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O Advento e o Natal: Suas origens...

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Dádiva1: “Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”.

                                                                       Madre Teresa de Calcutá.

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O Advento

Simboliza o começo do ano litúrgico para os fiéis católicos, caracterizado por um clima de expectativa e preparação para o Natal. Ao longo de quatro semanas, a Igreja convida os fiéis a refletirem sobre a vinda de Cristo, seja em sua primeira vinda, seja no enigma de sua segunda vinda triunfante. O Advento vai além de uma mera contagem regressiva para o Natal, sendo uma chance de reforçar a nossa fé, um período de mudança, prece e ponderação sobre o real sentido da encarnação de Jesus.

O Advento é uma fase litúrgica marcada pela expectativa e pelo preparo. Durante esse período, a Igreja nos guia na celebração do mistério do nascimento de Jesus Cristo, que, sendo Deus, tornou-se humano. Ao mesmo tempo, somos lembrados de que essa história ainda não se completou: aguardamos a sua segunda vinda, em toda a sua glória, para julgar os vivos e os mortos.

No entanto, essa espera não é passiva. É a hora de abrir os olhos para perceber que a mesma fé que nos faz olhar para Belém também nos convida a preparar nossos corações para o retorno do Senhor. O Catecismo da Igreja Católica ensina que a chegada do Messias foi preparada ao longo de toda a história da Antiga Aliança. Assim, o Advento também nos conecta ao povo de Israel, que aguardava o Messias com grande esperança.

Vivemos em períodos em que esperar é visto como desperdício de tempo. Mas o Advento nos desafia a reencontrar a importância do silêncio, da atenção e da conversão. Afinal, não esperamos por um acontecimento qualquer: esperamos pelo Senhor cuja chegada alterou permanentemente a história da humanidade e cuja promessa nos sustenta enquanto aguardamos a plenitude de seu Reino.

Nas semanas que levam ao Natal, as igrejas do mundo todo celebram o Advento – um período de reflexão e preparo para o nascimento de Jesus Cristo. Coroas do Advento com velas acesas, como a que está dentro da igreja Sankt-Petr, em Magdeburg, Alemanha, simbolizam luz nos dias escuros do inverno.

Advento recebe o nome de adventus, a palavra latina para “chegada”. À medida que a igreja cristã se solidificou, no século 5 d.C., o mesmo aconteceu com as tradições por volta de 25 de dezembro.

Por fim, essa preparação ficou conhecida como Advento. No século VI, os cristãos na França celebraram um “St. Quaresma de São Martinho”, que incluía jejuns e abstinência de relações sexuais antes do Natal.

O Advento agora é considerado a primeira estação do ano litúrgico, o ciclo anual da Igreja Católica de dias de festa e leituras das Escrituras. Assim como seus ancestrais, os cristãos modernos o veem como uma época de preparação em honra a Cristo.

Cada domingo tem um significado tradicional, orações e leituras atribuídas a ele. Eles representam, em ordem, as virtudes cristãs de amor, alegria, esperança e paz. Para os crentes, o Advento representa um período multifacetado durante o qual se prepara para o nascimento de Cristo, celebra a fé, a conversão ao cristianismo e antecipa a eventual ressurreição do filho de Deus.

Espiritualmente, o Advento está profundamente ligado ao anseio messiânico do povo de Israel. Desde os patriarcas até os profetas, a história da salvação está marcada pela promessa de um Salvador que libertaria seu povo. No Advento, essa espera se renova, unindo-nos à história do povo eleito e nos convidando a viver com a mesma esperança que sustentou os justos do Antigo Testamento.

A origem do Natal

Mistura comemorações pagãs romanas, como a Saturnália (festa do deus Saturno) e o Sol Invictus (Deus Sol), com a festividade cristã que celebra o nascimento de Jesus Cristo em 25 de dezembro, data oficializada no século IV pela Igreja Católica para converter e ressignificar essas festas pagãs. O termo vem do latim "natalis" (nascer), e costumes como troca de presentes e decorações foram incorporados de rituais antigos, como as celebrações nórdicas de Yule2.

Um Natal diferente. Conforme relatos intrigantes da revista Super Interessante, uma outra contribuição originária nórdica é a noção de uma entidade mística que presenteia as crianças durante o Yule. Em várias tradições da Escandinávia, um gnomo3 realiza essa tarefa, uma prática que se mantém até os dias atuais. Com o tempo, essa figura foi se tornando mais humanizada, dando origem ao Papai Noel.

Ásia Menor, século IV. Três garotas da cidade de Myra (atual Turquia) estavam em uma grande dificuldade. O pai delas era um homem muito pobre, e as moças só viam uma saída para essa condição: entrar na prostituição, assim iriam escapar daquela miséria insuportável. Foi então que, numa noite de inverno, um homem misterioso lançou um saquinho de ouro pela janela da casa (alguns diziam que tinha sido pela chaminé) e desapareceu. Na noite seguinte, jogou outro; depois, mais um. Um para cada garota. Então as jovens usaram o ouro como dotes de casamento – não era possível encontrar um bom marido na época sem pagar por isso. E viveram felizes para sempre. Tudo por causa do homem dos saquinhos.

O tal benfeitor era um homem de carne e osso conhecido como Nicolau de Myta, o bispo da cidade. Não existem registros históricos sobre a vida dele, mas lendas são muitas. Nicolau seria um homem rico que passou a vida dando presentes para os pobres. Histórias sobre a bondade do bispo, como a das moças que escaparam da vida de um bordel, se tornaram famosas. Logo atribuíram todo tipo de milagres a ele. E um século após sua morte, o bispo foi canonizado pela Igreja Católica. Virou São Nicolau. Um santo versátil: padroeiro das crianças, dos comerciantes e dos marinheiros, que espalharam sua fama de bom coração por todas as partes da Europa.

Na Rússia e na Grécia, Nicolau tornou-se o santo nº 1. No restante da Europa, a imagem amigável do bispo de Myra se misturou com as tradições do Natal. E ele se tornou o doador oficial da data. Na Grã-Bretanha, começaram a chamá-lo de Father Christmas (Papai Noel). Os franceses criaram Pére Nöel, que significa a mesma coisa e originou o nome que usamos aqui no Brasil. Na Holanda, o Santo Nicolau abreviou-se para Sinterklaas. E o povo dos Países Baixo levou essa versão para a colônia holandesa de Nova Amsterdã (hoje Nova York) no século XVII – daí o nome Santa Claus que os Estados Unidos adotaram depois. Assim, o Natal que conhecemos estava chegando ao mundo, mas nem todos aceitaram a ideia.                                                                                    

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  Antiga lenda natalina: trenó do Papai Noel com tração de renas mágicas voadoras.

Um velhinho moderno. Outra contribuição da Revolução Industrial, bem mais clara, foi a produção em massa. Ela aumentou a indústria de presentes, fez nascer a publicidade de Natal e acabou transformando o bispo Nicolau no garoto-propaganda mais famoso do mundo. Até a metade do século XIX, a imagem mais comum dele era a de um bispo mesmo, com manto vermelho e mitra – aquele chapéu comprido que as autoridades católicas usam. Para se adequar aos tempos modernos, então, o homem passou por uma mudança. O cirurgião foi o desenhista americano Thomas Nast, que em 1862, removeu as referências religiosas, adicionou alguns quilos a mais, mudou o figurino vermelho e estabeleceu a sua residência no Polo Norte – para que o velhinho não pertencesse a nenhum país. Na lenda também inventaram um trenó (carro da Neve) que é puxado por nove renas mágicas. A bordo, ele leva um grande saco de presentes, que são distribuídos às crianças na noite de Natal. Assim, reforça muito mais o mundo de aventura e fantasia do mito natalino.

O verdadeiro Natal é uma celebração cristã que comemora o nascimento de Jesus Cristo. No entanto, de acordo com a Enciclopédia Britannica, a origem da festa envolve mais aspectos do que apenas o aniversário do profeta mais significativo do cristianismo.

De acordo com a Enciclopédia Britannica, a origem exata de escolher o dia 25 de dezembro como data de nascimento de Jesus não é clara. Isso porque não existem indícios sobre isso no Novo Testamento da Bíblia católica.

Segundo a National Geographic Brasil, “Saturnália é um festival romano de uma semana (dezembro) dedicado ao deus da agricultura, com celebrações, refeições e troca de presentes”.

Uma explicação simplificada da origem desta data é que, em 25 de dezembro, aconteceu a cristianização do dies solis invicti nati (dia do nascimento do sol não conquistado), segundo a fonte inglesa. O feriado era famoso no Império Romano e festejava o solstício de inverno (no Hemisfério Norte) como símbolo do renascimento do sol, ao mesmo tempo em que também marcava o começo do inverno e o anúncio do renascimento da primavera e do verão.

Também é confirmado pela BBC, que afirma: “No dia 25 de dezembro, celebrava-se o ‘nascimento do sol invicto’, um momento de mudança no inverno, quando os dias começavam a ser mais longos, simbolizando renovação.”

A data foi associada ao nascimento de Cristo por cerca de 221 d.C., sendo divulgada por Sextus Julius Africanus, um viajante e historiador cristão do fim do século II e começo do século III, tornando-se, assim, amplamente conhecida nos séculos posteriores.

Mas a ligação com o festival pagão romano ainda estava presente. Após a data de 25 de dezembro ser amplamente reconhecida como a de nascimento de Jesus, os escritores cristãos da época associavam frequentemente o renascimento do sol ao nascimento do “Filho de Deus”.

Ainda segundo a Enciclopédia Britannica, essa ideia mostra uma atitude neutra da Igreja Católica de adotar uma celebração pagã em um período em que ela queria se separar claramente das crenças e práticas pagãs.

Uma segunda visão, diz a Britannica, sugere que a data do nascimento de Jesus se tornou o dia 25 de dezembro por um pensamento que associou o equinócio da primavera (21 de março) como a data da criação do mundo.

Conforme as escrituras cristãs, esse período levou sete dias. Sendo assim, o quarto dia da criação, quando surgiu a luz, é considerado o dia em que Jesus foi concebido (ou seja, 25 de março). Por isso, 25 de dezembro, nove meses depois, é uma data que faz sentido para seu nascimento.

O Natal começou a ser festejado de forma significativa como uma liturgia cristã particular desde o século IX. Entretanto, segundo a Enciclopédia, foi no início do século XX que essa festa se transformou em um feriado familiar, sendo celebrada por cristãos e não-cristãos, deixando de lado os aspectos religiosos e se tornando mais conhecida pela troca de presentes.

Na antiguidade, também celebravam a data, seja pela chegada do inverno ou pela passagem do tempo. A partir do século IV, e com a consolidação da Igreja Católica em Roma, a festividade foi oficializada como dies natalis Christi (Natal de Cristo). Como não se sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu, essa foi uma forma de cristianizar as festas pagãs romanas, dando-lhes uma nova simbologia.

O termo Natal tem origem na palavra do latim “natalis” que, por sua vez, é derivada do verbo nascer (nāscor).

A escolha da data foi ratificada em 350 d.C pelo Papa Júlio I (337-352). Desde então, o Natal passou a ser comemorado em diversos países, normalmente marcado pela celebração da renovação e do nascimento.

No Natal surgem vários sinais representativos dessa comemoração festiva, cada qual com um significado distinto e com origem pagã ou religiosa. Quando falamos no nascimento de Cristo, o que mais representa na nossa mente é o presépio, afinal ele retrata o cenário onde o menino Jesus nasceu. E aí, de forma conjunta ou isolada, conhecemos os componentes que nele figuram: a sagrada família, composta por Jesus, José e Maria, os três reis magos, o anjo e a estrela.


estrela-belemhttpsbrasilescola.uol.com.brnatalsimbolos-natal.htm
 

 Notas e Referências:

(1) Dádiva aqui se refere a cada pessoa que encontramos; elas são o real presente que merecem nossa atenção, amor e afeto.

(2) Yule: Antiga celebração pagã germânica e nórdica que marca o Solstício de inverno (o dia mais curto do ano), celebrando o renascimento do sol e a volta da luz, com tradições como queimar uma grande tora (tronco de Yule) para atrair boa sorte e prosperidade, sendo uma celebração ancestral que influenciou muitos símbolos e costumes do Natal cristão.

(3) Gnomo: Proveniente do latim gnomus, este ser hipotético é descrito como um anão de aspecto grotesco e feio, que, conforme a crença dos cabalistas, reside nas profundezas da Terra e guarda suas riquezas, pedras ou metais preciosos.

Revista: Super Interessante (A Verdadeira História do Natal, pp. 88 a 91), São Paulo: Editora Abril, Edição 233, dezembro de 2006.

Busca na internet: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2022/12/qual-e-a-origem-do-natal-segundo-a-historia; https://bibliotecacatolica.com.br/blog/formacao/advento/; https://www.todamateria.com.br/historia-do-natal/; https://www.google.com/, pesquisado em 2025.

Feliz Natal e Boas Festas!

 

 

 

 

 

 

 

 

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