro com a Orquestra Tabajara do Maestro Severino Araújo. As duas orquestras tocaram os frevos mais ousados: "Canção" e "De Rua", nos bailes à noite e nas matinês realizadas nas instalações do célebre Esporte Clube Cabo Branco, em João Pessoa.
Os artistas "Vilô e sua Orquestra"
estiveram presentes nos festejos de carnaval da cidade de João Pessoa. No grupo
dos trombones, figuraram Expedito, Gabriel, Manoel Guedes, Aderaldo, Firmino,
Bernardo e Nivaldo Leite Dias; entre os trompetistas, estavam Ernani, José
Sobral Gouveia, Aluísio Sotero da Silva, Nailson, Miro e Dilson; já nos
saxofones, participaram Severino Costa - Seu Bia - (sax barítono), João Lopes
(sax alto), Serginho (sax alto), Josué (sax alto), Jurandi (sax tenor) e
Adelson Machado (sax tenor). Para o acompanhamento harmônico, brilharam Poty
(contrabaixo elétrico), Duda (contrabaixo elétrico) e Jacaré (cavaquinho). Na
parte de percussão, estiveram Travanquinha, Dagoberto, Marcelo Vilôr, Morais e
Walter. Entre os vocalistas de destaque, estavam Jadir Camargo, Mêves Gama,
Marcos Milanês, Paulo Germano e Marcos Vilôr (Maninho).
A capital paraibana também foi palco de um dos melhores gêneros brasileiros - o frevo, foi alvo grandioso de orquestras que abrilhantaram o carnaval e deu alegria a um público inesquecível. Viva o Carnaval, viva o frevo, viva a cultura do Nordeste. (Grifos Nossos).
Imagem da capa do LP “Vilô e
sua Orquestra” (volume 1), destacando a obra musical “Paraíba no Frevo”, composição do Maestro José de Sousa Neves (José Neves). A gravação e o lançamento do disco
LPGP-0381, pela gravadora MANAÍRA, Recife-PE, 1981.
Fonte: httpswww.discogs.comartist9317386-vilo-e-sua-orquest
Notas
e Referencias:
CÂMARA, Renato Phaelante da. MPB: compositores pernambucanos: coletânea bio-músico-fonográfica. Recife: Cepe, 2010.
TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular. São Paulo: Círculo do Livro/Editora Vozes, 1974.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vassourinhas;
https://ouvindofrevo.wixsite.com/frevo/lourival-oliveira
https://casacor.abril.com.br/pt-BR/noticias/cultura/o-que-e-frevo-entenda-a-sua-origem-e-importancia-cultural;
https://interd.net.br/carlos-fernando-o-frevo-com-novas-asas-arquivo/17/02/2025/;
Cultura Pernambucana w.w.w.cultura. pe.gov.com,
books;
google.com/booksfestivalfrevança, basillo.fundaj.gov.br;
Fundação Joaquim Nabuco “Frevioca”, Carnaval do
Recife. SILVA. Leonardo Dantas - Cepe Editora, www.acervoorigens/festival de
frevos;
Estudando o Frevo com o Maestro Spok, da
SpokFrevo Orquestrahttps://oganpazan.com.br/spokfrevo-orquestra-rec-beat/;
(*) BOTELHO. Sérgio, - jornalista e escritor, editor
dos sites Para Onde Ir e Anexo 6, https://paraondeir.blog/o-carnaval-de-salao-em-jampa/
“Por
quem os blocos cantam". CAVALCANTI. Getúlio, Irmãos Vitale Editora Brasil.
Vídeos assistidos: DVD Alceu Valença ao vivo “Marco
Zero”, Recife, 2006; DVD SpokFrevo Orquestra “Passo
de anjo ao vivo”, Teatro de Santa Isabel, Recife, lançamento 2008.
Outras obras consultas: LP S. Excia. O Frevo de Rua (1973); LP Duda Orquestra (? - talvez gravado em 1978); CDs álbuns coleção "Frevos de Rua: Os melhores do século” (volumes 1, 2 e 3), lançado em 2000. Algumas partituras originais de frevo, composições do Maestro Antônio Amâncio de Oliveira (Acervo do Autor).
(**) Textos adaptados por Jansen Furtado, baseados em vários artigos sobre a cultura carnavalesca do Nordeste.
Ilustração: Francisco Furtado.







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