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JESUS CRISTO – O NAZARENO*

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Conforme a tradição cristã, Jesus nasceu em Belém, na Judéia (Palestina). Ele é o Messias, anunciado no decorrer de mil anos ao povo judeu, vindo ao mundo com a missão de salvar a humanidade e proclamar a chegada do reino de Deus. Aos 30 anos, inicia sua vida de pregação. Durante as peregrinações, realiza milagres, reúne discípulos e apóstolos. Considerado um blasfemo pelos líderes religiosos judeus, é preso, submetido a julgamento, condenado e entregue ao governador romano Pôncio Pilatos para ser crucificado. Três dias após sua morte, ressuscita e confia a seus discípulos a missão de disseminar seus ensinamentos por todo o mundo.

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Os acontecimentos da vida de Jesus Cristo receberam o nome de Evangelho, isto é, Boa Nova, mensagem de alegria dirigida ao homem oprimido, cativo, que espera angustiado a notícia de sua libertação.

Foram quatro os escritores do Evangelho de Yeshua (Jesus, em hebraico): Mateus, Marcos, Lucas e João. Em Lucas, o mais aprimorado, encontramos o episódio da Anunciação. Trata-se de uma apresentação literária1 do mistério da Encarnação.

Utilizando símbolos e expressões dos profetas ao anunciarem a salvação, Lucas conta os esponsais (união) entre Deus e a humanidade, figurada em um personagem real, a Virgem Maria, noiva de José, o carpinteiro.


Consoante a narração bíblica, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma virgem desposada com um homem que se chamava José. O nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo lhe disse: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo; bendita és entre as mulheres... Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome Jesus... O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo cobrir-te-á com sua sombra. Por isso, o filho que nascer de ti será chamado Filho de Deus.” Então, disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra.” (Lucas 1, 26-83).

E dessa forma, divinamente simples, estava concebido e fez-se homem o Filho de Deus, Jesus Cristo, Senhor, Redentor e Salvador do Gênero humano.  

O Mundo Romano à época de Jesus Cristo

O evento mais importante da História do mundo é o nascimento de Jesus Cristo. Sua vinda à Terra dividiu a História em duas partes. Tudo que ocorreu no passado, usamos a expressão "antes de Cristo (a.C.)"; para tudo que acontece atualmente e acontecerá no futuro, usamos "depois de Cristo (d.C.)".

Quando Jesus nasceu, todas as nações ao redor do mar Mediterrâneo haviam sido dominadas pelo Império Romano. O império estendia-se desde a Espanha e a Gália até o Egito, Palestina e o sul da Rússia. O imperador que dominava todo esse mundo intitulava-se César Augusto.

Os romanos conseguiam dominar os povos conquistados pela força de suas “legiões” (assim se chamava seus exércitos). Por toda parte se encontravam essas tropas com suas espadas, lanças, seus escudos, capacetes com penachos, brasões: águias desdobradas, lobas romanas (Loba Capitolina - pilares icônicos da Roma Antiga). Era preciso proteger as imensas fronteiras do império, manter afastadas as hordas de cavaleiros bárbaros que faziam incursões em território conquistado. Os povos se haviam submetido à força. Qualquer insurreição era reprimida de modo terrível. Deportava-se uma parte dos habitantes.

Os prisioneiros de guerra, os revoltados apanhados com armas na mão, eram ou reduzidos à escravidão e vendidos nos mercados, e senhores que tinham sobre eles direito de vida e de morte..., ou condenados aos trabalhos forçados nas minas para extrair e talhar o mármore destinado às grandes construções..., ou então enviados às galeras (navios de guerra romano) em que eram presos, por toda a vida, a seus bancos de remadores.

De modo geral, as nações conquistadas por Roma aceitavam-lhe a dominação. Isto porque os romanos, muito organizadores, faziam reinar por toda parte ordem e paz, onde muitas vezes as rivalidades dos príncipes ou das raças haviam mantido perpétuos conflitos e reduzido os povos à miséria.

Enriquecidos pela conquista e pelo comércio, os cidadãos romanos das grandes famílias davam festas e banquetes em suntuosas mansões. Aí comiam, estendidos em divãs, as mais raras carnes; aí bebiam em taças de ouro ou de prata os mais renovados vinhos.

Os romanos eram apaixonados pelos jogos do circo e ofereciam às populações de todos os países conquistados os combates de gladiadores, as corridas de bigas e quadrigas (pequenos carros de guerra puxados por dois ou quatro cavalos), nos imensos estádios que construíam em todas as grandes cidades.

Os romanos se vangloriavam de ser muito religiosos. Religião politeísta, baseada na crença e no culto a vários deuses. Em honra dos seus deuses, compuseram-se cânticos, erigiram-se estátuas e magníficos templos, como o Pantheon (Panteão) em Roma e o Partenon em Atenas. Apesar de mesclada de erros e pecados, a religião politeísta foi, durante longos séculos, para milhares de homens, o caminho obscuro que percorreram à procura de sua salvação. E nós cremos que, de forma profunda, mas verdadeira, o Espírito Santo os conduzia para Cristo e, de certo modo, fazia com que já vivessem o mistério de Deus.

Palestina: A Etnia Mais Original e Independente de Todo o Império

Dentre todos os países conquistados pelos romanos, houve um que se chamava Palestina. Ali vivia a raça mais original e mais independente do mundo antigo. Chamava-se povo judeu ou israelita. Era formado por um conjunto de tribos irmãs e, ao contrário dos romanos, cultivava o Deus Único, a quem denominava Javé. Surgiu na história como um povo nômade e pastor, oriundo da Mesopotâmia.

Foi na vida deste povo, de raízes mui remotas e composta de acontecimentos semelhantes aos episódios comuns e terrestres de todos nós, que irrompeu a presença ativa e autêntica de Deus. É um fato conhecido na história das religiões que grandes mudanças se operam num povo quando ele passa da vida nômade à vida sedentária, pastoril e agrícola. Abandona o culto do Deus único pelo de divindades da agricultura e da fecundidade. Ora, os judeus constituem uma exceção a esta lei geral. Permaneceram sempre fiéis a Javé, o Deus Único que lhes foi revelado no deserto. Mesmo mais tarde, quando, sob a influência de culturas mais avançadas, foram levados em cativeiro pelo rei da Babilônia ou conquistados pelos romanos.

O poder do povo judeu não residia na autonomia política, mas em Javé, seu Deus, sua força, unidade e paz. No templo de Jerusalém, centro de sua vida espiritual, nunca se tolerou imagem de ídolo ou estátua de homem, fosse ela a do próprio César de Roma. Os romanos colocaram no trono de Jerusalém um oriental astuto, Herodes, de origem idumeia, de religião helenista e politicamente romano. Foi nos últimos anos de Herodes, denominado o Grande, que nasceu o Messias, Jesus Cristo, Filho de Deus. Nasceu no meio do povo, entre aqueles que eram então chamados “pobres de Javé”. Homens simples, só em Deus colocavam sua confiança e dele esperavam seu Libertador, o Messias. Este nascimento, que passou despercebido aos grandes do Império Romano, iria revolucionar a História da Humanidade.

A Política, a Crise Social e a Religiosidade no Tempo de Jesus

A Galileia, durante a era de Jesus, passava por uma fase de grande pobreza. “A religião, ao norte da Judéia, sempre havia sido pobre, mas não miserável, como durante a dominação romana”, escreveu John Dominic Crossan, professor da DePaul University, de Chicago, Estados Unidos, e autor do livro “O Jesus Histórico, a vida de um camponês no Mediterrâneo”. De acordo com ele, os camponeses precisavam pagar impostos ao Império Romano, que havia conquistado Jerusalém em 63 a.C., aos sacerdotes do Templo localizado em Jerusalém e ao rei Herodes Antipas. Segundo as estimativas de John Crossan, isso deveria consumir ao menos dois terços da totalidade da produção. Em decorrência dessa tributação tripla, a população passava por um empobrecimento e perdia a esperança em tempos melhores.

Desde aquele tempo, a região onde Jesus habitava já era bastante tensa. O embate não ocorria, evidentemente, entre judeus e muçulmanos (o profeta Maomé receberia suas revelações mais de quinhentos anos depois). O conflito envolvia grupos judaicos e os interesses de Roma, e, assim como agrupamentos religiosos no Oriente Médio ainda lutam contra a ocidentalização de suas práticas, diversos grupos judaicos da época se opunham à influência romana sobre suas tradições. Na realidade, os judeus tinham enfrentado o controle de nações externas por séculos. Eles sonhavam com a chegada de um líder poderoso, tal como foi o rei Davi, que, por volta do século X a.C., deu início a um período de certa tranquilidade. Por essa razão, Davi se tornaria uma figura lembrada como o messias (escolhido por Javé) e, igualmente a ele, outros messias eram esperados para libertar a nação judaica.

A resistência aos romanos se manifestava de várias formas. A mais intensa e brutal era reconhecida como puro banditismo. Dentro desse grupo, encontravam-se bandos de criminosos compostos por camponeses empobrecidos que assaltavam mercadores, integrantes da elite romana ou qualquer pessoa desatenta que estivesse viajando com bens preciosos.

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A famosa ilustração de Peter Dennis captura um momento decisivo do Cerco de Jerusalém (70 d.C.), quando rebeldes judeus emboscaram o futuro imperador Tito nas proximidades das muralhas da cidade.

 

Além da criminalidade, existia uma resistência motivada pela fé religiosa, especialmente a dos denominados “movimentos apocalípticos”. Segundo os adeptos desses grupos, Israel estava iminente a receber a libertação mediante uma ação direta de Deus, que traria prosperidade, justiça e tranquilidade à região. A dúvida girava em torno de como se preparar para esse momento.

Alguns grupos, como os zelotes, pensavam que a melhor ação era se armar e iniciar um conflito contra os romanos, acreditando que Deus se juntaria aos hebreus na luta. Para outros grupos, como os essênios, a violência não era uma opção e a escolha mais sábia era se afastar para viver em comunidades monásticas, longe da corrupção e outras impurezas dos grandes centros urbanos.

É bastante provável que Jesus tenha interagido com esses líderes proféticos de sua época, uma vez que eram mais populares que os fariseus. Em meio a esses movimentos, ao contrário deles, Jesus estava preparando seus seguidores para o arrependimento do pecado, ensinando-lhes a Boa Nova, mostrando-lhes o caminho para o Reino de Deus. Eles eram batizados por imersão no Rio Jordão, assim como Jesus, que foi batizado por João Batista, o anunciador.

Havia ainda nesse tempo uma crescente desconfiança em relação aos sacerdotes do Templo. Em várias passagens dos Evangelhos, Jesus critica duramente os sacerdotes por desprezarem os pobres e darem importância excessiva ao ouro. Esse descontentamento geral explodiria na guerra dos judeus contra Roma, que durou do ano 66 a 70. Uma das primeiras ações dos rebeldes foi invadir o templo e resgatar todas as listas de devedores, os maus pagadores de impostos, que ficavam guardadas no local. Roma acabaria vencendo, e o templo seria destruído. “Mas o fato mostra que a revolta contra a cobrança de impostos e a política da elite sacerdotal era imensa”, diz André Chevitarese, professor de História Antiga da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Massada (73 d.C.): A fortaleza de Massada é frequentemente retratada como o último reduto de resistência, onde zelotes preferiram o suicídio coletivo à escravidão romana, um evento frequentemente ilustrado em arqueologia e arte.

                            

             

Era um ambiente favorável para que líderes como Jesus fossem ouvidos. A compreensão mais aceita hoje é que Jesus, originário da região mais remota do Império Romano, era apenas um entre muitos outros pregadores. Essa análise é sustentada por estudiosos como o sacerdote católico John P. Meier, que escreveu "Um judeu marginal, repensando o Jesus histórico", e leciona na Universidade Católica da América, em Washington, EUA. “É um fato que na época de Jesus devia haver pelo menos outras cinco ou seis pessoas que se diziam o Messias”, afirma o padre Antônio Manzatto, da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo.

O poder local, formado por uma aliança entre a elite judaica e os romanos, via esse movimento de líderes messiânicos com desconfiança. “O discurso era revolucionário, o que poderia abalar as estruturas do poder”, diz André Chevitarese. O lema de Jesus era seguramente diferente. Ele pregava a igualdade, o amor e o respeito aos pobres.                                                

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Imagem: pregação de Jesus anunciando o Reino de Deus ao povo.                                              

                                                              

Mas se Jesus era só mais um dentre tantos pregadores messiânicos, tudo se transformou quando ele chegou a Jerusalém, pouco antes da Páscoa judaica, por volta do ano 30. Naquela época, Jerusalém se expandia significativamente. Embora não fosse a capital romana da região (os romanos preferiam administrar a partir de Haifa, de frente para o mar Mediterrâneo), a cidade abrigava o Sinédrio, uma instituição judaica que atuava como tribunal e poder legislativo, além do palácio de Pôncio Pilatos, a residência de Herodes Antipas, o rei, e, evidentemente, o Templo Sagrado.

De acordo com os Evangelhos, Jesus já era famoso na Galileia por suas pregações, seus milagres e por curar pessoas doentes antes de chegar a Jerusalém. Nas tradições e leis judaicas, isso era suficiente para ser considerado um blasfemo. Naquela época, a cura era vista como algo exclusivo de Deus. Contudo, a chegada dele a Jerusalém foi ainda mais carregada de desafios à ordem estabelecida. Ao entrar na cidade uma semana antes da Páscoa, montado em um jumentinho, ele se comparou ao Messias, chamando a atenção para a profecia do livro de Zacarias sobre sua vinda: "Eis que teu Rei vem a ti; ele é justo e vitorioso, montado num burrinho" (ZC 9,9). A última afronta, no entanto, ocorreu quando ele entrou no Templo e expulsou fariseus e saduceus.

Não é difícil imaginar a ofensa que isso causaria a esses líderes religiosos ao saber que um jovem de origens humildes da Galileia estava curando e perdoando as pessoas de seus pecados com um simples toque, sem precisar da presença dos sacerdotes. A maioria dos estudiosos acredita que ações tão desafiadoras seriam motivo suficiente para condenar alguém à morte.                                                                                                                 

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A Prisão e o Julgamento de Jesus

Segundo as escrituras sagradas, Jesus se encontrava com seus apóstolos no Monte das Oliveiras (Getsêmani), em Jerusalém, quando foi preso à noite, após ser traído por Judas Iscariotes, que entregou o Mestre por trinta moedas de prata. Ele foi detido pelos guardas do Templo, a mando do Sinédrio, que consistia no grupo de elite judaica responsável pela administração do Santuário. Antes de julga-lo, alguns sacerdotes estavam dispostos a dialogar mais sobre os conhecimentos e ensinamentos do nazareno, porém, a maioria nunca aceitou Jesus como o Messias, o enviado de Deus para salvar a humanidade.

Durante a madrugada, Jesus passa por uma sequência de interrogatórios e julgamentos irregulares. Primeiro é levado a Anás, ex-sumo sacerdote, depois a Caifás, em um julgamento noturno que contraria normas judaicas e o acusa de blasfêmia por declarar-se Cristo, o Filho de Deus.

Jesus foi levado ao Sinédrio, que estava pronto para colocá-lo em julgamento no meio da noite. A acusação decisiva foi blasfêmia:

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[...] O sumo sacerdote se levantou no meio da assembleia e interrogou Jesus: Não respondes nada? Não percebes que acusações fazem estes contra ti? Mas Jesus continuou calado e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar e disse-lhe: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? E Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do homem sentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que ainda precisamos de testemunhas? Vós ouvistes a blasfêmia. Que pensais disto? E todos o consideraram culpado de morte. (Marcos 14, 60-64).                                   

Sobre esse fato, alguns estudiosos afirmam que uma grande parte da culpa pela prisão e condenação de Jesus está nos sacerdotes judeus que o julgaram inicialmente, isentando o romano Pôncio Pilatos, a autoridade máxima na Palestina na época, de qualquer responsabilidade. O cristianismo moderno contesta essa informação e nega que os judeus daquela época tenham sido os únicos responsáveis. Já os historiadores debatem se os fatos descritos na Bíblia se baseiam nas antigas leis judaicas e romanas, buscando esclarecer a verdade. “Mas os cristãos fundamentalistas ainda interpretam os Evangelhos de forma antissemita2”, diz o padre teólogo Antônio Manzatto. “É o que faz Mel Gibson em seu filme A Paixão de Cristo.” As polêmicas em torno do filme alcançaram recordes nos Estados Unidos e em outros países do mundo.

Ao amanhecer, é conduzido a Pilatos, governador romano, que não vê ameaça real ao império e tenta evitar a execução, enviando-o até Herodes Antipas. Para sustentar a pena de morte, os líderes religiosos transformam a acusação religiosa em política, apresentando Jesus como “rei dos judeus”.

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                        Jesus diante de Pôncio Pilatos.                                                                           

                                                  

 

Pilatos, pressionado, cede à multidão que escolhe libertar Barrabás e crucificar Jesus. Ele é flagelado, coroado de espinhos e levado ao Gólgota para ser pregado na cruz entre dois criminosos, em uma execução pública, lenta e exemplar, típica do poder romano.

Verdadeiramente, Ele tomou sobre si os nossos males, carregou as nossas dores: “Contudo, ele suportava nossas doenças e carregava nossas dores. Nós o reputamos como marcado, como ferido por Deus e humilhado. Mas ele era traspassado pelos nossos pecados, ferido por causa dos nossos crimes”. (Isaías: 53, 4-5).

Isaias havia predito que o nosso Redentor devia ser condenado à morte: “Javé fez recair sobre Ele a iniquidade de nós todos. Maltratado, ele se submeteu e não abriu a boca. Como um cordeiro levado ao matadouro, como uma ovelha calada ante um tosquiador, ele não abriu a boca”. (Is. 53, 7).

A morte na cruz3, cujo simbolismo acabou se adaptando à própria religiosidade cristã, não era um acontecimento raro naquela época.

“A crucificação era a pena de morte usada pelos romanos desde o ano 217 a.C. para escravos e todos aqueles que não eram cidadãos do Império”, explica o cientista político, historiador especializado em Oriente Médio e escritor italiano Gerardo Ferrara, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma.

“Era uma tortura tão cruel e humilhante que não era reservada a um cidadão romano. Era precedida pelo açoite, infligido com vários instrumentos, conforme a origem e a proveniência social dos condenados”.

 A Crucificação de Jesus

No meio da multidão que assiste à passagem dos condenados a caminho do Calvário, algumas mulheres se aproximam de Jesus chorando. Não podem vê-lo sofrer assim. Jesus “volta-se para elas” e as observa com a mesma ternura com que sempre olhou: “Não chorem por mim, chorem por vocês e por seus filhos”. É assim que Jesus marcha para a cruz: pensando mais naquelas pobres mães do que no seu próprio sofrimento.

O momento da crucificação é inesquecível. Enquanto os soldados o pregam no madeiro, Jesus diz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Assim é Jesus. É assim que ele sempre viveu: oferecendo aos pecadores o perdão do Pai, sem que eles o mereçam. Segundo Lucas, Jesus morre pedindo ao Pai que continue abençoando aqueles que o crucificam, que continue oferecendo seu amor, seu perdão e sua paz a todos, mesmo àqueles que o estão matando.

Na cruz, apenas um dos criminosos blasfemava, dizendo: “Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós” (Lc 23, 39). O outro, porém, o repreendeu, dizendo que, se eles mereceram o castigo, Jesus era inocente e lhe fez um pedido: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino”. E Jesus respondeu: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”.  

Apenas Marcos e Mateus dizem que Jesus, com voz forte, gritou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” O grito de Jesus, citando o Sl 22, 1, expressa a radical solidão do sofrimento e morte de Jesus. Não se trata de um grito de desespero de um moribundo, mas inclui também uma expressão radical de entrega a Deus, como se expressa na ação de graças e certeza da proteção divina da parte final do Sl 22, 22-31. Neste sentido, alguns pensam que Jesus estivesse rezando o Salmo 22. Talvez para ressaltar o aspecto positivo e confiante de Lucas, omite-se este grito. O grito de Jesus chamou a atenção dos soldados e um deles, entendendo mal a expressão “meu Deus” (Eli ou Eloí), disse: “Vede! Ele está chamando Elias”. Elias era considerado o precursor do Messias: “Eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o Dia de Javé, o grande e o terrível dia”. (cf. Ml 3, 23; Mc 9, 11-13). Elias foi arrebatado ao céu num carro de fogo (2Rs 2, 11-14) e se acreditava que, ao ser invocado, viria resgatar o justo necessitado.

João mostra um Jesus consciente até o fim; por isso, “para cumprir plenamente a Escritura”, diz: “Tenho sede”. Neste momento, um dos soldados molha em vinagre a esponja presa numa vara e a aproxima da boca de Jesus. Ao contrário de Mc 15, 23 e Mt 2, 34, Jesus provou o vinagre: “Depois de provar o vinagre, Jesus disse: ‘tudo está consumado’. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19, 28-30).

Não é de estranhar que Paulo de Tarso convide os cristãos de Corinto a descobrir o mistério que está contido no Crucificado: “Em Cristo, Deus reconciliou consigo o mundo, não tendo em conta as transgressões dos homens”. É assim que Deus está na cruz: não nos acusando de nossos pecados, mas nos oferecendo seu perdão.             

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Jesus Ressuscitou!

Essa é a maior notícia já ouvida na face da Terra. Não se trata de uma notícia que interesse apenas aos cristãos, mas interessa ao mundo todo, pois é verdade que Deus se encarnou, assumiu em plenitude nossa humanidade, morreu e ressuscitou para nos salvar; isso interessa a todos!

[...] A Igreja proclama a ressurreição nessa Páscoa e nós, católicos, precisamos fazer ressoar ao mundo todo a certeza que temos; não podemos nos omitir e precisamos testemunhar com nossa vida e com anúncio da palavra, a “Boa Nova”: Deus amou o mundo de tal maneira que enviou seu filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna, pois Deus não enviou o seu filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele! (João 3,16). Ele está vivo! Ele ressuscitou! Aleluia! (Revista do Benfeitor da Paz - Comunidade Católica Shalom, Fortaleza – CE, p. 2, 2009).

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Os maiores sábios pouco deixaram seus escritos, suas obras seguiram nas mentes dos que pensam como eles! 

José Jansen Furtado, 29 de março de 2026.  


Notas e Referências:

*Jesus Cristo, conhecido como o Nazareno, identifica Jesus de Nazaré como o Messias cristão, destacando sua humanidade e sua origem na pequena e desvalorizada cidade de Nazaré, na Galileia. O título, comumente utilizado nos Evangelhos e Atos, realça o cumprimento profético, a simplicidade de sua existência e sua ligação com os excluídos, além de ser um nome de autoridade e influência.

(1) Os episódios da infância de Jesus sofrem uma elaboração literária em que distinguimos: a ação divina, conteúdo mesmo dos acontecimentos da história da salvação; a presença do maravilhoso (sonho, estrela) como elemento cultural, correspondente à mentalidade da época; ampliação ou apresentação dos fatos, estilizando-os segundo outros episódios da história de Israel, a fim de mostrar que o modo de Deus agir no passado se reproduz no modo de agir com relação a Jesus. Esta estilização salienta, a um tempo, que Jesus continua Israel e é doravante o verdadeiro Israel.

(2) O termo refere-se especificamente ao preconceito ou ódio contra judeus, não englobando outros povos semitas, e foi cunhado no século XIX para dar um tom "científico" à aversão aos judeus.

(3) A morte na cruz era uma forma de execução extremamente comum na antiguidade, particularmente sob o Império Romano, e não um acontecimento raro. "A crucificação não foi invenção romana, mas estava amplamente disseminada no Império Romano. Fazia parte de uma rotina dentro dos territórios que hoje chamamos de Israel", pontua Chevitarese. "Mais ou menos uns 40 anos depois da morte de Jesus, quando houve a tomada de Jerusalém, milhares de judeus foram crucificados”. Para os judeus a morte de cruz não é mencionada na Lei. No direito penal judaico a pena adicional para os idólatras ou blasfemo era o pendurar no madeiro após a morte mediante apedrejamento ou decapitação (Dt. 21, 22), e assim o executado era tachado publicamente como amaldiçoado por Deus; “Maldito quem for pendurado no madeiro” (Dt. 21,23).

THIVOLLIER, Padre Pierre. “... E Ele viveu entre nós” (tradução: Maria Luiza Neri; adaptação: Pe. Hugo de V. Paiva). São Paulo: Edições Paulinas, 1975.

A BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus Gráfica, 4ª Edição, 1995.

OBRA NOVA: Jesus Está Vivo! Fortaleza: Revista do Benfeitor da Paz – Comunidade Católica Shalom. Ano I – Especial, nº 06, 2009.

REVISTAS: Aventuras na História, “A Verdadeira História de Jesus”, pp. 24 a 31, São Paulo: Editora Abril, Edição 8, abril de 2004; “Jesus Antes de Cristo”, pp. 26 a 35, São Paulo: Editora Abril, Edição 40, dezembro de 2006. Ambas as revistas abordam os contextos principais baseada nas obras: A Bíblia de Jerusalém, Paulus Gráfica, 2002; “Um Judeu Marginal, Repensando o Jesus Histórico”, John P. Meier, Imago, 1992; “O Jesus Histórico, a Vida de um Camponês no Mediterrâneo”, John Dominic Crossan, Imago, 1994; “Bandidos, Profetas e Messias”, Richard A. Horsley e John S. Hanson, Paulus, 1995; “Jesus, uma Biografia Revolucionária”, John Dominic Crossan, Imago, 1995; “Jesus de Nazaré, uma Outra História”, André Chevitarese, Gabriele Cornelli, Mônica Selvatici (org.), Annablume Editora, 2006.

Conheça mais:

Jesus de Nazaré (em italiano: Gesù di Nazareth; em inglês: Jesus of Nazareth), 1977, um filme dirigido por Franco Zeffirelli, procurou apresentar um contexto realista e histórico. Tal obra é amplamente reconhecida como uma das criações mais emblemáticas e respeitáveis acerca da vida de Jesus Cristo. Um dos melhores filmes doutrinários sobre Jesus. Elenco principal: Robert Powell (Jesus), Olivia Hussey (Maria), James Farentino (Apóstolo Pedro), Anne Bancroft (Madalena), Laurence Olivier (Nicodemos), Rod Steiger (Pôncio Pilatos) e Anthony Quinn (Caifás).

A Paixão de Cristo (em inglês: The Passion of the Christ) é um filme americano de 2004 do gênero drama épico coescrito, coproduzido e dirigido por Mel Gibson. Bastante forte e brutal em suas cenas, principalmente nas últimas doze horas que antecedem a morte de Jesus Cristo, conhecida como "A Paixão". É estrelado por Jim Caviezel como Jesus de Nazaré, Maia Morgenstern como Maria (mãe de Jesus) e Monica Bellucci como Maria Madalena, Mattia Sbragia como Caifás, Hristo Naumov Shopov como Pôncio Pilatos, entre outros.

Música: “Um Certo Galileu” (versão ampliada), composta e interpretada pelo Padre Zezinho, SCJ, é um clássico da música católica brasileira que narra a vida, pregação, paixão e ressurreição de Jesus Cristo de forma simples e poética.

Busca na internet: https://www.xaverianos.org.br/noticias-e-artigos/teologia/2268-como-foram-as-ultimas-horas-de-jesus-na-cruz;

https://oantagonista.com.br/ladooa/entretenimento/como-foram-as-ultimas-24h-de-jesus-cristo/;

https://paroquiadorosario.com/os-ultimos-momentos-de-jesus-no-alto-da-cruz/, em 2026.



Jesus Cristo triunfou para todo o sempre. Amém!

https://www.youtube.com/watch?v=QhwYQlXwdz4&list=RDQhwYQlXwdz4&start_radio=1

Ilustrações de imagens e exibição do vídeo: a canção "Exodus Main Theme" do álbum "Spirit of a People", por Francisco Furtado (https://www.youtube.com/).








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